quarta-feira, 28 de maio de 2008

"É Difícil Ser Eu"


"É difícil ser eu." - dizeres na camiseta do Marlon Brando em "O Último Tango Em Paris". Ótima frase. Me identifico com ela até certo ponto, pois tudo na vida tem aspectos positivos e negativos. Retomando o assunto da postagem anterior, voltemos no túnel do tempo a 1998. Tinha dezenove anos e recém tinha entrado na faculdade de veterinária. As cadeiras básicas eram em comum com outros cursos. Logo, fiquei amiga de um estudante de medicina. Não nos desgrudávamos até que me dei conta que aquilo estava indo além de uma simples amizade. Me controlei o quanto pude, sendo apenas atenciosa e legal com o moço. Até que um dia, me virei para ele no meio da aula de "Introdução Ao Método Científico" (cadeira caça-níqueis)e disse: "Bah, sabes que não dormi direito essa noite (era verdade)?". Resposta: "Tava pensando no quê?". Minha declaração velada (olhando nos olhos): "A questão não é "no quê", mas "EM quem"...Diga a verdade e saia correndo. Foi o que eu fiz. Voei para o banheiro vermelha feito tomate. Passei no bar, comprei uma Coca e voltei. E sentei ao lado dele - que sorria, em completo mutismo. No final do período, disse que iria pensar bastante a respeito das minhas palavras. Bem, o desenrolar disso foi um namoro que durou muitos anos. Finalmente, uma recompensa pela minha ousadia, após anos e anos...Foi só o começo. Tempos depois, solteira novamente, voltava de um congresso em Curitiba, quando um rapaz sentado na sala de embarque me chamou a atenção. Entrei no avião e, por uma feliz coincidência, ele sentou-se ao meu lado. Engrenamos aquele papo. Aos quarenta e quatro dos 45 minutos de vôo, pensei: "Será que ele não vai pedir o meu telefone?". Não pensei duas vezes. Tirei um cartão da bolsa e falei: "Sei que não vais querer consultar com uma médica recém-formada, mas em todo o caso...". Dez dias depois, finalmente me ligou e saímos algumas vezes. Namoramos por 2 anos. Veja só - já são dois desfechos favoráveis. Acho que só mais um episódio vale a pena ser mencionado. Durou pouco, mas o início foi legal e rende um comentário. Conheci o rapaz em um bar da Cidade Baixa (lugar de festa estranha, com gente esquisita). Avistei de longe aquele par de óculos. Depois vi o que estava atrás do óculos. Nooossaaa! Ficamos naquela fase "cachorro-cuida-o-frango-girando" até que fui ao banheiro e vi que ele tinha tirado óculos - mas como??? Passei por ele e falei "Acho que deverias pôr teus óculos de volta - ficam bem em ti". O moço imediatamente o colocou e perguntou: "Tu gostas?". Daí...O resto é história. Bah, me lembrei do Carnaval. Estava chorando as pitangas por causa desse rapaz, quando fui intimada por duas amigas a ir à Guarda do Embaú. É aquela velha máxima de se chorar em um fusquinha ou em uma BMW...Ficamos presas na estrada por horas a fio-estávamos cansadésimas depois de tanta indiada (com direito a xixi no mato e picadas de formigas mutantes). Guerreiras, resolvemos sair. Novamente, bati o olho em uma criaturinha e simpatizei, digamos assim. Ficamos nos olhando um tempão, até que eu vi uma "mocréia" se aproximando dele. "Ah, não!!!". Me aproximei com um simpático "Oi! Tudo bom?". Após um longo papo de aquecimento global ao carinho em comum pela Redenção...Passei o Carnaval inteiro com o moço. Muito lindo, ele. Fui acusada pelas amigas de ter fisgado o homem mais bonito presente no recinto..."Mas que xalalá, héin, Beth???". Dei a dica prá amiga ler revistas como Galileu e Superinteressante...Tava lá a reportagem que recém tinha lido sobre "Aquecimento Global". Meio bastante complicadinho o rapaz. Eterno enquanto durou. O legal é que sempre sobram histórias para contar. A idéia desta postagem é bem mais ampla do que parece. É sobre as pequenas ousadias que compensam. Arriscar vale a pena. Tentar - até certo ponto, é claro. Dava risada agora vendo a frase de um amigo no msn: "Se a sorte te virar as costas, passa a mão na bunda dela!". Manter o senso de humor ao lidar com as frustrações é fundamental - foi o que entendi. E se a sorte não esboçar nenhuma reação...Aí é hora de dar as costas a ela também. Isso é bom-senso.

Um comentário:

David disse...

Faltou contar que ainda aplicaste um xalálá no próprio pai prá levar o rapaz do avião do aeroporto até em casa, heheheh.