"Se um homem tiver realmente muita fé, pode dar-se ao luxo de ser cético." - Friedrich Nietzsche
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quinta-feira, 30 de outubro de 2008
"You Are So Beautiful"
Faz quatro dias que eu não tenho um sono reparador (por motivos bons e ruins que se compensaram - ainda bem). Estou "na capa da gaita", mas ainda sim, com muita vontade de escrever. Acabei de olhar nesse instante para minhas mãos e pensar "Nossa! Que unhas mais horríveis!" Eu mesma costumo fazê-las, desde os catorze anos. Funciona como uma terapia realizar uma atividade puramente manual. Relaxa, espairece e ainda fico com as mãos (quase) sempre em ordem. É a minha forma útil de não pensar em nada. Puxa, pensei que ia engatar um papo "mulherzinha", mas não vai ser dessa vez. Acabei de concluir as minhas tarefas da semana do curso de cuidados paliativos, com uma energia não sei tirada de onde. Como disse, estou mais do que cansada. Anteontem, fui a um barzinho na Cidade Baixa com uma grande amiga (aquela que sempre me inspira bons temas a serem abordados aqui) e ontem fui a um aniversário na Zona Sul de uma outra grande amiga. Encho uma mão inteirinha de amigos de fé - sou uma pessoa de sorte. E que (quase sempre) faz boas escolhas. Trabalhei hoje à tarde e quando estava chegando em casa, começou a tocar uma música na rádio (que estou ouvindo agora), pela qual sou apaixonada: "Angels", na versão do Robbie Williams. Entendo bem inglês e ela caiu como uma luva para o meu momento de vida. Pensei em alguns "anjos" que convivo e que aprendo a dar mais e mais valor a cada dia. Bem, mudando de assunto, anteontem surgiu uma idéia de postagem enquanto papeava com um desses "anjos". Falávamos sobre a importância da beleza (externa). Uma boa trilha sonora, então: "You Are So Beautiful", do Joe Cocker (essa derruba até a lagartixa da parede). O tema surgiu quando comentávamos que as pessoas muito bonitas também sofrem preconceitos. Ouvi um dia desses: "Mas toda pessoa muito bonita é burra, afinal, não precisa se esforçar para conseguir o que quer!". Affff! Só poderia ter sido proferida por um ser esteticamente desfavorecido (termo politicamente correto para "feio"). Que absurdo! Pior é que li em janeiro uma matéria da Superinteressante que endossava essa idéia. Que generalização mais estúpida (e qual não é?). Claro que atributos estéticos abrem muitas portas (dizem que existem estudos comprovando essa teoria - não li e nem me interessam). Tem uma frase (do Chaplin, se não me engano), que diz "A beleza é um cartão de visitas que dura muito pouco". Concordo. Dissociada de inteligência, bom-humor e simpatia, não prende meu interesse por mais do que por alguns minutos (me refiro ao "téte a téte" (alguém sabe a origem desse termo?). O contrário também é verdadeiro, mesmo que o conceito do que é estético seja subjetivo e dependente de diversas variáveis (cultura, quantidade de "reboco" - válido para mulheres, travestis, "drags","emos"...Ah! E o nível etílico e de carência, é claro!). Uma das coisas mais engraçadas que já escutei nesse sentido foi "Adoro homem feio!". Acho que ela quis dizer "traços faciais fortes". Cada um com seus parâmetros, né? Lembrei de um dia que fui perguntar a um conhecido a respeito de um rapaz que me passou a primeira impressão de ser "peculiar" ("alternativo" é clichê demais e sem sentido). Ele tinha uma argolinha de prata na orelha (esquerda, veja bem) e usava com alguma freqüência "All Star" e camisetas de cores marcantes (vibrantes dá uma conotação homossexual), inclusive rosa. Claro que o "machão" me disse que achava que esse rapaz "ORIGINAL" era gay! Que preconceito! Eu acho LINDO homens (heteros - questão de preferência, não de preconceito) que usam rosa, por que tem que ter muita personalidade e uma bela estampa para se ficar bem com essa cor. Bah, confesso que achei a verdadeira inspiração desta postagem. Certas pessoas têm uma beleza que desconcerta. Acompanhada de um sorriso aberto, então...é covardia. Afinal, olhar não tira pedaço (ainda bem). Mata a tia, mata (risos).
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You Are So Beatiful
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Rotina

Nunca pensei que um dia essas palavras sairiam da minha boca, mas tenho sentido falta de ter uma rotina. Engraçado que pelo menos os últimos 9 anos da minha vida (sem contar época de colégio e cursinho) consistiram de pura rotina. Nos últimos 3 anos, então, nem se fala - me refiro ao aspecto profissional. Estou numa fase em que estou à espera de algumas definições. Enquanto isso,tenho ocupado predominantemente os fins de semana com plantões. Ainda bem que não faltam idosos nas emergências, para eu matar as saudades de atendê-los. Um dia desses,uma senhora me disse "Vou rezar para conseguires Unimed, minha filha!". Agradeci muito àquela coisa fofa de oitenta e seis anos. Ah! Retomando a história de ter horários, acabei de ligar para o curso de espanhol e descobri que minhas aulas vão de fato iniciar na segunda-feira. Vão ser pela manhã - escolhi esse horário propositadamente, para que o meu dia possa render mais. No final de julho, começo um curso "online" de cuidados paliativos em espanhol - ainda bem que tenho uma amigona fluente nessa língua para me dar uma mãozinha. Entender é tranquilo - o escrever é que é mais complicado.
Mudando do saco para a mala, estou ouvindo nesse instante músicas da Madonna no "site" wwww.kboing.com.br. Aliás, ele é ótimo para quem gosta de ouvir aquelas músicas saídas "do fundo do baú". Estou escutando "Spanish Eyes". Ela me trouxe uma lembrança de ouvi-la quando tinha doze anos - sabia cantar o disco "Like A Prayer" de cabo a rabo. E a dicção dela é excelente - ótima para aprender inglês. A Madonna é uma grande personalidade. Gostando ou não do seu trabalho, deve-se reconhecer que ela é antes de tudo uma empresária que sempre soube como administrar a própria carreira. Quantos astros dos anos 80 sobrevivem até hoje? Claro que a Madonna também teve a sorte de ser uma mulher arrojada (ou marqueteira mesmo - tenho minhas dúvidas) que despontou em uma época em que suas atitudes foram consideradas transgressoras. Um dia desses, vi uma foto dela em uma revista beijando a "Birutney" Spears e a minha única reação foi "Éééééécaaaa, beijar a Britney seria de mau gosto até para uma lésbica!!!". A Britney quer ser a Madonna, mas...Coitada! Ela é realmente uma doente psiquiátrica. Me lembro de uma foto que vi dela, de cabelo raspado e com cara de transtornada - ninguém simularia com tanta perfeição aquele semblante. Parece que ela está melhor agora - tomara que continue tomando certinho suas medicações e se mantenha assim. Trocando de assunto mais uma vez - fuga de idéias pouca é bobagem. Estou com pródromos de gripe desde ontem. Uma dorzinha na garganta e mialgias (dores musculares). E daqui a pouquinho tenho que me arrumar para ir trabalhar - há de ser um plantão tranquilo. Se Deus ajuda quem cedo madruga, eu estou fer-ra-da (risos)...
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domingo, 8 de junho de 2008
Fantásticas

"Queridos, estou partindo em férias e lua de mel com aquele carinha maravilhoso que me agüenta há quase 50 aninhos" (Trecho de um e-mail que acabei de ler). Minha idéia inicial era chegar em casa e me atirar no sofá. Mas depois de lê-lo, me animei a escrever. Essa citação foi só para introduzir uma conversa sobre o assunto que mais ouvi nos últimos dias, devido ao Congresso Brasileiro de Geriatria (acabou ontem). Estavam maravilhosas as palestras sobre cuidados paliativos. Esses congressos sempre acabam sendo também um grande evento social. Pude rever muitas pessoas queridas. Amigos, ex-colegas de residência e algumas amizades feitas ao longo de diversos eventos anteriores. Aliás, tenho um sério problema com nomes. Dessa vez, ainda escreveram os nomes bem pequenininhos no crachá, só para piorar - nada que um sorriso simpático não pudesse resolver. O legal de frequentar esses cursos sobre cuidados ao final da vida, é conhecer as pessoas que os assistem. Costumam ser multidisciplinares: têm fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos... No que fui em São Paulo em março, tinha até um ator que já tinha trabalhado como voluntário na Cruz Vermelha. E os colegas médicos presentes costumam ter um perfil bem diferente. Parece que eu vou puxar a brasa para o meu assado ao explicar melhor, porém, não é esse o intuito. Fiquei especialmente fascinada ao conhecer a psicóloga Ligia Py. Já havia lido alguns capítulos de livros escritos por ela. Fiquei surpresa agora há pouco ao colocar seu nome no "Google" e encontrar 36200 citações. Me impressionei pela sua humildade e simplicidade. A palestra dela, no último dia, às 8h, estava cheia. Ao fim da explanação, entendi por quê. Foi muito emocionante. Sempre gosto de enxergar o rosto de quem fala, mesmo nesse tipo de situação pública. E além de inteligentíssima e articulada, ela é muito expressiva. Consegue de fato tocar o espectador. Não pude me conter (como outros presentes) e peguei o microfone para dizer isso a ela. Todos que fizeram o mesmo (também) embargaram a voz ao comentar o impacto de suas palavras. Gostei bastante também de conhecer dois colegas médicos cariocas. Um deles me deu um abraço "de urso" (não confundir com "amigo urso") ao se despedir e falou que havia gostado muito, mas muito mesmo de me conhecer. Ele foi meu parceiro de palco na peça que encenamos no primeiro dia do curso pré-congresso sobre cuidados paliativos. Eu interpretei a filha do "paciente" e ele era o próprio, sofrendo em meio às discordâncias entre "familiares" e o "médico" sobre o que fazer com o "paciente".Aliás, até me desculpei com a diretora (gerontóloga, com formação em teatro), por que eu não consegui ficar séria durante a encenação. O celular do "médico" (na vida real, inclusive) tocou no meio da peça e falei: "Meu pai aqui morrendo e o senhor falando no celular!!!". Um assunto pesado assim requer uma certa leveza ao ser abordado, né? O outro colega também era muito querido e me deu diversas dicas importantes. "Goxxtei muito de te conhecer!" - ouvi novamente. A recíproca foi verdadeira em ambos os casos. Faz muito bem conhecer gente que nos faz bem e nos acrescenta.
Um capítulo a parte foi assistir a Fernanda Montenegro e a Lya Luft tecendo reflexões sobre o processo de envelhecer ("A Arte e a Vida Depois dos 60 Anos"). Foi divertidíssimo. Da Fernanda, eu já era fã. Da Lya, havia lido um livro (não me lembro o título ao certo) do qual havia gostado. Porém, ao conhecê-la pessoalmente, fiquei encantada e com vontade de conhecer melhor o seu trabalho. Tive uma enorme identificação com as duas. Foi engraçado, por que concordei tanto com o que elas disseram que tive a nítida sensação de que tenho bem mais anos de vida do que os meus reles 29 anos. Talvez seja por conviver muito com idosos. Ou quem sabe, pela grande riqueza de experiências que a medicina por si só proporciona (felizes ou não). Sou meio geriátrica mesmo, no melhor sentido da palavra. Uma geronte moderna, é claro. Nunca mais vou dizer a frase "O/A fulano (a) é um(a) idoso(a) de espírito jovem". Isso é uma grande inverdade e não faz o menor sentido. É um preconceito, na realidade. Mais um que eu não havia me dado conta. Agradeço a essas mulheres/pessoas que me enriqueceram tanto. Fantásticas - é o mínimo que posso dizer.
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