quinta-feira, 3 de julho de 2008

Amigos, Separações e O Garoto de Ipanema


Hoje jantei com quatro amigas que gosto muito. Sabe aquelas pessoas leves, divertidas, que te fazem rir até doer a barriga? Lembrei daquela frase: "Não é importante ser sério. É importante ser sério nas coisas importantes". Sair com elas é como fazer uma terapia em grupo - rir é o melhor remédio (o clichê mais verdadeiro que menciono aqui). Também conversamos de assuntos mais sérios - e o bom humor de verdade é aquele que consegue fazer graça até das situações tristes. Um dia desses, papeava com um amigo que contava que a ex-namorada o tolhia demais, reclamando quando queria sair com seus amigos. Já falei sobre isso aqui, mas é que hoje, observando algumas das minhas queridas amigas, me dei conta (mais uma vez) da importância das verdadeiras amizades. Disse a ele: "NUNCA permite que nenhuma mulher te afaste dos teus amigos". Amores caducam e amizades são perenes - tô inspirada hoje. Bem, nem todos os amores são perenes - os que não são, muito provavelmente têm como alicerce uma grande amizade. Andei pensando no real significado do amor. Não, não estou apaixonada - e se um dia estiver, já decidi ser mais discreta a respeito aqui neste blog. Retomando, então. Se tivesse que descrever a essência do amor em uma só palavra: desprendimento. Aquela frase do Dalai Lama: o melhor relacionamento é aquele onde o amor um pelo outro supera a necessidade de um pelo outro. Talvez não seja tão fácil na prática, porém...deveria ao menos haver um exercício diário para tal. Mudando levemente de assunto, ontem enquanto procurava uma foto do Selton Mello para ilustrar minha postagem, achei um vídeo dele sendo entrevistado pela Fernanda Young. Aliás, acho essa mulher estilosíssima. O Selton, na flor dos seus 35 aninhos, falava à Fernanda sobre as suas "neuroses". Especificamente, sobre as neuras de um homem solteiro. De uma certa forma, me identifiquei com ele. Mas só um pouquinho - ele me pareceu um pouco neurótico demais para alguém tão novo. Bem que a minha mãe disse que tinha assistido a uma entrevista dele e achado ele "com jeito de complicado" (seja lá o que isso significa). Refleti sobre as minhas próprias manias. Na realidade, sou meio desligada com essas coisas de arrumação. De vez em quando, tenho uns momentos "Amélia". Percebo que a bagunça está demais e dou uma ajeitadinha. De leve, para não descaracterizar o ambiente (risos). O Selton também falou do quanto é difícil as pessoas conviverem pacificamente com suas respectivas manias. E como estas tendem a se acentuar com o passar dos anos. O mais engraçado é que tenho a impressão, segundo relatos de pessoas que já dividiram seu espaço (com amigos ou cônjuges), que as coisas mais banais são as que mais irritam. Me lembrei de um amigo que só descobriu que a esposa era portadora de transtorno obsessivo compulsivo após casar - e não queria se tratar de jeito nenhum. Acabaram por se separar. E por falar em separação, lembrando que uma história sempre têm dois lados (e duas versões, portanto), me lembrei de um amigo que está tendo problemas com a ex-esposa. Excetuando-se os cônjuges "descornados" (onde poderia haver uma motivação para atingir o outro), considero lamentável os inúmeros absurdos que tenho observado na separação de alguns casais. O último que levou vantagem foi o ex da Madonna (para não dizer que só as mulheres deixam os homens "com as calças na mão"). Em um futuro não muito distante (e já vem acontecendo - só não sei do real valor legal disso), acredito que a tendência é que as uniões sempre ocorram baseadas em contratos formais. E será que vai sobrar algum lugar para o romantismo? Ah, vai sim. Haverá uma cláusula lá no finzinho do contrato com a promessa mútua de mantê-lo "até que a morte (neura/dinheiro?) os separe". Para o alto e avante, como diria o Super-Homem...
Ah! Vou lançar uma versão masculina daquela música famosa: "The Boy From Ipanema". Ficaria uma graça, né?

terça-feira, 1 de julho de 2008

Assuntos Aleatórios & Etílicos


Confesso que escrever hoje está sendo um ato de disciplina e compromisso. Estou bastante cansada (pós plantão) e foi difícil levantar do sofá quentinho para sentar aqui na frente do micro. Ainda mais agora que coloquei tv a cabo...Sorte que também amo ouvir música - as que tenho ouvido ultimamente estão no computador. Tenho andado bastante caseira ultimamente. A locadora de DVDs é "logo ali" e dá uma preguicinha de sair com esse friozinho...Tinha pensado em alguns assuntos para escrever, mas confesso que sonolenta não sou muito criativa. Dentre eles, cogitei em discorrer algo sobre a "Lei Seca" em vigor. Anteontem, fui a casa de uma amiga e estava com muita vontade de tomar UMA taça de vinho, todavia, não o fiz por que estava dirigindo. Fico indignada com esse radicalismo absurdo de botar todos no mesmo saco: o consumidor consciente (e moderado, portanto) e quem enche a cara, assumindo os riscos inerentes de se envolver em acidentes (?). Bem, já que toquei no assunto, vou mencionar um comentário que li que comparava essa lei com a história de se fechar os caixas eletrônicos para saques a partir das 23h. Não se tem competência para coibir a raiz do problema, então tomam-se providências paliativas, radicais e estúpidas. Não entro no mérito da questão que a maioria dos acidentes de trânsito sejam relacionados ao consumo (abusivo) de álcool, por que isso é fato. O negócio mesmo é se planejar e ir de táxi. Ou ter um amigo que não bebe para dirigir (mais fácil a primeira opção). Aliás, papeava com um taxista um dia desses e ele estava literalmente rindo à toa. Me contou que, em uma casa noturna aqui em Porto Alegre, onde antes da lei eram solicitados cerca de quatro táxis no sábado, agora estavam chamando cinquenta (!). Bah, mudando de assunto, lembrei agora que não comentei o filme "Meu Nome Não é Johnny". O farei brevemente, então. Vale a pena assistir a performance sensacional do Selton Mello. Lembrei da postagem que escrevi sobre o Wagner Moura em "Tropa de Elite". Ambos atores são extremamente carismáticos na tela, mas fora dela, o Selton ganha disparado em charme (termo geriátrico e atemporal). O Wagner pareceu tão "apagado" no "making off"...Os dois não têm uma beleza "padrão", por assim dizer. E qual é o impacto dos atributos estéticos sem o charme? É claro que é forte - e fugaz. Nossa, me desvirtuei totalmente da idéia inicial da postagem (que idéia?)! Pensando bem, o importante é que me empolguei para escrever...Agora vou voltar para debaixo das cobertas! Tchau!

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Amanhã

Amanhã prometo que escrevo. Hoje faltou tempo mesmo, não inspiração.

Beijos!

Beth.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Liderança e Subordinação

Hoje lendo um artigo muito interessante em um outro blog senti uma certa culpa. Explicando melhor: me refiro à culpa de não ter um blog mais engajado. Aproveitar melhor o espaço para colocar a boca no trombone com maior frequência. A proposta do meu blog é de ser leve mesmo - de forma geral, pelo menos. Pensando bem, até que eu coloco o dedo na ferida sim. Apenas os assuntos abordados são mais restritos ao espectro das relações humanas ("só" isso???). Afff... Tô parecendo o Gilberto Gil. No fim, tudo se resume a relações humanas, ora pois (não nego minha ascendência portuguesa). O que quis dizer é que o meu enfoque é mais intimista.
Mudando de assunto (mas nem tanto), estou lendo "O Monge e o Executivo". Muito interessante o (aparente) paradoxo "liderar é servir". Os preceitos contidos no livro são bastante familiares - tenho dois chefes atualmente com esse perfil. Sabem ouvir, preocupam-se com o bem-estar de seus funcionários e têm boa receptividade a críticas (sugestões) construtivas. Infelizmente, aquele modelo antigo de "chefe" ainda perambula por aí. Em hospitais, é bastante comum chefias exercidas por profissionais da saúde sem preparo (e perfil) adequados ao cargo. Na verdade, todos deveriam ter a preocupação em obter conhecimento em gestão, por que de alguma forma sempre estaremos inseridos dentro de uma hierarquia. Estava lendo outro dia dois suplementos da revista "Você s/a." sobre liderança e etiqueta no ambiente de trabalho. Fiquei impressionada com a recomendação de cumprimentar todos os funcionários, independente da função. O título: "Trate bem do boy ao presidente." Isso transcende o comportamento esperado de um "líder". Denota educação, respeito e humanidade. E também é uma atitude inteligente. Certa vez, esqueci o vidro do meu carro aberto e o rapaz do estacionamento só conseguiu me avisar antes de cair uma chuvarada por que eu sempre o cumprimentava. Tudo bem, nem todos têm um perfil comunicativo. Mas isso realmente não pode servir como desculpa para a má educação. Me recordei agora de uma matéria que assisti no Fantástico. Era sobre como as pessoas se tornavam "invisíveis" ao usarem um uniforme. A ponto de vestirem uma personalidade conhecida (não lembro quem) de gari e ninguém reconhecê-la. Lamentavelmente, as próprias "vítimas" acostumam-se tanto à segregação que parecem nem reconhecer quando são devidamente cumprimentadas.
Retomando o tema dos assuntos do meu blog, pensei melhor e concluí que não devo ter culpa. Existem muitas maneiras de ser pró-ativo (a) (tem hifen ou é tudo junto?). Uma delas, é dando bons exemplos. Ou se esforçar para isso, pelo menos (considerando nossa condição humana e passível de falhas, portanto). Nada de andar agachado - já conversamos a respeito, certo?

Obs: a cena é do filme "Little Nicky, Um Diabo Diferente" - Hitler sendo castigado no inferno. Pode ser um método eficaz de educar maus chefes (risos)...

quarta-feira, 25 de junho de 2008

All Star



Hoje atendi um menino de 18 anos, portador de necessidades especiais (me refiro ao aspecto mental). Ele entrou no consultório e era todo sorrisos para mim. A mãe dele logo explicou: "É por causa do seu All Star, doutora! Ele adora esse tênis e estava olhando para os seus pés desde a sala de espera!". Resposta: "Somos dois fãs de AlL Star, então! O meu era vermelho e o dele era preto.
Lembrei daquela música do Nando Reis que eu adoro: "Estranho é gostar tanto do seu All Star azul...".

terça-feira, 24 de junho de 2008

Cisne???

Para meus queridos "cisnes" (desculpa te copiar, amiga):

Enquanto Ela Não Chegar

Quantas coisas eu ainda vou provar?
E quantas vezes para porta eu vou olhar?
Quantos carros nessas ruas vão passar?
Enquanto ela não chegar

Quantos dias eu ainda vou esperar?
E quantas estrelas eu vou tentar contar?
E quantas luzes na cidade vão se apagar?
Enquanto ela não chegar

Eu tenho andado tão sozinho,
que eu nem sei no que acreditar
E a paz que busco agora
nem a dor vai me negar.

Não deixe o Sol morrer
Errar é aprender
Viver é deixar viver.

Quantas besteiras eu ainda vou pensar
E quantos sonhos no tempo vão se esfarelar
Quantas vezes eu vou me criticar
Enquanto ela não chegar

Eu tenho andado tão sozinho,
que eu nem sei no que acreditar
E a paz que busco agora
nem a dor vai me negar.

Não deixe o Sol morrer
Errar é aprender
Viver é deixar viver.

Obs: é um antigo sucesso do Barão Vermelho.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Temporada de Pessimismo Momentâneo

Uma vez um amigo me falou: "Não acredito em TPM. Isso é uma invenção feminina". Só poderia ter sido um homem mesmo. Acabei de achar uma nova descrição para a sigla: Temporada de Pessimismo Momentâneo ("temporada momentânea" soou redundante). Fico bem mais introspectiva nesses dias - e não é "psicológico". Faço severas críticas às mulheres que usam esse momento como pretexto para torturar os que estão ao redor. Ok, 0k, ok. Pondero que existem formas mais exacerbadas, que necessitam de tratamento médico - então que busquem e não se aproveitem da situação (o famoso "ganho secundário"). Uma prova incontestável da origem orgânica da TPM é a mastalgia (nome técnico para dor nas mamas). Vou tentar explicar aos homens mais ou menos como é. Imaginem uma dor testicular em agulhada, que ocorre repetidas vezes ao longo do dia e sem necessidade de um estímulo tátil para ser desencadeada. Doeu só de pensar, né???
Ai que vontade de ficar entocadinha hoje - mas não vai dar. Tenho que trabalhar (ainda bem). "Cabeça vazia é oficina do diabo". Pelo menos trabalhando eu não tenho tempo de ouvir Gardel (risos). Hoje sinto a minha vida como um misto de tango argentino e comédia italiana. Ou tango uruguaio? Descobri ontem que "La Cumparsita" foi composta por um uruguaio (!). Me caíram los butiás del bolsillos (portunhol).
Um adendo à postagem: estou terminando de escrevê-la às 20h, pois descobri que NÃO ESTOU DE PLANTÃO HOJE!!! Bah, que coisa boa... Passei na Blockbuster e loquei "Meu Nome Não é Johnny", um DVD de curtas da Pixel e uma outra comédia romântica que não lembro o nome (escreverei uma postagem comentando em breve). E confesso: comprei um pacotinho de M&M's - não é comida, não. É um lenitivo para a minha TPM. Engraçado que eu digo para as pessoas que estou de mau-humor e elas não acreditam. Quem sabe eu deveria sorrir menos, então? Acho brabo - só conseguiria abaixo de muito botox! Isso me fez lembrar do Zé, meu professor de história do Curso Unificado: "Pára de mostrar os dentes, guria! Tá achando que eu tenho cara de dentista???".

Françoise Hardy - L'amitié (1965)

Aos meus amigos, longe ou perto - por que a "proximidade" supera a "distância"...

A Amizade

Muitos de meus amigos vieram das nuvens,
Com o sol e a chuva como bagagem.
Fizeram a estação da amizade sincera,
A mais bela das quatro estações da terra.

Têm a doçura das mais belas paisagens,
E a fidelidade dos pássaros migradores.
E em seu coração está gravada uma ternura infinita,
Mas, às vezes, uma tristeza aparece em seus olhos.

Então, vêm se aquecer comigo,
e você também virá.

Poderá retornar às nuvens,
E sorrir de novo a outros rostos,
Distribuir à sua volta um pouco da sua ternura,
Quando alguém quiser esconder sua tristeza.

Como não sabemos o que a vida nos dá,
Talvez eu não seja mais ninguém.
Se me resta um amigo que realmente me compreenda,
Me esquecerei das lágrimas e penas.

Então, talvez eu vá até você aquecer
Meu coração com sua chama.


sábado, 21 de junho de 2008

Alcunhas



Após anos e anos de apelidos traumatizantes como "Beth Baleia" (acompanhado do "jingle": Beth baleeeiaaa, engoliu a praia inteeeira) - este dado pelos meus coleguinhas (monstrinhos?) de jardim de infância. Outra alcunha jocosa, criada pelo meu estimado irmão, foi "Tonhão"(já mencionado aqui). Nada pode ser tão ruim que não possa ser piorado, inclusive a auto-estima de uma aborrescente (sem mágoas - é só uma constatação).
Finalmente, um apelido do qual me orgulho. É a terceira pessoa (gênero masculino)que me diz que guardo alguma semelhança com a atriz Catherine-Zeta-Jones (além das escleróticas - vulgo "branco do olho"). Eu sei que sou mais cheinha (eufemismo para gordinha) e meu nariz é mais batatudinho do que o dela (só que o meu é peça original de fábrica - o dela é fruto de uma rinoplastia), mas fiquei feliz com a associação.
Confesso que resisti bravamente à minha piada interna: "Só se for a Catherine depois da explosão nuclear" (ou quem sabe, atropelada por uma jamanta?). Simplesmente disse: "Obrigada! Se antes eu me achava, agora tenho certeza!". Muito boa essa, né?

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Homo sapiens


Acho que descobri o que estava me faltando para escrever. Dois "Cs" - já explico! Fiquei dois dias sem meu capuccino preferido (Iguaçu tradicional). Parece que fica faltando uma coisa no meu dia (no meu sangue?) se acordo e não tomo o meu café - agora sem o dueto com aquele outro "C". O segundo "C" é o calor. O quarto onde fica meu computador é muito frio, aliás, gélido, como o restante do meu apê. Tinha buscado o meu querido aquecedor recém consertado na casa dos meus pais, quando meu Pálio me deixou na mão pela milionésima vez. E lá se foi o meu carrinho com o aquecedor no porta-malas para o conserto. Aliás, falando nisso, gostaria de saber se outras pessoas têm tido problemas com a bateria dos Fiat Palio. Minha impressão é que sim. Tenho ouvido muitos relatos de consumidores indignados com carros recém comprados com transtornos frequentes relacionados a esse item. Já ouvi as mais diversas explicações, com suas respectivas soluções (tentativas) da origem do problema, que constantemente recorre. Tenho um pai que entende bastante do assunto e chegou a escrever uma carta à conceituada revista Quatro Rodas, do qual é assinante "desde o tempo do guaraná com rolha" (aguardo um comentário teu me dando retorno a respeito, pai!). Bem, mudando de assunto, ontem tinha começado a escrever um texto (segunda tentativa nos últimos dias) e não consegui terminar. Cheguei a conclusão que não posso deixar textos pela metade, pois perco o fio da meada. Engraçado que quando escrevo é bastante fluido. Quanto mais eu me esforço, pior eu me expresso. Talvez isso seja um reflexo da minha personalidade espontânea. Sem dar nome aos bois, eu preciso contar que um conceituado jornalista elogiou bastante meus textos. Fiquei tão, mas tão lisonjeada, que fiquei até com medo de escrever novamente...Brincadeira! A idéia deste blog é realmente despretensiosa. Eu escrevo mais por minha causa do que qualquer outra coisa. Não é egoísmo, não. Não é de hoje que escrevo para dar vazão aos meus pensamentos (ansiedade?). Um dia desses, como já mencionei, resgatei algumas antigas agendas. Elas rolavam de mão em mão entre as minhas amigas, que as levavam para ler em casa e para escrever algo nelas também. Na época, uma delas, que agora é jornalista, queria publicar um livro baseado nos meus textos (não me refiro a ti, Patty). Se continuarem dizendo isso, vou começar a achar que é sério (risos). Trocando de assunto novamente, aconteceram muitos fatos bacanas em minha vida nos últimos dias. Profissionalmente falando, estou começando (e tenho consciência de que é apenas o começo) a colher os frutos da minha dedicação profissional. Nada na vida pode ser bem feito sem prazer. Não confundir com hedonismo puro e simples, pois em tudo há uma boa dose de sacrifício. Nosso grau de felicidade é relacionado ao nível de compensação pelos nossos esforços. Pode ser a gratificação proporcionada pelo trabalho ou a satisfação que traz uma companhia que nos acrescente algo de positivo. Entram nesse pacote nossa família <=> amigos <=> amores (conceitos sobreponíveis, sem dúvida). Ah! Encontrei um gancho para outro assunto que queria abordar nesta postagem (o que não consegui ontem). Talvez até já tenha discorrido algo sobre isso - sinal que "há pano para manga", né? Quem sabe agora eu consiga transmitir mais otimismo que das outras vezes. Não que eu seja pessimista, mas andei me decepcionando com uma partezinha da humanidade e acabei transparecendo um certo negativismo. Na realidade, estava mais chateada comigo mesma - já passou. A auto-tolerância bem dosada é saudável, enfim. Há poucos dias conheci um "Homo sapiens" (e "xy") que teceu um comentário muito interessante (só poderia mesmo). Disse que as pessoas pensam tanto em um possível "futuro" (como se ele fosse completamente previsível...) ao relacionarem-se que acabam por "puxar o freio-de-mão" precocemente. Foi a primeira vez que ouvi essa expressão da boca de um homem - fiquei surpresa (positivamente). E o moço tem razão. O maior prejuízo causado é a perda da naturalidade. Ou pior: da gentileza. Até compreendo que exista uma dificuldade, muitas vezes por parte das mulheres, de controlar a ansiedade e não colocar um peso desnecessário às coisas/atitudes. Oferecer uma flor, por exemplo. Poderia deixar de ser dada pelo receio de que a outra pessoa viesse a interpretar o gesto como um sinal de que "algo potencialmente sério" estaria em andamento. Até poderia, quem sabe, ser gerada uma resposta de desagrado por alguém com pouca (nenhuma?) sensibilidade. Por que existe uma dificuldade tão grande em simplesmente ver a situação como "Me agrada muito a tua companhia neste momento, é esta é a forma que encontrei de demonstrar". Percebi, para o meu próprio espanto, o quanto estava me habituando à falta de gentileza. Me considero uma mulher moderna, porém, têm alguns conceitos "antigos" (?) que ainda permanecem atuais. Acho realmente que é uma cordialidade por parte do homem pagar a conta no primeiro encontro (e respeito da mulher não abusar). Não é pelo valor em si e sim pela gentileza que o ato representa. Conversando com amigas, descobri que essa é uma opinião de fato unânime (já desconfiava). Todas teriam, ao tirar reles cinco "pila" do bolso (quanto menor a despesa, maior o impacto negativo), uma sensação equivalente àquele termo popular para a disfunção erétil masculina...Enfatizo que sou plenamente a favor da divisão das despesas, passada essa etapa inicial (as não interesseiras e não pobres não se importam - ou não deveriam, pelo menos). Recentemente, recebi um e-mail de um amigo com o título "Campanha Pela Gentileza". Quando todos forem capazes de perceber que a ausência dela fecha muitas portas (e corações - que brega isso), vão certamente rever suas posturas. Essa sou eu - OTIMISTA - como sempre.

sábado, 14 de junho de 2008

Dia dos Namorados


Com dois dias de atraso, uma poesia em homenagem aos apaixonados:


AMAR

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal,
senão rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e
uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuido pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 8 de junho de 2008

Juramento do Paliativista - Lindo

Fantásticas


"Queridos, estou partindo em férias e lua de mel com aquele carinha maravilhoso que me agüenta há quase 50 aninhos" (Trecho de um e-mail que acabei de ler). Minha idéia inicial era chegar em casa e me atirar no sofá. Mas depois de lê-lo, me animei a escrever. Essa citação foi só para introduzir uma conversa sobre o assunto que mais ouvi nos últimos dias, devido ao Congresso Brasileiro de Geriatria (acabou ontem). Estavam maravilhosas as palestras sobre cuidados paliativos. Esses congressos sempre acabam sendo também um grande evento social. Pude rever muitas pessoas queridas. Amigos, ex-colegas de residência e algumas amizades feitas ao longo de diversos eventos anteriores. Aliás, tenho um sério problema com nomes. Dessa vez, ainda escreveram os nomes bem pequenininhos no crachá, só para piorar - nada que um sorriso simpático não pudesse resolver. O legal de frequentar esses cursos sobre cuidados ao final da vida, é conhecer as pessoas que os assistem. Costumam ser multidisciplinares: têm fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos... No que fui em São Paulo em março, tinha até um ator que já tinha trabalhado como voluntário na Cruz Vermelha. E os colegas médicos presentes costumam ter um perfil bem diferente. Parece que eu vou puxar a brasa para o meu assado ao explicar melhor, porém, não é esse o intuito. Fiquei especialmente fascinada ao conhecer a psicóloga Ligia Py. Já havia lido alguns capítulos de livros escritos por ela. Fiquei surpresa agora há pouco ao colocar seu nome no "Google" e encontrar 36200 citações. Me impressionei pela sua humildade e simplicidade. A palestra dela, no último dia, às 8h, estava cheia. Ao fim da explanação, entendi por quê. Foi muito emocionante. Sempre gosto de enxergar o rosto de quem fala, mesmo nesse tipo de situação pública. E além de inteligentíssima e articulada, ela é muito expressiva. Consegue de fato tocar o espectador. Não pude me conter (como outros presentes) e peguei o microfone para dizer isso a ela. Todos que fizeram o mesmo (também) embargaram a voz ao comentar o impacto de suas palavras. Gostei bastante também de conhecer dois colegas médicos cariocas. Um deles me deu um abraço "de urso" (não confundir com "amigo urso") ao se despedir e falou que havia gostado muito, mas muito mesmo de me conhecer. Ele foi meu parceiro de palco na peça que encenamos no primeiro dia do curso pré-congresso sobre cuidados paliativos. Eu interpretei a filha do "paciente" e ele era o próprio, sofrendo em meio às discordâncias entre "familiares" e o "médico" sobre o que fazer com o "paciente".Aliás, até me desculpei com a diretora (gerontóloga, com formação em teatro), por que eu não consegui ficar séria durante a encenação. O celular do "médico" (na vida real, inclusive) tocou no meio da peça e falei: "Meu pai aqui morrendo e o senhor falando no celular!!!". Um assunto pesado assim requer uma certa leveza ao ser abordado, né? O outro colega também era muito querido e me deu diversas dicas importantes. "Goxxtei muito de te conhecer!" - ouvi novamente. A recíproca foi verdadeira em ambos os casos. Faz muito bem conhecer gente que nos faz bem e nos acrescenta.
Um capítulo a parte foi assistir a Fernanda Montenegro e a Lya Luft tecendo reflexões sobre o processo de envelhecer ("A Arte e a Vida Depois dos 60 Anos"). Foi divertidíssimo. Da Fernanda, eu já era fã. Da Lya, havia lido um livro (não me lembro o título ao certo) do qual havia gostado. Porém, ao conhecê-la pessoalmente, fiquei encantada e com vontade de conhecer melhor o seu trabalho. Tive uma enorme identificação com as duas. Foi engraçado, por que concordei tanto com o que elas disseram que tive a nítida sensação de que tenho bem mais anos de vida do que os meus reles 29 anos. Talvez seja por conviver muito com idosos. Ou quem sabe, pela grande riqueza de experiências que a medicina por si só proporciona (felizes ou não). Sou meio geriátrica mesmo, no melhor sentido da palavra. Uma geronte moderna, é claro. Nunca mais vou dizer a frase "O/A fulano (a) é um(a) idoso(a) de espírito jovem". Isso é uma grande inverdade e não faz o menor sentido. É um preconceito, na realidade. Mais um que eu não havia me dado conta. Agradeço a essas mulheres/pessoas que me enriqueceram tanto. Fantásticas - é o mínimo que posso dizer.

sábado, 7 de junho de 2008

Reflexão



Estou cansada demais para desenvolver um texto maior hoje. Publico, então, esse "slide" (conteúdo da apresentação da fantástica Ligia Py). Tê-la conhecido foi um privilégio.

Erase & Rewind


Tinha começado a escrever uma postagem ontem que não consegui terminar. Talvez não consiga, então resolvi abordar o assunto de outra forma. Ultimamente, tenho vivido algumas situações um pouco complicadas. Existem momentos em que a gente sabe a coisa certa a fazer, mas é difícil assimilar a idéia. Já falei diversas vezes aqui sobre a tal "essência" das pessoas. Quando estamos envolvidos afetivamente, nosso juízo pode ficar bastante prejudicado. Tenho procurado trabalhar esse aspecto em mim. A tolerância é benéfica até certo ponto. Isso é pertinente para alguém que trai nossa confiança de forma mais séria. E deve valer também para outras características que percebemos como incompatíveis, mesmo que inicialmente não pareçam graves. Comportamentos se repetem - isso é fato. A menos que haja um grande esforço e vontade de mudança, os seres humanos tendem a manter seus "defeitos". Alguns desses são realmente subjetivos. Outros, não. A falta de honestidade é percebida como tal aqui ou na China. Cobiçar (e consumar) o desejo pelo alvo de afeto de alguém considerado amigo (em princípio)deliberadamente, nem se fala. Uma pessoa "pão-dura" pode ver a si mesma como "econômica", apenas. Ou como mesquinha mesmo, por um ponto-de-vista distinto. Uma coisa é certa: existe um limite de negação para tudo isso. Lembrei daquela frase do filme "Beleza Americana": "Nunca subestime o poder da negação". Estava pensando sobre essas e outras coisas ontem. Naquela idéia de tentar não interpretar atitudes sempre dentro de um contexto (leia-se, "atenuar"), enfrento uma certa dificuldade de aceitar aquilo que é gritante diante dos meus olhos. A ausência de pequenas gentilezas, denota desinteresse . Passar por cima dos outros, é desvio de conduta. E ponto. Simples assim. A letra de música que postei ontem me remeteu a alguém que conheci recentemente:

Vou soprar essa maldita vela
eu não quero ninguém vindo na minha mesa
Eu não tenho nada a falar com ninguém sobre coisa alguma
Todo bom sonhador passa por isto algum dia
amanhece caído num café escuro
café escuro
Somente na escuridão anterior
eu consegui minhas asas maravilhosas
e voei por aí
É só uma fase, estes dias em cafés escuros

Não questiono e nem condeno. Apenas me deu um certo medo de me tornar assim um dia (primeira estrofe). Me identifiquei com a terceira, na verdade. Sou uma otimista por natureza, no final das contas. E não é por isso vou fingir que não estou vendo. Nem o Stevie Wonder deixaria de enxergar. Força na peruuuuucaaaaa, então.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

The Last Time I Saw Richard - tradução


Música do CD "Legião Urbana Acústico MTV". Linda letra.


A última vez que vi Richard

A última vez que vi Richard foi em Detroit em 68
e ele me disse que todos os românticos
encontram o mesmo destino
Algum dia, cínico e bêbado e importunando
alguém em algum café escuro
-Você ri, ele disse: - você pensa que é imune,
vá, preste atenção aos seus olhos
Eles estão cheios de mágoa
você gosta de rosas e beijos e homens bonitos
pra lhe dizer todas essas lindas mentiras,
lindas mentiras
quando é que você vai perceber
que elas não passam de lindas mentiras,
só lindas mentiras, lindas mentiras.

Colocou uma moeda
na "jukebox",
e pressionou três teclas e a coisa começou a girar
Então a garçonete veio
com sua meia arrastão e sua gravata borboleta
e disse:"beba logo que já está na hora de fechar"
"Richard, você não mudou realmente" Eu disse
É só que agora você está romantizando
alguma dor que está em sua mente.
Você tem olhos fundos, mas as canções
que você toca, estão sonhando.
Ouça, eles falam de um amor assim tão doce
Quando você voltará aos seus próprios pés?
Oh e o amor pode ser tão doce, tão doce

Richard se casou com uma patinadora artística
e ele comprou pra ela uma máquina de lavar louças
e um coador de café
e agora ele bebe em casa
quase todas as noite com a tevê ligada
e com todas as luzes da casa acesas e a brilhar
Vou soprar essa maldita vela
eu não quero ninguém vindo na minha mesa
Eu não tenho nada a falar com ninguém sobre coisa alguma
Todo bom sonhador passa por isto algum dia
amanhece caído num café escuro
café escuro
Somente na escuridão anterior
eu consegui minhas asas maravilhosas
e voei por aí
É só uma fase, estes dias em cafés escuros

Agradecimentos a David pelas correções desta tradução tosca

terça-feira, 3 de junho de 2008

Psico (pata?) técnico


Acabei de chegar em casa ligada em 220V. Vai ser daqueles dias em que custo um pouco a desacelerar.Vou ir para a minha cama quentinha quando estiver caiiiindo de sono. Agora vou preparar uma xícara de chá de maracujá - peraí! Voltei! Hoje fui submetida a um teste psicotécnico admissional. Fiquei louca para rir de algumas perguntas. Tinham umas que evidentemente eram para detectar problemas mentais bem grosseiros. O teste inicial consistia de uma série de afirmações sobre traços de personalidade, as quais teriam que ser dadas uma classificação de um a sete (um = nada característico e 7 = totalmente característico, passando pelo "indiferente"). Frases esdrúxulas do tipo "Existem pessoas no mundo a quem não fui apresentada" a potencialmente comprometedoras como "Já tive comportamentos sexuais que seriam desaprovados pela sociedade".Fiquei pensando que essa psicóloga já deve ter lido cada coisa...Mais alguns testes de atenção e ela partiu para o clássico "desenhe uma figura humana". Na hora de entregar, tive que perguntar: "Com ou sem chão?". Resposta: "Como quiseres". Aí desenhei um chãozinho para a garotinha não ficar esquizofrenicamente flutuando no ar...
Mais tarde, por volta das 18h, começou o meu plantão. Atendi um rapaz que me disse "Meu problema, doutora, é esse meu péssimo hábito de fumar". Sem eu perguntar nada, ele complementou: "Sei que é coisa de preguiçoso, mas fumo por que todo mundo fuma...". Me recuso a comentar - estou só relatando...
Mudando um pouco de assunto, domingo resgatei da casa dos meus pais umas agendas da minha famigerada aborrescência. Muitas coisas engraçadas encontrei. Até entendi por que minhas amigas gostavam de pegá-las emprestadas para ler em suas casas (banheiros?). Achei uma letra de uma música que os Mamonas Assassinas nem chegaram a gravar (escrevi no dia em que morreram (2 de março de 1996):
"Como todo bom gaúcho / eu levanto de manhã / dou um soco na mamã / um cacete na irmã. / Tomo chimarrão fervendo / pois eu nunca sinto dor./ Dei um tiro no cachorro /por que não gostei da cor./ Com meu berro estremeço / desde a terra até o Sol / Cai a noite, eu vou prá casa / para pôr meu baby-doll."
Bateu um soninho, agora...Vou tomar um banho quentinho e tentar dormir...Boa noite!

domingo, 1 de junho de 2008

Abstinências


Estava em dúvida se iria compartilhar esse momento da minha vida aqui no blog. Não tem jeito, por que acho que vai ser assunto para várias postagens. Fumei meu último cigarro quinta-feira por volta de 18h. Calma, eu não morri. Apenas decidi parar de fumar. Tinha marcado uma data: 3/5/08. Este seria o dia em que faria a prova de título de especialista em geriatria - adiada para o ano que vem por que preciso ter quatro anos completos de formada (tenho 3 e meio - burrocracia, resumindo). Resolvi parar antes. Já vinha diminuindo há algum tempo o número de cigarros por dia e quinta olhei e só tinha um na carteira de Hollywood mentolado. Então pensei: por que não agora? Ainda estou dentro das estatísticas: cerca de quatro tentativas até o sucesso de abandonar este maldito vício. Havia parado de fumar em janeiro em circunstâncias bem adversas. Fiquei um mês sozinha em São Paulo, estagiando na geriatria da USP. Longe da família, dos amigos e do recém promovido a namorado, na ocasião. Caminhei tanto lá em Sampa que cheguei a emagrecer. Resisti e não dei nem uma tragadinha sequer. Me lembro de um dia que estava super quente e passei por um bar e vi um freezer cheio de Bohemia. Não me contive e sentei no boteco para tomar uma cervejinha. Sozinha mesmo. Não tinha long neck, então foi uma grande mesmo. Voltei trocando as perninhas para o hotel... Difícil também foi não sucumbir à tentação de substituir o cigarro por guloseimas. Aliás, mudar meus hábitos alimentares foi uma coisa difícil que consegui nos últimos 2 anos. Fica mais fácil quando a gente pode escolher o que comprar. Só compro guloseimas quando estou com muita vontade de comer. E fico dias sem comer doce - não me faz falta (exceto na TPM). Sou apaixonada por vinho tinto - outra coisa que reduzi bastante em prol da balança. Estou na fase mais crítica, que é a primeira semana. A abstinência é muito desagradável. E olha que provavelmente estou tendo sintomas mais amenos, devido à medicação que tomo para prevenir crises de enxaqueca. Conversei com a terapeuta os prós e contras de se substituir a minha sertralina por bupropriona, este um anti-depressivo com evidências científicas de auxiliar no abandono do tabagismo (atenuando os sintomas de abstinência). Não dá para tomar os dois juntos. Revisei a interação dessas duas substâncias no Cordiolli (tratado sobre psicofármacos). E olha só que legal: existem relatos de orgasmos espontâneos (!) com sua combinação. É verdade! Coisas da química cerebral...Retomando, a bupropiona não previne enxaqueca, então chegamos a conclusão que trocá-la não seria uma boa idéia. Tenho horários de trabalho (e conseqüentemente, de sono) extremamente irregulares, que predispõem a dores-de-cabeça. Nesses primeiros dias, tenho evitado a companhia de fumantes. A grande maioria dos meus amigos fumam. Fiquei feliz de saber que um deles está parando também. Ele faz aulas de canto e fumar estava (também) prejudicando a sua voz. Outro amigo meu também me perguntou ontem por e-mail como eu estava conseguindo. Penso que não tem fórmula, não. Claro que existem medicamentos, como a bupropiona (já citada) e adesivos/chicletes com nicotina. Mas o mais importante mesmo é estar motivado. Eu, como geriatra, nunca vi um fumante chegar em boas condições de saúde à terceira idade. E eu quero ter uma boa qualidade de vida agora e também no futuro. Duas pacientes que conheci no ano passado me fizeram refletir bastante sobre isso. Uma foi uma moça de 30 anos que atendi na noite de Natal em uma emergência aqui de Porto Alegre. Estava com uma infecção decorrente da quimioterapia para um agressivo tumor de pleura (na caso, sem relação com tabagismo), já em estado avançado. Provavelmente, aquele fosse ser o último Natal dela, por isso a oncologista que a acompanhava prescreveu um tratamento que pudesse ser feito em casa. A outra paciente, uma senhora de oitenta e poucos anos, sofria de um outro tipo de câncer, também não relacionado ao tabaco. Ela ficou lúcida até o finalzinho, o que é incomum no perfil de pacientes que costumo assistir. O esposo dela era um senhor muito querido, que parecia ser muito apaixonado pela esposa (correu uma lágrima, agora). Jamais vou esquecer a expressão dele ao vê-la partindo. Bem, o que eu quero dizer com isso é que morrer deve ser fácil - difícil é para quem fica. A morte é um processo natural tanto quanto nascer. Entretanto, pensei naquele momento que jamais gostaria de ter a sensação de ter uma parcela de culpa pela minha morte. Afff! Tá meio pesado o assunto dessa postagem. Desculpem, queridos leitores. Estou meio erradinha hoje. São abstinências demais para o meu gosto...rs. Vou entrar no site www.mundocanibal.com.br para dar umas risadas. E vou comer por que a fome me deixa braba - me faz rançar que nem criança...Argh! Hoje, nem eu tô me aturando...

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Daniela Cicarelli


Comentário da Daniela Cicarelli ao conversar com o Datena sobre o policial pedófilo que suicidou-se: "Isso é falta de Deus no coração". Descaradamente puxando o saco do patrão (a Record pertence agora à Igreja Universal-lembram-se?). E aquele famoso mico de ser flagrada fornicando em local público? Seria falta de COM-POS-TU-RA? Não preciso de "Deus no meu coração" para ter discernimento. Considerei isso uma ofensa a quem não crê em Deus. "E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo. João 12:47".
Acho que a Cicarelli tá precisando ler a Bíblia...rs

Muito Boa Essa...

Assuntos Aleatórios

São 6:14 da matina. Tomara que dê tempo de terminar de escrever esta postagem. Desisti de tentar descansar. O movimento está fraco, pois está frio. Frio mesmo. Fui buscar um café "Vanilla" no quiosque (carinhosamente apelidado de "metástase") e fiquei com pena da moça que estava atendendo. Ela me disse: "Os pés estando quentes, o resto fica quente também...". Concordo. Tenho pé-frio somente no sentido literal. Não consigo dormir sem meia com qualquer friozinho. Coisa de véia. Sou meio geriátrica mesmo...Estou ouvindo agora no kboing "The Winner Takes It All". Letra forte dessa música - nem tinha me dado conta até um amigo meu (geriatra-só podia) me dizer. Bah, que saudade que me deu dele agora...Foi meu colega na residência médica. O legal é que semana que vem (4 a 7 de junho) haverá o Congresso Brasileiro de Geriatria no campus da PUCRS. Vai ser ótimo rever os amigos, conhecer finalmente a Maria Clara (filhinha de 4 meses de um casal de amigos que amo muito)...Tudo isso sem o peso de fazer e esperar o resultado da prova de título. No final das contas, vou conseguir curtir tudo muito mais. Ah! E levar a minha amiga carioca para tomar Polar. Aliás, eu nasci no Rio de Janeiro, prá quem não sabe. Vim para cá com doze anos e toda a minha família é aqui do Sul. E com esse sotaque e com o amor que tenho por esta terra, já sou mesmo mais gaúcha do que qualquer outra coisa...Ops! Hora de trabalhar! Beijos e um ótimo fim-de-semana a todos!

quarta-feira, 28 de maio de 2008

"É Difícil Ser Eu"


"É difícil ser eu." - dizeres na camiseta do Marlon Brando em "O Último Tango Em Paris". Ótima frase. Me identifico com ela até certo ponto, pois tudo na vida tem aspectos positivos e negativos. Retomando o assunto da postagem anterior, voltemos no túnel do tempo a 1998. Tinha dezenove anos e recém tinha entrado na faculdade de veterinária. As cadeiras básicas eram em comum com outros cursos. Logo, fiquei amiga de um estudante de medicina. Não nos desgrudávamos até que me dei conta que aquilo estava indo além de uma simples amizade. Me controlei o quanto pude, sendo apenas atenciosa e legal com o moço. Até que um dia, me virei para ele no meio da aula de "Introdução Ao Método Científico" (cadeira caça-níqueis)e disse: "Bah, sabes que não dormi direito essa noite (era verdade)?". Resposta: "Tava pensando no quê?". Minha declaração velada (olhando nos olhos): "A questão não é "no quê", mas "EM quem"...Diga a verdade e saia correndo. Foi o que eu fiz. Voei para o banheiro vermelha feito tomate. Passei no bar, comprei uma Coca e voltei. E sentei ao lado dele - que sorria, em completo mutismo. No final do período, disse que iria pensar bastante a respeito das minhas palavras. Bem, o desenrolar disso foi um namoro que durou muitos anos. Finalmente, uma recompensa pela minha ousadia, após anos e anos...Foi só o começo. Tempos depois, solteira novamente, voltava de um congresso em Curitiba, quando um rapaz sentado na sala de embarque me chamou a atenção. Entrei no avião e, por uma feliz coincidência, ele sentou-se ao meu lado. Engrenamos aquele papo. Aos quarenta e quatro dos 45 minutos de vôo, pensei: "Será que ele não vai pedir o meu telefone?". Não pensei duas vezes. Tirei um cartão da bolsa e falei: "Sei que não vais querer consultar com uma médica recém-formada, mas em todo o caso...". Dez dias depois, finalmente me ligou e saímos algumas vezes. Namoramos por 2 anos. Veja só - já são dois desfechos favoráveis. Acho que só mais um episódio vale a pena ser mencionado. Durou pouco, mas o início foi legal e rende um comentário. Conheci o rapaz em um bar da Cidade Baixa (lugar de festa estranha, com gente esquisita). Avistei de longe aquele par de óculos. Depois vi o que estava atrás do óculos. Nooossaaa! Ficamos naquela fase "cachorro-cuida-o-frango-girando" até que fui ao banheiro e vi que ele tinha tirado óculos - mas como??? Passei por ele e falei "Acho que deverias pôr teus óculos de volta - ficam bem em ti". O moço imediatamente o colocou e perguntou: "Tu gostas?". Daí...O resto é história. Bah, me lembrei do Carnaval. Estava chorando as pitangas por causa desse rapaz, quando fui intimada por duas amigas a ir à Guarda do Embaú. É aquela velha máxima de se chorar em um fusquinha ou em uma BMW...Ficamos presas na estrada por horas a fio-estávamos cansadésimas depois de tanta indiada (com direito a xixi no mato e picadas de formigas mutantes). Guerreiras, resolvemos sair. Novamente, bati o olho em uma criaturinha e simpatizei, digamos assim. Ficamos nos olhando um tempão, até que eu vi uma "mocréia" se aproximando dele. "Ah, não!!!". Me aproximei com um simpático "Oi! Tudo bom?". Após um longo papo de aquecimento global ao carinho em comum pela Redenção...Passei o Carnaval inteiro com o moço. Muito lindo, ele. Fui acusada pelas amigas de ter fisgado o homem mais bonito presente no recinto..."Mas que xalalá, héin, Beth???". Dei a dica prá amiga ler revistas como Galileu e Superinteressante...Tava lá a reportagem que recém tinha lido sobre "Aquecimento Global". Meio bastante complicadinho o rapaz. Eterno enquanto durou. O legal é que sempre sobram histórias para contar. A idéia desta postagem é bem mais ampla do que parece. É sobre as pequenas ousadias que compensam. Arriscar vale a pena. Tentar - até certo ponto, é claro. Dava risada agora vendo a frase de um amigo no msn: "Se a sorte te virar as costas, passa a mão na bunda dela!". Manter o senso de humor ao lidar com as frustrações é fundamental - foi o que entendi. E se a sorte não esboçar nenhuma reação...Aí é hora de dar as costas a ela também. Isso é bom-senso.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Betinha Cara-de-Latinha


Idéias de postagens que surgem conversando com pessoas interessantes. Resolvi escrever hoje sobre a minha cara-de-pau que me acompanha desde a tenra idade. Meio pejorativa essa definição. Sempre fui pró-ativa na realização dos meus desejos. O tempo me tornou um pouco mais moderada, é claro. A maturidade e as múltiplas cabeçadas nos tornam mais prudentes naturalmente. Mas eu acho que a minha essência não mudou tanto assim, não. Estou me referindo aos rapazes (termo geriátrico), especificamente. Tudo começou por volta dos cinco anos de idade, quando tinha uma paixão recolhida por um primo mais velho (história batida essa, né?). Tenho a nítida lembrança de um dia tê-lo dado um abraço e um beijo. Nas costas. Nada romântico, mas era o que estava ao meu alcance. Aos oito anos, evoluidinha, já sabia escrever. Então, abandonei o método primitivo. Resolvi pendurar cartas de amor no mural da sala de aula endereçadas ao Christian, um menino muito lindinho que estudava na mesma classe, só que no turno da tarde. Olha só a minha inocência de achar que ninguém mais a leria, além da pessoa a quem estava destinada...Devo ter feito muita gente dar risada...O gurizinho esse nunca quis nada comigo. Preferiu a coleguinha que tinha "Mullets" e era cleptomaníaca (roubava estojos). Aos doze anos, comecei uma série de declarações "ao vivo". E uma conseqüente série de "foras", claro. Uns bem educados. Outros, nem tanto. Tinha apostado com uma amiga (a Patty taí de prova) que iria gritar "Eu te amooooo!!!" na janela do coleguinha pelo qual eu estava gamada. Loirinho de olhos azuis e com olheiras. Graças a ele acho atraente esta característica até hoje (prefiro os morenos, hoje em dia). Resumo da ópera: tomei coragem, respirei fundo e com toda a força dos meus pulmões, cumpri o trato. Quem apareceu na janela? O irmão mais novo...No extremo do constrangimento, perguntei: "O Gustavo tá em casa?". Não, não estava. Paguei mico por nada, enfim. "Ovários (inoperantes) prá frente", eu diria. Cerca de um ano depois, lá estava eu apaixonada pelo "Salsicha" (magrinho e alto como o personagem do desenho). Novamente loirinho e de olhos azuis. Dessa vez, fui mais prudente: pedi para uma amiga avisá-lo que queria conversar no recreio. Esse menino foi tão querido comigo...Melhor se não tivesse sido! Com catorze anos, durante um casamento na casa de uma amiga mais velha, chamei a nonagésima paixão da minha vida com o mesmo propósito: dizer o que sentia. Detalhe: ele era um bom tanto mais baixo do que eu, então a noiva me emprestou um chinelo (sim, um chinelo)para o momento fatídico. Seis anos mais velho do que eu, disse que eu era muito novinha para ele e blá, blá, blá...Ok. Sou brasileira e não desisto nunca. Aos quinze, caí de amores por um colega que tocava violão. Horroroso ele, mas até que tinha algum talento (meu fraco por músicos vem de longa data). Éramos amigos até o dia em que me virei para trás e disparei: "Sabias que eu sou afim de ti?". Resposta (esdrúxula): "Tá. E daí?".
Essa frase rende piadas até hoje. Volta e meia a Patty (minha amiga desde os doze anos) a profere em resposta a algum questionamento meu...Depois dessa, me aquietei até os dezoito, quando me apaixonei pelo professor baitola (já contei aqui). Acho que é assunto demais para uma só postagem. A próxima será sobre fatos mais recentes, com o cuidado de preservar a identidades das criaturas. E terá desfechos mais felizes. Tudo tem o seu lado bom. Ainda bem, né???

Pode Sorrir Na Foto???


Hoje fui tirar uma foto para um crachá. Fotos 3X4 saem quase sempre estranhas (no mínimo). Normalmente, tem que se fazer uma cara séria. Então, a primeira coisa que perguntei para a moça foi: "Pode sorrir na foto?". Fiquei tão feliz ao ouvir que sim que a foto saiu legal de primeira. Dei aquela rebocadinha básica, é claro. Corretivo, rímel, blush e gloss. Ia fazer a foto ontem, porém, a minha cara inchada de pós plantão me desestimulou. Nada que umas boas horinhas de sono não resolvessem - funilaria natural.
Outra coisa que me trouxe muita felicidade hoje foi uma compra que fiz. "Namorava" há quase dois anos um quadro do Romero Britto (The Hug - o da foto). Como detesto comprar parcelado, esperei para adquiri-lo à vista. Procurei durante todo esse tempo um outro que pudesse ficar bem na minha sala. Não achei. Tinha pensado em um do Salvador Dali, mas não achei do tamanho que queria.
Vai ficar lindo. Deixar meu lar ainda mais aconchegante. Valeu a pena esperar.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Camisa de Futebol


Enquanto passeava na Redenção anteontem, passou por mim um casal. Ele usava uma camisa do Grêmio. Olhei de novo e...ops! Me deu um tchauzinho simpático e eu acenei de volta. Conheci esse moço ano passado, durante a festa dos 100 dias de formatura das minhas "sobrinhas", agora médicas também (meus orgulhos). Sempre achei lindo homens de camisa de futebol. Do Grêmio, então, é quase covardia. Usava um óculos modelo Ray-Ban, que é outra coisa que confere estilo. Depois que eles passaram por mim, dava risada sozinha. Me lembrei que o referido rapaz mentiu a idade quando me conheceu. Disse que tinha 28 quando, na verdade, tinha "dois patinhos na lagoa". Pior é que o guri era tão bom papo e tão inteligente que me enganou di-rei-ti-nho! Besteira, isso. Poderia ter dito a verdade. Também revi um preconceito que tinha graças a ele. Achava, até então, que todo o marombeiro era retardado (ou quase). Bem, na verdade ele não é exatamente um marombeiro, apenas "sarado" (que termo adolescentesco). Nunca mais nos falamos, mas fiquei feliz em vê-lo novamente. Tê-lo conhecido causou a quebra de alguns paradigmas - e isso sempre é válido.

Sorte do Dia


"Agora é a hora de tentar inovar".

Não sou supersticiosa, mas...
Hummmm...
Será mesmo?
Aguarde e confie, como diria o Didi!

domingo, 25 de maio de 2008

Mar-de-Rosas


A idéia para abordar este tema surgiu daquele casal que atendi no meu último plantão, mencionado na postagem anterior. A mulher era a paciente, na verdade. Eles já me causaram uma boa impressão ao entrar na sala. Deram um "Boa Noite, dra! A coisa tá complicada hoje, né?" Muito sorridente, me passou a impressão de que nem precisava consultar. "Tava com uma ardência para fazer xixi desde ontem. Aí fiz sexo com o meu marido e a coisa desandou!". Nesse momento, os dois se olharam com um ar cúmplice (safadinho?). Foi muito engraçado. Foi aí que eu não resisti e perguntei: "Vocês são casados há quanto tempo?". "Há quinze anos!". Não me segurei e proferi a minha clássica pergunta (ainda escreverei um livro com as respostas): "Qual é o segredo?". Ela disse: "Nos damos bem por que somos muito amigos, antes de tudo." O maridão completou: "Casamento não é prisão, não. A gente respeita as nossas individualidades". Comentei, então: "Puxa, que legal! Isso é tão incomum atualmente! Mas vocês hão de convir que as pessoas de modo geral não fazem boas escolhas, né?". Os dois assentiram com a cabeça. Bem, essa história foi só o gancho. Ouço com uma certa freqüência: "Tenho medo de ficar sozinha(o)...". Eu tenho um receio bem mais plausível: o de fazer uma escolha ruim. Claro que, atualmente, as coisas são muito mais simples quando não dá certo. Antigamente, era tudo muito complicado, principalmente para as mulheres. Minhas pobres ancestrais ficavam facilmente estigmatizadas em função de seu status conjugal e comportamento sexual. Outro dia assisti "Uma Rua Chamada Pecado", que é um filme da década de 50. Fiquei com a estranha impressão que as coisas não mudaram tanto assim. Tinha o papel de uma moça que era bem "avançada" para a época, digamos assim. Era a irmã mais velha e solteira da mocinha (a esposa do personagem do Marlon Brando). Ela só se encontrava à noite com os rapazes, para que não percebessem a sua idade. Algumas pessoas (mulheres, principalmente) ainda comportam-se como se tivessem prazo de validade. Outro dia, fui tomar um expresso no Mc Café e peguei uma revista "Nova" para dar uma folheada. Sempre encontro boas idéias de postagem lá - contestando aquele monte de merda, claro. Li uma matéria com o seguinte título: "Tenho 30 anos e estou solteira. O que fazer?" E o pior é as loucas que se prestam a dar depoimento. As que são capa na matéria então, nem se fala. Se eu fosse homem, colocaria cartazes com a cara delas penduradas por todas as casas noturnas com um aviso de "NEURÓTICA - CUIDADO". Sarcasmo à parte, é triste que pessoas cedam a esse tipo de pressão sem a menor crítica. Acabam aceitando menos do que mereceriam por comodismo (covardia?). Permanecem inertes em relacionamentos insatisfatórios e até patológicos. Claro que nada é um mar-de-rosas na vida. Como em outras instâncias, nem sempre um relacionamento está no auge. Todavia, o todo tem que compensar. Sempre. Gosto de fazer um paralelo com a minha profissão. Quando eu era estudante, com freqüência ouvia que ao chegar em "x" ponto da graduação iria "entrar em crise" e querer jogar tudo para o alto. Outra pérola era: "Com o tempo te tornarás fria e não suscetível ao sofrimento alheio." Nada disso aconteceu até hoje. Pelo contrário - minha profissão sempre foi um dos meus alicerces mais fortes. Penso que se um dia escolher (bem empregado o termo) alguém para estar ao meu lado, será algo parecido com a visão que tenho do meu trabalho. A alegria e o bem-estar proporcionados devem superar as adversidades. Num reencontro da minha turma de faculdade ano passado, papeei com a esposa de um colega meu de quem eu sempre gostei muito. Até um certo ponto da faculdade, tinha uma forte desconfiança que ele era um moço "casto", digamos assim. Mas foi só ele ficar com a guria (uns 6 anos mais velha do que ele, na verdade) que gamou e não desgrudou mais. Sugeri a ela que lançasse uma versão do "Kama Sutra" contando os segredos de tê-lo fisgado tão rapidamente. Dei muita risada quando ela disse "Às vezes ele tá mal-humorado em casa e MANDO ele ir jogar futebol com os amigos...Volta feliz e disposto que é uma beleeeza!". Bah, nem precisa explicar mais nada, né? Penso que a insegurança é um problema sério para muitos. No meu antigo perfil no Orkut, escrevi que importante é gostar dos defeitos, por que admirar qualidades é extremamente fácil e agradável. O conceito de "defeitos" é subjetivo, entretanto, vou me arriscar a abordá-los mesmo assim. Um dia me perguntaram se eu optaria pelo o excesso ou a falta de ciúmes. O meio-termo é sempre preferível, mas se não tivesse alternativa, escolheria a ausência dele. Essa característica para mim é de difícil manejo, por que não precisa de substrato para manifestar-se. Um ciumento patológico alimenta sozinho o seu próprio "monstro". Já recebi queixas de falta de ciúmes. Obviamente, partiu de um ciumento...Desnecessariamente desgastante isso. Tenho um certo trauma com gente pão-dura, também. Tive um namorado em 2003 (que com certeza não é leitor do meu blog) que só falava em dinheiro. Uma vez saímos e eu comprei três águas ao longo do passeio, pois era auge do verão. Dá prá acreditar que a criatura tomou metade das três e não se coçou para pagar nenhuma vez??? O meu limite máximo para aturar este ser foi três meses. Fui paciente, até. Ser comedido com os gastos é essencial. Dar o passo conforme a perna, por assim dizer. Mas quando vira mesquinharia, não tem jeito não. É doença mesmo. E pode ter certeza que vai se manifestar das formas mais diversas no funcionamento da pessoa. Sempre fui de dividir a conta - é questão de ser justa (e coerente), porém, um agrado eventual é uma questão de gentileza. Gentilezas que podem (e devem) partir da mulher também. Me desagradam também alguns "ismos": machISMO, fanatISMO, puritanISMO, comodISMO, radicalISMO (este engloba alguns dos anteriores). No final das contas, essencial é ter paz. Compartilhá-la então, melhor ainda. O amor é um dos pilares mais fortes e, paradoxalmente, mais vulneráveis. Pequenos e freqüentes sismos podem fazê-lo desabar, tal qual o efeito de um grande terremoto. Obs: nossa, como eu estou poética hoje...rs.

sábado, 24 de maio de 2008

Jaqueta Não É Motel !!!


Que dia feliz que está sendo hoje (ainda não acabou...). Estou ouvindo "Pro dia nascer feliz", do Barão Vermelho. Entrei com essa música na minha formatura da faculdade. A idéia inicial era entrar ao som de "Beth Balanço", mas ao pensar no conteúdo da letra (O teu futuro é duvidoso, eu vejo grana, eu vejo dor...), desisti. Bem, comecei o dia vencendo a preguiça. Fiz plantão à noite, que foi bem tranqüilo até. Atendi um casal super bacana, casados há quinze anos. Ter papeado com eles foi uma parte divertida do trabalho. Bem, isso é assunto para outra postagem. Retomando, acordei, digo, me atirei da cama, às onze e meia. Tomei o meu velho e bom capuccino e fui almoçar com meus pais. Dando uma de cachorro magro (nem tão magro assim), rumei para a Redenção tão logo terminei de comer. Estava com abstinência de sentar na grama e pegar um solzinho. Adoro a Redenção. Tenho um grande carinho por aquele lugar. É lá que eu recarrego as baterias. Fui sozinha, como com freqüência faço. Dei uma passadinha para comer aquela cocada ma-ra-vi-lho-sa do Maomé com um café expresso. Estava me sentindo extremamente bem de poder tirar o dia todinho para fazer o que quisesse. Outra passada obrigatória é numa barraquinha que vende umas velinhas perfumadas. Queimam até o fim com cheirinho. Gosto da de rosas, especialmente. Coloquei a minha toalha na grama e sentei (e deitei). Adoro ficar observando os transeuntes. É um lugar eclético em termos de gente. Tomei um susto quando abri os olhos e dei de cara com aquele senhor que fala com uma folhinha na boca. Ouvi um "boniiitaaaa" bem agudo e levei um belo "cagaço", em bom gauchês. Dei um sorriso amarelo, um tchauzinho e o sem-noção se foi (ufa!). O "momento Kodak", logo em seguida, foi o flagra que dei em um casalzinho de moscas copulando em cima da minha jaqueta (que linda é a natureza).O mais engraçado foi um pessoal que estava próximo me vendo fotografar a cena, rindo sozinha do meu ato sem propósito. Devem ter pensado que eu era mais uma maluca pertencente à "fauna" do parque. King Kongs à parte (transcendeu o mico), após, fui dar uma passeadinha para ver os "Gatos da Redenção" e fiquei papeando com outros dois "gateiros". Com o "telhado" já fervendo de tanto sol, fui buscar minha amiga e meu afilhado para irmos ao Iguatemi (leia-se Mc Donald's, onde tem o "brinquedão"). Papeamos bastante enquanto o piá se divertia. Somos amigas "deusde" (tigrês) os doze anos. Vê-la é quase como entrar no túnel do tempo, por que ela se veste exatamente da mesma maneira que há dezessete (!) anos. É metaleira desde criancinha e sempre usa roupas pretas. E agora, também é professora. Andar com ela pelos shoppings e parques é como estar com uma celebridade: é "Oi, Sôra!!!" a toda hora. Os alunos são adolescentes e têm uma enorme identificação com ela. Seguido a encontram nas filas dos shows de metal e é aquela festa. Bah, tenho um baita orgulho dessa guria. E ainda é uma excelente mãe. O mais engraçado é que as pessoas às vezes olham prá gente e acham que EU sou a mãe do meu afilhado. Então, por via das dúvidas, hoje vesti a minha camiseta preta dos "Simpsons" - sátira da famosa capa de "Abbey Road" (Beatles) e calcei um dos meus 3 amados pares de All Star (ambas tinha trocado os cadarços brancos por pretos). O guri tá muito lindo e esperto. Me contou, em segredo, que tem uma amiguinha com um "dom" especial. "Ela me hipnotiza", disse ele. A minha amiga me contou que ele é apaixonadinho por ela...Achei tãããããããooooo bonitinho o jeito que ele se expressou. E consegui filmar essa cena memorável. Na hora de ir embora, foi aquela choradeira de sempre. Mas o bom é que ele já entende bem as nossas mentirinhas úteis. "A Dinda tá de plantão e têm um montão de gente doente esperando por ela". Deu uma rançadinha, como de costume, porém, logo se aquietou. Cheguei em casa "de língua-de-fora" após a "tarde dinda". Acabei até desistindo de sair com alguns amigos, entretanto, valeu a pena. Acompanhar o desenvolvimento dele é extremanente gratificante para mim. Daqui a pouco, já estará entrando na faculdade...O tempo voa, afinal. Que bom.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

"Ovários Prá Frente"


Há algum tempo, venho me questionando dos prós e contras de se ter um blog, Orkut e afins. Dei um fim, recentemente, no meu antigo Orkut, com seus quatrocentos e tantos "amigos", por que estava me sentindo exposta. Fui descobrir um pouquinho tarde aquelas várias configurações de privacidade, que nem existiam quando o Orkut foi criado. Como ficaria complicado excluir somente alguns "amigos", resolvi sair. Conheço algumas pessoas que já tiveram sérios problemas com o Orkut, como perfis falsos criados com fotos obtidas no site e até ameaças de morte. Havia uma certa sensação de segurança quando o Orkut foi concebido, por entrar novos membros somente por meio de convite. Realmente falsa essa sensação. Me lembro de que há algum tempo a Polícia Federal estava investigando uma comunidade do Comando Vermelho (!). Aquela turminha que gosta de ligar para os celulares alheios exigindo resgate de falsos seqüestros deve perambular pelo Orkut também. Aliás, em 2006, tentaram aplicar esse golpe no meu pai, que ainda bem já sabia de sua existência e simplesmente ignorou a ameaça. Tive uma sensação incômoda de estar sendo vigiada quando conversei recentemente via msn com uma pessoa e ela usou um termo, entre aspas, exatamente como o havia feito em uma postagem escrita há pouco no meu blog. Com uma ressalva: esse alguém, enquanto esteve próximo, não era exatamente um leitor assíduo dos meus textos. Tenho sido cuidadosa com o conteúdo do meu blog. Andei me expondo um pouco além do que deveria sim. Exagerei no intimismo, por que a idéia não é de fazer um diário, mas sim, de escrever crônicas. Muito tênue esse limite. A idéia de abordar o assunto surgiu hoje, ao ler algumas postagens de 2 blogs que gosto bastante (não vou fazer propaganda, não-eles não precisam!). Pensei bastante também na repercussão dos textos na concepção que os outros têm de mim. Fiquei bastante satisfeita ao ouvir um comentário de uma pessoa que conviveu comigo por 2 anos: "Esse blog é coerente com a imagem que tenho de ti". Ainda bem. Parece que para alguns a idéia de ter um blog, Orkut e afins pode ser a de "vender o próprio peixe". Já fiz isso sim - admito. No momento, no entanto, não vejo isso como um objetivo. Na verdade, pode até provocar o efeito oposto - não é todo mundo que aprecia esse estilo "garota papo reto" (papo firme é da Jovem Guarda). Percebi o impacto que esses textos podem causar ao ler dois textos de outros dois blogs que costumo ler regularmente. Me deu um certo friozinho no estômago ao ler uma postagem, em especial. Pensei, então, a respeito do último texto que escrevi e em como é completamente enviesado o conceito que temos de nós mesmos. Tem uma amiga minha que vai se matar de rir ao lê-lo. Ela sabe que não sou tão racional quanto tento parecer. O meu diferencial é que o sofrimento não me faz psicotizar - entendeu??? Me abalo o bastante para "digerir" a situação. E só. Não é saudável jogar a sujeira para debaixo do tapete. "Ovários prá frente" (equivalente feminino de "Bola prá frente"). Ah! Um ótimo feriado a todos - merecemos, né?

terça-feira, 20 de maio de 2008

Neandertais & Diminutivos


Desde ontem, estava cheia de idéias para escrever, mas com uma certa dificuldade de organizá-las. Algo que ocorreu no meu plantão hoje provavelmente sirva como um bom gancho para as minhas reflexões. E uma musiquinha sempre ajuda também. Ah! Também fiquei empolgada com o comentário de uma amiga, que disse que o meu blog é intimista, porém, com temas familiares (comuns) aos demais. Essa é a idéia mesmo. Bem, vamos ao que interessa, então. Hoje atendi uma adolescente trazida pela mãe à consulta. Motivo: não queria comer e chorava copiosamente há quatro dias. Fator desencadeante: um pé na bunda do namorado. Ela estava bem abatidinha, magrinha e com olheiras. A mãe, preocupada, desejava inicialmente uma avaliação psiquiátrica, por achar que a filha estava deprimida. Expliquei, então, que apresentar "sintomas depressivos" é diferente de "estar deprimida". E que ela estava vivendo um luto. Anormal seria se ela estivesse com um humor incongruente com a situação. Lembrei da minha própria adolescência e início da vida adulta. Tive uma "paixonite aguda" por um professor (não digo de que para preservar sua identidade)quando eu tinha dezoito anos. Se não me engano, ele tinha uns trinta e seis na ocasião. Com a maior cara de lata, declarei a minha paixão por uma carta (tô ficando velha) e mandei flores (um arranjo de cravos brancos) para a casa da criatura. Até fiz amizade com a entregadora da floricultura, para que me contasse a reação dele depois. E ele, de fato, a-do-rou! Devia ter achado, na época, que tinham sido dadas pelo NAMORADO (!). Fui saber bem depois que ele era gay. E o pior que nem de metrossexual tinha jeito. Ainda bem que absolutamente nada aconteceu. Hoje em dia, dou boas risadas dessa história. Na época, nem tanto. Acho que enchi a paciência dos meus pais por conta da tal paixonite. Se eu tivesse a cabeça que tenho agora, as coisas teriam sido diferentes. Confesso que há uns quantos meses tive uma certa recaída (um hetero - ufaaa!), que passou tão rápido quanto começou. Por sinal, por causa do ocorrido, escrevi um dos textos mais bonitos que já fiz nessa minha breve carreira. Cheguei a publicá-lo no blog e o retirei posteriormente - postei no lugar "Imagem" (setembro de 2007). Outras pessoas passaram pela minha vida, desde então. Por "n" motivos, não permaneceram. Algumas por vontade minha e outras nem tanto. A vida é assim (ô clichêzão). Tive uma vontade de olhar para essa menina hoje e dizer: não faz isso contigo!!! Já fiquei triste por dor-de-cotovelo, é claro. Mas tem uma coisa que é diferente agora. Aprendi que não adianta insistir: ou é ou não é. Isso é a parte boa de ter uma certa vivência. Ela traz serenidade. E tudo fica bem mais fácil quando se sabe o que se quer. E o que não se quer, principalmente. Falando nisso, achei o "link" para um outro assunto que queria abordar. Ontem, me surpreendi com meu momento "elefantinha sincera" (olha o plágio!!!). Fui muito indelicada com uma pessoa. Muito mesmo. Dadas as circunstâncias de tamanha insistência, não poderia ter agido diferente. Eu ando com a tolerância bastante baixa para lidar com certos perfis. Resolvi me afastar de quem não serve. Escrevi as postagens "Bolsos e Barcos Furados" e "Desligue O Foda-se" baseados em atitudes alheias que respingaram em mim. Não acredito que os opostos se atraiam. Quero gente (bem pertinente essa palavra) perto de mim com princípios e valores semelhantes aos meus. Isso vale para todo e qualquer tipo de relacionamento interpessoal. Não sou dada a radicalismos. Bem pelo contrário. Justamente por ter a cabeça aberta é que acabei dando abertura a pessoas inadequadas (peguei leve nesse termo). Resolvi ser prudente e me proteger, simplesmente. Busco ser correta em todas as instâncias, pessoais e profissionais. Estou sujeita a erros, como qualquer mortal. O que diferencia é quando estes são deliberados, repetitivos. Resumindo: ter caráter ou não. Incompatibilidade tem limite. Vide itens 4, 6, 7, 9 e 11 da postagem acima.
Ah! E quanto à menina, pedi um exame para verificar se estava anêmica e tranqüilizar a mãe. Obs: o namorado dela terminou o relacionamento via mensagem de celular. Neandertalzinho...

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Dalai Lama


Em um ímpeto consumista, comprei um quadro na Wall Street Posters. Me apaixonei pelos dizeres. Não deu prá resistir. Leiam e vejam o por quê:

Instruções Para A Vida (Beth's Translator Tabajara) - Dalai Lama

1) Considere que um grande amor e grandes conquistas envolvem grandes riscos;

2) Quando você perder, não perca as lições obtidas;

3) Siga os 3 Erres:

Respeito por você mesmo;
Respeito aos outros;
Responsabilidade pelas suas ações.

4) Lembre-se de que não conseguir o que se quer pode ser um maravilhoso lance de sorte;

5) Aprenda as regras; então você saberá como quebrá-las de forma adequada;

6) Não deixe uma pequena disputa ferir uma grande amizade;

7) Quando perceber que cometeu um erro, tome providências imediatas para repará-lo (adendo: e não o repita);

8) Passe algum tempo sozinho todos os dias;

9) Abra seus braços à mudança, mas sem abrir mão dos seu valores;

10) Lembre-se de que o silêncio às vezes é a melhor resposta;

11) Viva uma vida boa e honrosa, pois quando envelhecer e olhar para trás, será capaz de aproveitá-la pela segunda vez;

12) Uma atmosfera de amor no seu lar é a fundação da sua vida;

13) Em discussões com pessoas queridas, lide apenas com a situação atual. Não evoque o passado;

14) Compartilhe seu conhecimento. É uma forma de atingir a imortalidade;

15) Seja gentil com a Terra;

16) Uma vez ao ano, vá a algum lugar que nunca esteve;

17) Lembre-se de que o melhor relacionamento é aquele no qual o amor um pelo outro excede a necessidade de um pelo outro;

18) Julgue seu sucesso por aquilo que terá que abrir mão em prol de obtê-lo;

19) Trate amor e comida com desprendimento.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Bolsos e Barcos Furados


Os butiás continuam caindo dos meus bolsos. Descobri que eles estão furados. Culpa minha, então. Não existe "meio" anão, "meio" gay, "meio" grávida e aí por diante. O mesmo vale para valores pessoais: "meio" honesto, "meio" leal...As coisas/pessoas são como são. É a tal da "essência", que tanto já falei aqui. Preciso mesmo colocar essa percepção em prática. Outro dia, comentava com uma amiga que tomei a decisão de deixar de tentar ajudar algumas pessoas. Não tenho mais a pretensão de mudar ninguém. Ou aceitam-se as limitações, ou abandona-se o barco. Bem, certos seres humanos são como embarcações furadas, pelas quais a água entra insistentemente, a despeito do esforço (vão) de tentar retirá-la. De canequinha, então, nem pensar. Tentar remar até terra firme? Não. É longe e, portanto, arriscado demais. Sou brasileira. E desisto, às vezes. Deveria fazê-lo com maior freqüência. Por pura e simples auto proteção, que seja. Quando somos nosso próprio paradigma, pode ser difícil ver a malícia de certas atitudes. Não. É maldade mesmo. De "malícia", preciso eu. Tá na hora de costurar os bolsos. Sem protelações e antes que os furos aumentem. Como diria aquela falecida cantora (letra do Cazuza): "Quem sabe eu ainda sou uma garotiiiinhaaa(...)". Caindo na real. A-ham.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Sábias Palavras de Charles Chaplin


A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.

Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.

Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?

terça-feira, 13 de maio de 2008

Fé


Há tempos queria escrever uma postagem específica sobre o assunto, mas estava um pouco em dúvida como o abordaria. Minha postura/opinião a respeito de algo bem delicado: religiões, crenças e afins. Tenho uma certa ambigüidade em relação a isso. Percebi ontem, ao assistir novamente ao filme "Ghost". Faltou ver os "extras". Adoro ver os "making-offs" e entrevistas com atores e diretores. Foi um filme que me marcou bastante. Nem sei o por quê direito, porém, foi o suficiente para incluí-lo na minha "DVDteca" (cinemateca?). Outro do qual gosto bastante é "Cidade dos Anjos" - sobre este ainda vou escrever uma postagem específica. Duas produções com temática espírita. Eu, uma atéia, se emocionando com filmes que abordam temas como vida após a morte. Engraçado. Fui criada com liberdade de escolha (graças a ?). Meus pais não me impuseram nenhum tipo de religião/crença. Ficou ao meu critério fazer (sofrer?) primeira comunhão e catequese, apesar de ter estudado a partir dos meus doze anos (aqui em Porto Alegre) em um colégio de freiras. Paradoxalmente, esta escola era bem mais liberal do que a primeira que estudei, no Rio de Janeiro (sim, eu nasci na "Chinelândia"). Esta era comandada (literalmente) por um diretor milico e nazista, que acabou morrendo "sozinho e enfartado", como profetizou a minha mãe. Até cerca de um ano atrás, tinha um certo constrangimento de dizer que sou atéia. Acho que não tinha certeza se era mesmo. Tenho amigos e pessoas pelas quais tenho grande carinho e respeito que são "crentes" (crêem em Jesus)e sempre respeitei seus pontos de vista. Eu vejo Jesus como um personagem histórico, somente. Incrível que, conversando com uma amiga que crê na sua natureza divina, obtive algumas informações muito interessantes. Ela é uma mulher inteligentíssima, que estudou hebraico para ler a versão original da Bíblia. Fiquei impressionada ao saber que está escrito lá: "Adão penetrou Eva". E que, em nenhum momento, o envolvimento dos dois recebeu o cunho de "pecado". Tradução convenientemente distorcida, portanto. Um dia, li uma pesquisa que mencionava que o principal medo das crianças de até cinco anos é...Adivinha? a) Bicho-Papão b) O Véio do Saco c) Monstro do Armário d) Alexandre Nardoni e) Papai-do Céu. Acertou quem escolheu a letra "e". Acredito que ter uma crença pode ser algo muito positivo. Pode realmente trazer conforto. Diversas pesquisas já mostraram que os que crêem, seja lá no que for, lidam melhor com as sua doenças e podem até ter melhor chance de recuperação/cura. Pensei a respeito e cheguei a conclusão que sou uma pessoa de muita fé, apesar de não possuir uma crença ou religião específica. Sou extremamente otimista e acredito em mim. E mesmo já tendo me decepcionado algumas vezes (ninguém se escapa disso), ainda creio que há seres humanos bons. Conversava com uma grande amiga hoje, que sempre me dá ótimas idéias para as minhas postagens. Questionávamos a postura de alguns de colocar a culpa em algo "superior" pelas coisas que lhes acontecem. Principalmente quando são ruins/inconvenientes. É uma forma de funcionamento que soa infantil, por que é uma maneira cômoda de se eximir da responsabilidade. Claro que vários acontecimentos fogem à nossa vontade. Porém, somos diretamente responsáveis por várias de nossas opções: amigos, cônjuges, profissões...Tudo bem. Alguém pode argumentar que existem dificuldades (incluindo financeiras) que podem limitar a gama de alternativas. Lembrei da história de um advogado ex menino de rua. Ok. Talvez seja um exemplo extremo, mas belo mesmo assim. Li outra estatística hoje sobre divórcios. O percentual deles é menor entre casais ateus do que entre os demais, dotados de alguma crença/religião(não fiquei surpresa). Achei um vídeo no Youtube do programa "Sem Fronteiras" (da Globonews-nem sei se existe ainda). Tinha uma entrevista com um biólogo (inglês, se não me engano) chamado Richard Dawkins. Uma frase me chamou bastante a atenção: "É repugnante que algumas pessoas precisem de ameaças, recompensas ou castigos para serem boas". A palavra "repugnante" foi forte, mas ele está coberto de razão. Denota mesmo a grande fraqueza/carência humana. Como havia dito, tenho uma ambigüidade em relação ao tema. Lido constantemente com a morte. E vou tê-la cada vez mais presente, pela área específica da Geriatria que escolhi. Seria bem mais fácil acreditar que existe algo além do que nossos olhos vêem. Já cheguei a desejar uma prova concreta disso. Agora me sinto mais confortável, pois percebi que sei dar valor ao que realmente importa. Tenho espiritualidade, que é independente de qualquer rótulo. E deito com a cabeça bem tranqüila à noite no travesseiro. "A fé – um sexto sentido – transcende o intelecto sem contradizê-lo." - Gandhi

domingo, 11 de maio de 2008

Pacotinho

Cheguei há pouco de um plantãozinho de treze horas. Ontem já tinha feito doze. "Vendendo o corpinho", como diz uma amiga e colega de profissão. E foi um dia ótimo, mesmo trabalhando meio seqüeladinha de duas noites com menos horas de sono que o habitual (sou dorminhoca: 8-10 horas na cama me deixam inteiraça). Ontem, cheguei agitada em casa. Quando estou muito cansada, às vezes demoro um pouco a relaxar. Uma das coisas boas dessa profissão é que aprimorei a minha capacidade de lidar com o cansaço. Se vejo um lindo dia de sol, não consigo dormir o dia todo. Pego meu kit chimarrão, meu MP3 player e vou à Redenção. Nem que seja para desfalecer na grama, como aconteceu outro dia. "Carpe diem". Bom, hoje é dia das Mães e, obviamente, não pude almoçar com a minha. Sem "stress" - lá em casa o pessoal não é muito fanático por datas (ainda bem). Atendi muitas mães (e filhos) hoje. Ouvi algumas vezes a pergunta "A senhora é mãe?". Resposta: "Sim, tenho 3 filhos lindos peludos de quatro patas" - Rubinho, Japinha e Ritinha (meus três gatos, que moram com os "avós"). Minha mãe vive dizendo que o Rubinho ainda vai me processar por abandono de lar. Assuntos felinos à parte, em um dos intervalos, fui tomar um refri e tive a idéia de escrever uma postagem sobre outra lei da física: "dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço". Fiz uma analogia com sentimentos: dois não ocupam o mesmo espaço no coração. Pode parecer piegas, mas é verdade. Foi aí então que tive a idéia de fazer uma coisa que há horas tentava e não conseguia. O que foi, não vem ao caso. Um ato simbólico que representa a conseqüência de algo que aconteceu há poucos dias. Me senti tão bem - a música que ouço agora poderia ter sido a trilha sonora: "Rain Drops Keep Falling On My Head". Lindinha a letra. Transmite uma leveza como a que senti naquele momento. Voltei a trabalhar bem faceirinha. Por vezes, precisamos fazer algumas faxinas nas nossas cabeças. Como os dois sapatos que tirei do armário hoje para doar, por que não são mais adequados para mim. Estava faltando espaço para os meus novos, mais bonitos e confortáveis. Aliás, prezo demais este atributo. Proporcionar conforto não é prioridade apenas para os meus pés. É essencial à minha mente, sobretudo. Podemos escolher os que nos cercam, assim como nossos calçados. Não gosto de me estressar à toa. A presença de alguns seres é semelhante a um 38 apontado para a cabeça. E alguns, ainda mais sórdidos, se divertem brincando de "roleta-russa". Há quem goste. Transtorno de personalidade masoquista, provavelmente. Vem junto com o pacotinho da baixa auto-estima. Compra quem quer. Ah! Feliz dia das "Fabricantes" e aos seus bons "produtos"!

terça-feira, 6 de maio de 2008

Emoções


Confesso: estou escrevendo por culpa, pura e simples. Acho que sou meio temperamental como escritora. Não é todo dia que estou com vontade. Estou com a auto-crítica um pouco alta nesse sentido. Por vezes acho as minhas postagens intimistas demais. Talvez devesse escrever mais seguidamente sobre assuntos mais amenos, como o filme que assisti hoje, por exemplo. "Bee Movie". Adorei. Filme prá criança que nada...Têm várias piadas que o público infantil não compreende. Grande sacada desses caras perceberem que criança não vai sozinha ao cinema. Importante cativar quem os leva também. Teve uma alfinetada a advogados no final sensacional - não conto para não estragar a surpresa de quem assistir. Poderia citar aqui diversos títulos "infantis" que curti mais que criança: "Monstros S. A.", "Procurando Nemo", "Schrek" (da trilogia, prefiro o primeiro), Lillo & Stitch (1 e 2), Os Incríveis, "A Era do Gelo" (1 e 2) e por aí vai. Tive uma certa resistência em ver o primeiro Harry Potter, confesso. Porém, depois, fiquei doida para conferir as seqüências. Outro que fui persuadida a ver na ocasião foi "X-Men". Novamente tive que me render. Se bem que "X-Men" não é exatamente voltado para a gurizada. Tem uma mensagem sobre preconceito maravilhosa nele. A trilogia de "Senhor dos Anéis" não foi exatamente amor à primeira vista. Fui no cinema sozinha, como faço seguidamente, sem olhar a programação. Comprei o ingresso com aquele espírito "não tem tu, vai tu mesmo" (português tosco). Depois de ver o primeiro, decidi assistir aos demais. Nem que fosse só para comentar e também, claro, ampliar minha cultura (ainda restrita) sobre cinema. Aliás, tenho alugado diversos filmes. Têm épocas que não assisto a nada. Aí daqui a pouco vem aquela febre e chego a ver 2 ou 3 no mesmo dia. Nas últimas semanas loquei "O Último Tango Em Paris" (aquele da "cena da manteiga"), "Perdas e Danos" (atuação fantástica da Juliette Binoche), "Cinema Paradiso" (a cena "Vai tomar no c*, Alfredo!" marcou época na primeira versão, segundo meu pai), "Uma Rua Chamada Pecado" (tradução infeliz de "Um Bonde Chamado Desejo"). Vou ter que fazer um comentário especial sobre este. Quis assistir para ver o Marlon Brando. Minha mãe tinha razão. Ele era lindíssimo mesmo (excluindo a voz, que era pavorosa - conseguiram piorá-la em "O Poderoso Chefão" enchendo as bochechas do ex-galã com algodão). Putz. A beleza dele era mesmo desconcertante. Não consigo lembrar de um ator hollywodiano atualmente que se equipare. Rosto quadrado, traços marcantes, uma boca bem desenhada (esculpida). Não era muito alto para os padrões atuais, mas tinha um corpão sim (com destaque para a região glútea - pena que o corte das calças daquela época não realçavam esse atributo). Eu diria: vai ser baixinho assim lá em casa. Se fosse nos dias atuais, mandaria "empalhar" (eu sei que este termo não se aplica a humanos)o Marlon Brando (e o Elvis no início da carreira). Que bobagem! Acho que agora deixei a minha mãe feliz. Ela já demonstrou ciúmes de eu ter citado meu pai aqui no blog. Vou comentar mais uma coisinha, então. Cresci ouvindo música por que a minha mãe mantinha o rádio ligado o dia inteiro em estações "geriátricas", digo, com músicas da época dela (agora a véia me enforca). Veio daí o meu gosto pelas músicas antigas. Bem, acho que pela música em geral. Reza a lenda que tinha uma canção do Roberto Carlos que eu e o meu irmão ouvíamos e chorávamos. Cada vez que começava a tocar, minha mãe corria para mudar a sintonia. Custei a admitir que aprecio algumas músicas dele (um dos critérios de amadurecimento - lembram?). Entrei na minha formatura da Geriatria ao som de "Emoções". Foi escolhida a dedo: tinha que ser uma canção geriátrica mesmo. E que eu tivesse certeza de que daqui a uns trinta anos ainda me emocionasse ao ouvi-la. Obrigada, Senhor# "perdi as contas" por herdar, além da língua afiada, a sensibilidade musical da mami. Obs: não chora, mãe!!!