sábado, 26 de janeiro de 2008

Vende-se Casa II

Vinha dirigindo pensativa, voltando de um bar da Cidade Baixa (Boemiiiiiaaaa, aqui me tens de regreeeessoooo - canção geriátrica): preciso chegar em casa e escrever. Mil idéias passando em minha cabeça e eu tentando focar em um assunto...Ainda não escolhi, na verdade...Deixando fluir...Ah, sim! Lembrei!Dentro do elevador, refletia que sou uma pessoa legitimamente nascida para compartilhar. Desde a minha mais remota lembrança como ser humano, eu sou assim. "Ai, que liiiiindooooo! Como ela é altruísta!". Não, não. Isso é assumidamente um ato egoísta, por que se não me fizesse bem, não manteria esse comportamento. Já foi tecido um comentário a esse respeito por uma amiga (te amo, Nanica):"Tu tens o pacote pronto e quer dá-lo a alguém, só não sabes para quem.". Sim, é verdade. Daquelas excruciantes, como a ausência de um dente da frente (gracias, Clarice). Esse texto pode ser "um tiro no pé", por um lado. Imagina um homem solteiro lendo e pensando: "Essa tem quase trinta - deve tá batendo o desespero..." (sirene da auto-crítica: uuuuuuóóóóóóó...). Na-na-ni-na-nã! O cerne dessa reflexão é outro. Pensei muito novamente sobre isso hoje, ao fazer um acordo com um homem: ele entrou com o pé e eu com a bunda - a máxima de perder o amigo, mas jamais a piada, é válida para eu mesma (minha forma peculiar de suavizar a adversidade - sem negá-la). Percebi concretamente essa minha necessidade de dividir ao passar os quase últimos trinta dias em Sampa. Acostumada a compartilhar minha vida sistematicamente com pessoas próximas (de "proximidade"), me vi desorientada ao passar uma semana sem fazê-lo. Comparo isso à desfragmentação de um disco rígido - como um Psiquiatra (ou terapeuta) auxilia seus pacientes, otimizando seu funcionamento. Conheci uma mulher muito especial nesse momento, que tornou minha estada em São Paulo menos árida (obrigada, querida). Após essa breve quase fuga-de-idéias, volto à história do tal "pacote". Simplificando: esse "pacote" consiste em uma parte (reforço: apenas uma parte) da minha vida. Conversando hoje à tarde com uma amiga (que tem um "quê" de anjo), comentamos de como algumas pessoas fazem questão de tornar as coisas difíceis. No momento de uma separação, por exemplo. Existem as que se valem do apelo ("chantagem") emocional, numa forma velada de exprimir um grande narcisismo (valeu, Lili): "Quem essa pessoa pensa que é para rejeitar alguém como eu???". Considerando como algo pessoal o que de fato não o é, adota uma postura punitiva, querendo incutir o sentimento de culpa no outro. Me parece falta de auto-estima. Claro que pode enviesar para o outro extremo da absoluta ausência de auto-crítica, o que também pode ser prejudicial e descambar para a arrogância pura e simples. Tênue limiar. Mais uma fuguinha de idéias: mulher moderna é o escambau!!! Longe de ser conservadora também. Conceitos antagônicos? Nãããããão! Quem consegue ver isso em mim, me enxerga (se não é o que deseja, ou não é capaz, já não me diz respeito). Captaram o espírito da coisa? Putz! Esse texto ficou quase uma continuação do "Vende-se casa"- gostei disso.

2 comentários:

lili disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
lili disse...

INSISTÊNCIA versus PERSISTÊNCIA


(Não deixe que o orgulho e a vaidade atrapalhem seus lucros emocionais)


Ah, o vendedor.. algumas pessoas sentem repulsa em relação a este profissional pois visualizam uma situação em que algo será "empurrado", com muita insistência, ansiedade e imediatismo, focado nos interesses do vendedor e desconsiderando as necessidades e desejos do cliente.

Na vida pessoal, todos nós somos "vendedores" e geralmente adotamos a mesma postura que tanto criticamos.

Ao conhecer alguém, apresentamo-nos como "produto", salientamos nossos "benefícios" a fim de justificar o investimento e resultado que esperamos.

Auto-estima é realmente muito importante nesse processo de "venda pessoal" mas quem a alimenta exageradamente tornar-se narcisista a ponto de acreditar que jamais será rejeitado.

Quando desprezamos o desejo alheio, acreditando que podemos escolher (e ser escolhido)pelo outro, estamos repetindo os mesmos erros daquele vendedor chato, tentando criar em nosso "público-alvo" uma necessidade que não existe.

Podemos influenciá-lo por algum tempo mas chegará o momento em que se sentirá tão insatisfeito que ele buscará algo que realmente corresponda as suas expectativas.

A dificuldade em lidar com a rejeição faz com que a pessoa descontrole-se emocionalmente, utilizando agressões verbais, chantagens emocionais e impedindo a compreensão de que ela já viveu a mesma situação, porém em posição diferente... afinal, quem nunca sentiu sob seus ombros o peso dos sonhos alheios??

Portanto, o ideal é manter uma postura cordial e ter consciência de que a maioria das pessoas precisam de tempo para tomar decisões importantes e rever seus conceitos e necessidades.

Pode ser que o "cliente" avalie melhor, desculpe-se pelo descaso inicial e finalmente adquira o que você tem a oferecer.. porém a possibilidade dele nunca mais fazer contato é a mesma.

Enquanto isso, o "produto" deve continuar exposto na vitrine; é inútil reservá-lo a quem não demonstrou interesse ou deixou claro que não está disposto a realizar tal investimento.

A experiência em cada situação permitirá que a percepção e sensibilidade sejam desenvolvidas, evitando o desperdício de esforços entre pessoas com missão, visão e valores diferentes.

By Lili