terça-feira, 23 de outubro de 2007

Tropa de Elite

Acabei de chegar em casa. Fui assistir "Tropa de Elite". Im-pos-sí-vel não escrever sobre o filme mais comentado do momento. Fazia tempo que não saía de uma sessão de cinema com o público em quase completo silêncio. Eu também estava calada, por que fui sozinha. Mas saí sem palavras. Não vou chover no molhado aqui dizendo "Foi o melhor filme nacional que assisti", por que não vi todos. O que posso dizer é que me causou impacto. E o que mais me impressionou foi a ausência de repercussão em algumas pessoas. "É isso aí. Apenas retratou a realidade no Rio de Janeiro. Não é pesado não. Até deu prá dar umas risadas...". Se esse mesmo filme tivesse sido lançado há uns trinta anos, fiquei imaginando como seriam as reações do público: gente indo embora, outras tendo um piripaque (que termo geriátrico)...E talvez quem as tenha tido agora tenha sido rotulado de "sensível", "fiasquento" ou algo semelhante. Interessante como tudo é "contextualizável", porém, não o deveria. Como diria uma amiga, um assassinato é sempre um assassinato. O que muda são as motivações. Não vou entrar no mérito do que todos já sabem e é corajosamente escancarado no filme. Deixo essa tarefa para o discutível "Direitos Humanos" (seja lá o que isso significa). Particularmente interessante aquela cena em que o rapaz de classe média é surrado pelo policial em meio a uma "passeata pela paz" (sempre quando vejo uma me pergunto se fazem sentido). No filme, o usuário de drogas é retratado como financiador do crime, como o receptador de mercadorias roubadas, por exemplo. Também não entrarei nesse mérito, por que ele parece lógico por si só. Penso que as drogas ilícitas deveriam receber o mesmo tratamento das lícitas. E deveriam ser vendidas legalmente(não livremente-veja bem a diferença). Usuários sempre existirão, então por que não cobrar impostos sobre elas? A tal legalização talvez seja a única forma de acabar com o tráfico e toda a estrutura criminosa que ele engloba/gera. O consumo de tabaco e álcool, amplamente disponíveis, tem um impacto sócio-econômico gigantesco e não se classifica o seu consumo como crime de forma genérica. Mesmo quando deveria. Quando se mata ao volante embriagado, por exemplo. Não tenho essa estatística para citá-la aqui, mas por diversas vezes vi este crime ser julgado como culposo (sem intenção de cometê-lo). Recentemente, houve um juiz que considerou o atropelamento e morte de uma mulher e sua filha (se eu não me engano) por um promotor de justiça como doloso (com intenção). Será que esse caso foi "especial" por tratar-se de um indivíduo presumivelmente ciente das leis vigentes? E o cidadão "comum", é retardado, por um acaso? Alguém que tem a capacidade intelectual mínima suficiente para obter habilitação para dirigir (e que supostamente leu o Código de Trânsito)deveria ser considerado obviamente capaz de avaliar os potenciais riscos de se conduzir alcoolizado. E as elevadas taxas de impostos sobre cigarros, encontram-se muito aquém dos prejuízos causados pelo seu consumo. Então, por que existe essa diferenciação absurda entre lícitas/ilícitas, se o desfecho negativo equilibra-se? Não estou fazendo apologia ao consumo ou legalização específica de coisa nenhuma. Desejo apenas que haja COERÊNCIA nessa nossa m**** de legislação.
A propósito, uma breve fuga de idéias, para terminar: "Tropa de Elite" só não foi mais pesado ainda pela (oni)presença do grande ator Wagner Moura. Fardado e com cara de mau (na vida real, eu prefiro os homens "bonzinhos"). E aquele vozeirão...Afff! Desculpem-me. Vou tomar uma ducha fria. Até mais!

2 comentários:

Delamar disse...

A tua opinião sobre a droga tocou na ferida.
Mas o que precisa é ESCARAFUNCHAR nesta ferida, AUTUANDO, FICHANDO E BOTANDO NA CADEIA o maldito consumidor de drogas. Trata-se de pessoas geralmente muito bem situadas na vida e esclarecidas, a ponto de ter perfeita noção que qualquer droga vem banhada de sangue. Ele rouba e até mata para obter a droga e, depois de drogado, rouba e mata embalado pela euforia. Não tem saída indolor para o problema.

JC Baldi disse...

Sou contra a legalização. Com o devido respeito, acho uma conversa-para-boi-dormir de quem quer consumir droga sem a culpa da ilicitude.