sexta-feira, 6 de junho de 2008

The Last Time I Saw Richard - tradução


Música do CD "Legião Urbana Acústico MTV". Linda letra.


A última vez que vi Richard

A última vez que vi Richard foi em Detroit em 68
e ele me disse que todos os românticos
encontram o mesmo destino
Algum dia, cínico e bêbado e importunando
alguém em algum café escuro
-Você ri, ele disse: - você pensa que é imune,
vá, preste atenção aos seus olhos
Eles estão cheios de mágoa
você gosta de rosas e beijos e homens bonitos
pra lhe dizer todas essas lindas mentiras,
lindas mentiras
quando é que você vai perceber
que elas não passam de lindas mentiras,
só lindas mentiras, lindas mentiras.

Colocou uma moeda
na "jukebox",
e pressionou três teclas e a coisa começou a girar
Então a garçonete veio
com sua meia arrastão e sua gravata borboleta
e disse:"beba logo que já está na hora de fechar"
"Richard, você não mudou realmente" Eu disse
É só que agora você está romantizando
alguma dor que está em sua mente.
Você tem olhos fundos, mas as canções
que você toca, estão sonhando.
Ouça, eles falam de um amor assim tão doce
Quando você voltará aos seus próprios pés?
Oh e o amor pode ser tão doce, tão doce

Richard se casou com uma patinadora artística
e ele comprou pra ela uma máquina de lavar louças
e um coador de café
e agora ele bebe em casa
quase todas as noite com a tevê ligada
e com todas as luzes da casa acesas e a brilhar
Vou soprar essa maldita vela
eu não quero ninguém vindo na minha mesa
Eu não tenho nada a falar com ninguém sobre coisa alguma
Todo bom sonhador passa por isto algum dia
amanhece caído num café escuro
café escuro
Somente na escuridão anterior
eu consegui minhas asas maravilhosas
e voei por aí
É só uma fase, estes dias em cafés escuros

Agradecimentos a David pelas correções desta tradução tosca

terça-feira, 3 de junho de 2008

Psico (pata?) técnico


Acabei de chegar em casa ligada em 220V. Vai ser daqueles dias em que custo um pouco a desacelerar.Vou ir para a minha cama quentinha quando estiver caiiiindo de sono. Agora vou preparar uma xícara de chá de maracujá - peraí! Voltei! Hoje fui submetida a um teste psicotécnico admissional. Fiquei louca para rir de algumas perguntas. Tinham umas que evidentemente eram para detectar problemas mentais bem grosseiros. O teste inicial consistia de uma série de afirmações sobre traços de personalidade, as quais teriam que ser dadas uma classificação de um a sete (um = nada característico e 7 = totalmente característico, passando pelo "indiferente"). Frases esdrúxulas do tipo "Existem pessoas no mundo a quem não fui apresentada" a potencialmente comprometedoras como "Já tive comportamentos sexuais que seriam desaprovados pela sociedade".Fiquei pensando que essa psicóloga já deve ter lido cada coisa...Mais alguns testes de atenção e ela partiu para o clássico "desenhe uma figura humana". Na hora de entregar, tive que perguntar: "Com ou sem chão?". Resposta: "Como quiseres". Aí desenhei um chãozinho para a garotinha não ficar esquizofrenicamente flutuando no ar...
Mais tarde, por volta das 18h, começou o meu plantão. Atendi um rapaz que me disse "Meu problema, doutora, é esse meu péssimo hábito de fumar". Sem eu perguntar nada, ele complementou: "Sei que é coisa de preguiçoso, mas fumo por que todo mundo fuma...". Me recuso a comentar - estou só relatando...
Mudando um pouco de assunto, domingo resgatei da casa dos meus pais umas agendas da minha famigerada aborrescência. Muitas coisas engraçadas encontrei. Até entendi por que minhas amigas gostavam de pegá-las emprestadas para ler em suas casas (banheiros?). Achei uma letra de uma música que os Mamonas Assassinas nem chegaram a gravar (escrevi no dia em que morreram (2 de março de 1996):
"Como todo bom gaúcho / eu levanto de manhã / dou um soco na mamã / um cacete na irmã. / Tomo chimarrão fervendo / pois eu nunca sinto dor./ Dei um tiro no cachorro /por que não gostei da cor./ Com meu berro estremeço / desde a terra até o Sol / Cai a noite, eu vou prá casa / para pôr meu baby-doll."
Bateu um soninho, agora...Vou tomar um banho quentinho e tentar dormir...Boa noite!

domingo, 1 de junho de 2008

Abstinências


Estava em dúvida se iria compartilhar esse momento da minha vida aqui no blog. Não tem jeito, por que acho que vai ser assunto para várias postagens. Fumei meu último cigarro quinta-feira por volta de 18h. Calma, eu não morri. Apenas decidi parar de fumar. Tinha marcado uma data: 3/5/08. Este seria o dia em que faria a prova de título de especialista em geriatria - adiada para o ano que vem por que preciso ter quatro anos completos de formada (tenho 3 e meio - burrocracia, resumindo). Resolvi parar antes. Já vinha diminuindo há algum tempo o número de cigarros por dia e quinta olhei e só tinha um na carteira de Hollywood mentolado. Então pensei: por que não agora? Ainda estou dentro das estatísticas: cerca de quatro tentativas até o sucesso de abandonar este maldito vício. Havia parado de fumar em janeiro em circunstâncias bem adversas. Fiquei um mês sozinha em São Paulo, estagiando na geriatria da USP. Longe da família, dos amigos e do recém promovido a namorado, na ocasião. Caminhei tanto lá em Sampa que cheguei a emagrecer. Resisti e não dei nem uma tragadinha sequer. Me lembro de um dia que estava super quente e passei por um bar e vi um freezer cheio de Bohemia. Não me contive e sentei no boteco para tomar uma cervejinha. Sozinha mesmo. Não tinha long neck, então foi uma grande mesmo. Voltei trocando as perninhas para o hotel... Difícil também foi não sucumbir à tentação de substituir o cigarro por guloseimas. Aliás, mudar meus hábitos alimentares foi uma coisa difícil que consegui nos últimos 2 anos. Fica mais fácil quando a gente pode escolher o que comprar. Só compro guloseimas quando estou com muita vontade de comer. E fico dias sem comer doce - não me faz falta (exceto na TPM). Sou apaixonada por vinho tinto - outra coisa que reduzi bastante em prol da balança. Estou na fase mais crítica, que é a primeira semana. A abstinência é muito desagradável. E olha que provavelmente estou tendo sintomas mais amenos, devido à medicação que tomo para prevenir crises de enxaqueca. Conversei com a terapeuta os prós e contras de se substituir a minha sertralina por bupropriona, este um anti-depressivo com evidências científicas de auxiliar no abandono do tabagismo (atenuando os sintomas de abstinência). Não dá para tomar os dois juntos. Revisei a interação dessas duas substâncias no Cordiolli (tratado sobre psicofármacos). E olha só que legal: existem relatos de orgasmos espontâneos (!) com sua combinação. É verdade! Coisas da química cerebral...Retomando, a bupropiona não previne enxaqueca, então chegamos a conclusão que trocá-la não seria uma boa idéia. Tenho horários de trabalho (e conseqüentemente, de sono) extremamente irregulares, que predispõem a dores-de-cabeça. Nesses primeiros dias, tenho evitado a companhia de fumantes. A grande maioria dos meus amigos fumam. Fiquei feliz de saber que um deles está parando também. Ele faz aulas de canto e fumar estava (também) prejudicando a sua voz. Outro amigo meu também me perguntou ontem por e-mail como eu estava conseguindo. Penso que não tem fórmula, não. Claro que existem medicamentos, como a bupropiona (já citada) e adesivos/chicletes com nicotina. Mas o mais importante mesmo é estar motivado. Eu, como geriatra, nunca vi um fumante chegar em boas condições de saúde à terceira idade. E eu quero ter uma boa qualidade de vida agora e também no futuro. Duas pacientes que conheci no ano passado me fizeram refletir bastante sobre isso. Uma foi uma moça de 30 anos que atendi na noite de Natal em uma emergência aqui de Porto Alegre. Estava com uma infecção decorrente da quimioterapia para um agressivo tumor de pleura (na caso, sem relação com tabagismo), já em estado avançado. Provavelmente, aquele fosse ser o último Natal dela, por isso a oncologista que a acompanhava prescreveu um tratamento que pudesse ser feito em casa. A outra paciente, uma senhora de oitenta e poucos anos, sofria de um outro tipo de câncer, também não relacionado ao tabaco. Ela ficou lúcida até o finalzinho, o que é incomum no perfil de pacientes que costumo assistir. O esposo dela era um senhor muito querido, que parecia ser muito apaixonado pela esposa (correu uma lágrima, agora). Jamais vou esquecer a expressão dele ao vê-la partindo. Bem, o que eu quero dizer com isso é que morrer deve ser fácil - difícil é para quem fica. A morte é um processo natural tanto quanto nascer. Entretanto, pensei naquele momento que jamais gostaria de ter a sensação de ter uma parcela de culpa pela minha morte. Afff! Tá meio pesado o assunto dessa postagem. Desculpem, queridos leitores. Estou meio erradinha hoje. São abstinências demais para o meu gosto...rs. Vou entrar no site www.mundocanibal.com.br para dar umas risadas. E vou comer por que a fome me deixa braba - me faz rançar que nem criança...Argh! Hoje, nem eu tô me aturando...

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Daniela Cicarelli


Comentário da Daniela Cicarelli ao conversar com o Datena sobre o policial pedófilo que suicidou-se: "Isso é falta de Deus no coração". Descaradamente puxando o saco do patrão (a Record pertence agora à Igreja Universal-lembram-se?). E aquele famoso mico de ser flagrada fornicando em local público? Seria falta de COM-POS-TU-RA? Não preciso de "Deus no meu coração" para ter discernimento. Considerei isso uma ofensa a quem não crê em Deus. "E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo. João 12:47".
Acho que a Cicarelli tá precisando ler a Bíblia...rs

Muito Boa Essa...

Assuntos Aleatórios

São 6:14 da matina. Tomara que dê tempo de terminar de escrever esta postagem. Desisti de tentar descansar. O movimento está fraco, pois está frio. Frio mesmo. Fui buscar um café "Vanilla" no quiosque (carinhosamente apelidado de "metástase") e fiquei com pena da moça que estava atendendo. Ela me disse: "Os pés estando quentes, o resto fica quente também...". Concordo. Tenho pé-frio somente no sentido literal. Não consigo dormir sem meia com qualquer friozinho. Coisa de véia. Sou meio geriátrica mesmo...Estou ouvindo agora no kboing "The Winner Takes It All". Letra forte dessa música - nem tinha me dado conta até um amigo meu (geriatra-só podia) me dizer. Bah, que saudade que me deu dele agora...Foi meu colega na residência médica. O legal é que semana que vem (4 a 7 de junho) haverá o Congresso Brasileiro de Geriatria no campus da PUCRS. Vai ser ótimo rever os amigos, conhecer finalmente a Maria Clara (filhinha de 4 meses de um casal de amigos que amo muito)...Tudo isso sem o peso de fazer e esperar o resultado da prova de título. No final das contas, vou conseguir curtir tudo muito mais. Ah! E levar a minha amiga carioca para tomar Polar. Aliás, eu nasci no Rio de Janeiro, prá quem não sabe. Vim para cá com doze anos e toda a minha família é aqui do Sul. E com esse sotaque e com o amor que tenho por esta terra, já sou mesmo mais gaúcha do que qualquer outra coisa...Ops! Hora de trabalhar! Beijos e um ótimo fim-de-semana a todos!

quarta-feira, 28 de maio de 2008

"É Difícil Ser Eu"


"É difícil ser eu." - dizeres na camiseta do Marlon Brando em "O Último Tango Em Paris". Ótima frase. Me identifico com ela até certo ponto, pois tudo na vida tem aspectos positivos e negativos. Retomando o assunto da postagem anterior, voltemos no túnel do tempo a 1998. Tinha dezenove anos e recém tinha entrado na faculdade de veterinária. As cadeiras básicas eram em comum com outros cursos. Logo, fiquei amiga de um estudante de medicina. Não nos desgrudávamos até que me dei conta que aquilo estava indo além de uma simples amizade. Me controlei o quanto pude, sendo apenas atenciosa e legal com o moço. Até que um dia, me virei para ele no meio da aula de "Introdução Ao Método Científico" (cadeira caça-níqueis)e disse: "Bah, sabes que não dormi direito essa noite (era verdade)?". Resposta: "Tava pensando no quê?". Minha declaração velada (olhando nos olhos): "A questão não é "no quê", mas "EM quem"...Diga a verdade e saia correndo. Foi o que eu fiz. Voei para o banheiro vermelha feito tomate. Passei no bar, comprei uma Coca e voltei. E sentei ao lado dele - que sorria, em completo mutismo. No final do período, disse que iria pensar bastante a respeito das minhas palavras. Bem, o desenrolar disso foi um namoro que durou muitos anos. Finalmente, uma recompensa pela minha ousadia, após anos e anos...Foi só o começo. Tempos depois, solteira novamente, voltava de um congresso em Curitiba, quando um rapaz sentado na sala de embarque me chamou a atenção. Entrei no avião e, por uma feliz coincidência, ele sentou-se ao meu lado. Engrenamos aquele papo. Aos quarenta e quatro dos 45 minutos de vôo, pensei: "Será que ele não vai pedir o meu telefone?". Não pensei duas vezes. Tirei um cartão da bolsa e falei: "Sei que não vais querer consultar com uma médica recém-formada, mas em todo o caso...". Dez dias depois, finalmente me ligou e saímos algumas vezes. Namoramos por 2 anos. Veja só - já são dois desfechos favoráveis. Acho que só mais um episódio vale a pena ser mencionado. Durou pouco, mas o início foi legal e rende um comentário. Conheci o rapaz em um bar da Cidade Baixa (lugar de festa estranha, com gente esquisita). Avistei de longe aquele par de óculos. Depois vi o que estava atrás do óculos. Nooossaaa! Ficamos naquela fase "cachorro-cuida-o-frango-girando" até que fui ao banheiro e vi que ele tinha tirado óculos - mas como??? Passei por ele e falei "Acho que deverias pôr teus óculos de volta - ficam bem em ti". O moço imediatamente o colocou e perguntou: "Tu gostas?". Daí...O resto é história. Bah, me lembrei do Carnaval. Estava chorando as pitangas por causa desse rapaz, quando fui intimada por duas amigas a ir à Guarda do Embaú. É aquela velha máxima de se chorar em um fusquinha ou em uma BMW...Ficamos presas na estrada por horas a fio-estávamos cansadésimas depois de tanta indiada (com direito a xixi no mato e picadas de formigas mutantes). Guerreiras, resolvemos sair. Novamente, bati o olho em uma criaturinha e simpatizei, digamos assim. Ficamos nos olhando um tempão, até que eu vi uma "mocréia" se aproximando dele. "Ah, não!!!". Me aproximei com um simpático "Oi! Tudo bom?". Após um longo papo de aquecimento global ao carinho em comum pela Redenção...Passei o Carnaval inteiro com o moço. Muito lindo, ele. Fui acusada pelas amigas de ter fisgado o homem mais bonito presente no recinto..."Mas que xalalá, héin, Beth???". Dei a dica prá amiga ler revistas como Galileu e Superinteressante...Tava lá a reportagem que recém tinha lido sobre "Aquecimento Global". Meio bastante complicadinho o rapaz. Eterno enquanto durou. O legal é que sempre sobram histórias para contar. A idéia desta postagem é bem mais ampla do que parece. É sobre as pequenas ousadias que compensam. Arriscar vale a pena. Tentar - até certo ponto, é claro. Dava risada agora vendo a frase de um amigo no msn: "Se a sorte te virar as costas, passa a mão na bunda dela!". Manter o senso de humor ao lidar com as frustrações é fundamental - foi o que entendi. E se a sorte não esboçar nenhuma reação...Aí é hora de dar as costas a ela também. Isso é bom-senso.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Betinha Cara-de-Latinha


Idéias de postagens que surgem conversando com pessoas interessantes. Resolvi escrever hoje sobre a minha cara-de-pau que me acompanha desde a tenra idade. Meio pejorativa essa definição. Sempre fui pró-ativa na realização dos meus desejos. O tempo me tornou um pouco mais moderada, é claro. A maturidade e as múltiplas cabeçadas nos tornam mais prudentes naturalmente. Mas eu acho que a minha essência não mudou tanto assim, não. Estou me referindo aos rapazes (termo geriátrico), especificamente. Tudo começou por volta dos cinco anos de idade, quando tinha uma paixão recolhida por um primo mais velho (história batida essa, né?). Tenho a nítida lembrança de um dia tê-lo dado um abraço e um beijo. Nas costas. Nada romântico, mas era o que estava ao meu alcance. Aos oito anos, evoluidinha, já sabia escrever. Então, abandonei o método primitivo. Resolvi pendurar cartas de amor no mural da sala de aula endereçadas ao Christian, um menino muito lindinho que estudava na mesma classe, só que no turno da tarde. Olha só a minha inocência de achar que ninguém mais a leria, além da pessoa a quem estava destinada...Devo ter feito muita gente dar risada...O gurizinho esse nunca quis nada comigo. Preferiu a coleguinha que tinha "Mullets" e era cleptomaníaca (roubava estojos). Aos doze anos, comecei uma série de declarações "ao vivo". E uma conseqüente série de "foras", claro. Uns bem educados. Outros, nem tanto. Tinha apostado com uma amiga (a Patty taí de prova) que iria gritar "Eu te amooooo!!!" na janela do coleguinha pelo qual eu estava gamada. Loirinho de olhos azuis e com olheiras. Graças a ele acho atraente esta característica até hoje (prefiro os morenos, hoje em dia). Resumo da ópera: tomei coragem, respirei fundo e com toda a força dos meus pulmões, cumpri o trato. Quem apareceu na janela? O irmão mais novo...No extremo do constrangimento, perguntei: "O Gustavo tá em casa?". Não, não estava. Paguei mico por nada, enfim. "Ovários (inoperantes) prá frente", eu diria. Cerca de um ano depois, lá estava eu apaixonada pelo "Salsicha" (magrinho e alto como o personagem do desenho). Novamente loirinho e de olhos azuis. Dessa vez, fui mais prudente: pedi para uma amiga avisá-lo que queria conversar no recreio. Esse menino foi tão querido comigo...Melhor se não tivesse sido! Com catorze anos, durante um casamento na casa de uma amiga mais velha, chamei a nonagésima paixão da minha vida com o mesmo propósito: dizer o que sentia. Detalhe: ele era um bom tanto mais baixo do que eu, então a noiva me emprestou um chinelo (sim, um chinelo)para o momento fatídico. Seis anos mais velho do que eu, disse que eu era muito novinha para ele e blá, blá, blá...Ok. Sou brasileira e não desisto nunca. Aos quinze, caí de amores por um colega que tocava violão. Horroroso ele, mas até que tinha algum talento (meu fraco por músicos vem de longa data). Éramos amigos até o dia em que me virei para trás e disparei: "Sabias que eu sou afim de ti?". Resposta (esdrúxula): "Tá. E daí?".
Essa frase rende piadas até hoje. Volta e meia a Patty (minha amiga desde os doze anos) a profere em resposta a algum questionamento meu...Depois dessa, me aquietei até os dezoito, quando me apaixonei pelo professor baitola (já contei aqui). Acho que é assunto demais para uma só postagem. A próxima será sobre fatos mais recentes, com o cuidado de preservar a identidades das criaturas. E terá desfechos mais felizes. Tudo tem o seu lado bom. Ainda bem, né???

Pode Sorrir Na Foto???


Hoje fui tirar uma foto para um crachá. Fotos 3X4 saem quase sempre estranhas (no mínimo). Normalmente, tem que se fazer uma cara séria. Então, a primeira coisa que perguntei para a moça foi: "Pode sorrir na foto?". Fiquei tão feliz ao ouvir que sim que a foto saiu legal de primeira. Dei aquela rebocadinha básica, é claro. Corretivo, rímel, blush e gloss. Ia fazer a foto ontem, porém, a minha cara inchada de pós plantão me desestimulou. Nada que umas boas horinhas de sono não resolvessem - funilaria natural.
Outra coisa que me trouxe muita felicidade hoje foi uma compra que fiz. "Namorava" há quase dois anos um quadro do Romero Britto (The Hug - o da foto). Como detesto comprar parcelado, esperei para adquiri-lo à vista. Procurei durante todo esse tempo um outro que pudesse ficar bem na minha sala. Não achei. Tinha pensado em um do Salvador Dali, mas não achei do tamanho que queria.
Vai ficar lindo. Deixar meu lar ainda mais aconchegante. Valeu a pena esperar.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Camisa de Futebol


Enquanto passeava na Redenção anteontem, passou por mim um casal. Ele usava uma camisa do Grêmio. Olhei de novo e...ops! Me deu um tchauzinho simpático e eu acenei de volta. Conheci esse moço ano passado, durante a festa dos 100 dias de formatura das minhas "sobrinhas", agora médicas também (meus orgulhos). Sempre achei lindo homens de camisa de futebol. Do Grêmio, então, é quase covardia. Usava um óculos modelo Ray-Ban, que é outra coisa que confere estilo. Depois que eles passaram por mim, dava risada sozinha. Me lembrei que o referido rapaz mentiu a idade quando me conheceu. Disse que tinha 28 quando, na verdade, tinha "dois patinhos na lagoa". Pior é que o guri era tão bom papo e tão inteligente que me enganou di-rei-ti-nho! Besteira, isso. Poderia ter dito a verdade. Também revi um preconceito que tinha graças a ele. Achava, até então, que todo o marombeiro era retardado (ou quase). Bem, na verdade ele não é exatamente um marombeiro, apenas "sarado" (que termo adolescentesco). Nunca mais nos falamos, mas fiquei feliz em vê-lo novamente. Tê-lo conhecido causou a quebra de alguns paradigmas - e isso sempre é válido.

Sorte do Dia


"Agora é a hora de tentar inovar".

Não sou supersticiosa, mas...
Hummmm...
Será mesmo?
Aguarde e confie, como diria o Didi!

domingo, 25 de maio de 2008

Mar-de-Rosas


A idéia para abordar este tema surgiu daquele casal que atendi no meu último plantão, mencionado na postagem anterior. A mulher era a paciente, na verdade. Eles já me causaram uma boa impressão ao entrar na sala. Deram um "Boa Noite, dra! A coisa tá complicada hoje, né?" Muito sorridente, me passou a impressão de que nem precisava consultar. "Tava com uma ardência para fazer xixi desde ontem. Aí fiz sexo com o meu marido e a coisa desandou!". Nesse momento, os dois se olharam com um ar cúmplice (safadinho?). Foi muito engraçado. Foi aí que eu não resisti e perguntei: "Vocês são casados há quanto tempo?". "Há quinze anos!". Não me segurei e proferi a minha clássica pergunta (ainda escreverei um livro com as respostas): "Qual é o segredo?". Ela disse: "Nos damos bem por que somos muito amigos, antes de tudo." O maridão completou: "Casamento não é prisão, não. A gente respeita as nossas individualidades". Comentei, então: "Puxa, que legal! Isso é tão incomum atualmente! Mas vocês hão de convir que as pessoas de modo geral não fazem boas escolhas, né?". Os dois assentiram com a cabeça. Bem, essa história foi só o gancho. Ouço com uma certa freqüência: "Tenho medo de ficar sozinha(o)...". Eu tenho um receio bem mais plausível: o de fazer uma escolha ruim. Claro que, atualmente, as coisas são muito mais simples quando não dá certo. Antigamente, era tudo muito complicado, principalmente para as mulheres. Minhas pobres ancestrais ficavam facilmente estigmatizadas em função de seu status conjugal e comportamento sexual. Outro dia assisti "Uma Rua Chamada Pecado", que é um filme da década de 50. Fiquei com a estranha impressão que as coisas não mudaram tanto assim. Tinha o papel de uma moça que era bem "avançada" para a época, digamos assim. Era a irmã mais velha e solteira da mocinha (a esposa do personagem do Marlon Brando). Ela só se encontrava à noite com os rapazes, para que não percebessem a sua idade. Algumas pessoas (mulheres, principalmente) ainda comportam-se como se tivessem prazo de validade. Outro dia, fui tomar um expresso no Mc Café e peguei uma revista "Nova" para dar uma folheada. Sempre encontro boas idéias de postagem lá - contestando aquele monte de merda, claro. Li uma matéria com o seguinte título: "Tenho 30 anos e estou solteira. O que fazer?" E o pior é as loucas que se prestam a dar depoimento. As que são capa na matéria então, nem se fala. Se eu fosse homem, colocaria cartazes com a cara delas penduradas por todas as casas noturnas com um aviso de "NEURÓTICA - CUIDADO". Sarcasmo à parte, é triste que pessoas cedam a esse tipo de pressão sem a menor crítica. Acabam aceitando menos do que mereceriam por comodismo (covardia?). Permanecem inertes em relacionamentos insatisfatórios e até patológicos. Claro que nada é um mar-de-rosas na vida. Como em outras instâncias, nem sempre um relacionamento está no auge. Todavia, o todo tem que compensar. Sempre. Gosto de fazer um paralelo com a minha profissão. Quando eu era estudante, com freqüência ouvia que ao chegar em "x" ponto da graduação iria "entrar em crise" e querer jogar tudo para o alto. Outra pérola era: "Com o tempo te tornarás fria e não suscetível ao sofrimento alheio." Nada disso aconteceu até hoje. Pelo contrário - minha profissão sempre foi um dos meus alicerces mais fortes. Penso que se um dia escolher (bem empregado o termo) alguém para estar ao meu lado, será algo parecido com a visão que tenho do meu trabalho. A alegria e o bem-estar proporcionados devem superar as adversidades. Num reencontro da minha turma de faculdade ano passado, papeei com a esposa de um colega meu de quem eu sempre gostei muito. Até um certo ponto da faculdade, tinha uma forte desconfiança que ele era um moço "casto", digamos assim. Mas foi só ele ficar com a guria (uns 6 anos mais velha do que ele, na verdade) que gamou e não desgrudou mais. Sugeri a ela que lançasse uma versão do "Kama Sutra" contando os segredos de tê-lo fisgado tão rapidamente. Dei muita risada quando ela disse "Às vezes ele tá mal-humorado em casa e MANDO ele ir jogar futebol com os amigos...Volta feliz e disposto que é uma beleeeza!". Bah, nem precisa explicar mais nada, né? Penso que a insegurança é um problema sério para muitos. No meu antigo perfil no Orkut, escrevi que importante é gostar dos defeitos, por que admirar qualidades é extremamente fácil e agradável. O conceito de "defeitos" é subjetivo, entretanto, vou me arriscar a abordá-los mesmo assim. Um dia me perguntaram se eu optaria pelo o excesso ou a falta de ciúmes. O meio-termo é sempre preferível, mas se não tivesse alternativa, escolheria a ausência dele. Essa característica para mim é de difícil manejo, por que não precisa de substrato para manifestar-se. Um ciumento patológico alimenta sozinho o seu próprio "monstro". Já recebi queixas de falta de ciúmes. Obviamente, partiu de um ciumento...Desnecessariamente desgastante isso. Tenho um certo trauma com gente pão-dura, também. Tive um namorado em 2003 (que com certeza não é leitor do meu blog) que só falava em dinheiro. Uma vez saímos e eu comprei três águas ao longo do passeio, pois era auge do verão. Dá prá acreditar que a criatura tomou metade das três e não se coçou para pagar nenhuma vez??? O meu limite máximo para aturar este ser foi três meses. Fui paciente, até. Ser comedido com os gastos é essencial. Dar o passo conforme a perna, por assim dizer. Mas quando vira mesquinharia, não tem jeito não. É doença mesmo. E pode ter certeza que vai se manifestar das formas mais diversas no funcionamento da pessoa. Sempre fui de dividir a conta - é questão de ser justa (e coerente), porém, um agrado eventual é uma questão de gentileza. Gentilezas que podem (e devem) partir da mulher também. Me desagradam também alguns "ismos": machISMO, fanatISMO, puritanISMO, comodISMO, radicalISMO (este engloba alguns dos anteriores). No final das contas, essencial é ter paz. Compartilhá-la então, melhor ainda. O amor é um dos pilares mais fortes e, paradoxalmente, mais vulneráveis. Pequenos e freqüentes sismos podem fazê-lo desabar, tal qual o efeito de um grande terremoto. Obs: nossa, como eu estou poética hoje...rs.

sábado, 24 de maio de 2008

Jaqueta Não É Motel !!!


Que dia feliz que está sendo hoje (ainda não acabou...). Estou ouvindo "Pro dia nascer feliz", do Barão Vermelho. Entrei com essa música na minha formatura da faculdade. A idéia inicial era entrar ao som de "Beth Balanço", mas ao pensar no conteúdo da letra (O teu futuro é duvidoso, eu vejo grana, eu vejo dor...), desisti. Bem, comecei o dia vencendo a preguiça. Fiz plantão à noite, que foi bem tranqüilo até. Atendi um casal super bacana, casados há quinze anos. Ter papeado com eles foi uma parte divertida do trabalho. Bem, isso é assunto para outra postagem. Retomando, acordei, digo, me atirei da cama, às onze e meia. Tomei o meu velho e bom capuccino e fui almoçar com meus pais. Dando uma de cachorro magro (nem tão magro assim), rumei para a Redenção tão logo terminei de comer. Estava com abstinência de sentar na grama e pegar um solzinho. Adoro a Redenção. Tenho um grande carinho por aquele lugar. É lá que eu recarrego as baterias. Fui sozinha, como com freqüência faço. Dei uma passadinha para comer aquela cocada ma-ra-vi-lho-sa do Maomé com um café expresso. Estava me sentindo extremamente bem de poder tirar o dia todinho para fazer o que quisesse. Outra passada obrigatória é numa barraquinha que vende umas velinhas perfumadas. Queimam até o fim com cheirinho. Gosto da de rosas, especialmente. Coloquei a minha toalha na grama e sentei (e deitei). Adoro ficar observando os transeuntes. É um lugar eclético em termos de gente. Tomei um susto quando abri os olhos e dei de cara com aquele senhor que fala com uma folhinha na boca. Ouvi um "boniiitaaaa" bem agudo e levei um belo "cagaço", em bom gauchês. Dei um sorriso amarelo, um tchauzinho e o sem-noção se foi (ufa!). O "momento Kodak", logo em seguida, foi o flagra que dei em um casalzinho de moscas copulando em cima da minha jaqueta (que linda é a natureza).O mais engraçado foi um pessoal que estava próximo me vendo fotografar a cena, rindo sozinha do meu ato sem propósito. Devem ter pensado que eu era mais uma maluca pertencente à "fauna" do parque. King Kongs à parte (transcendeu o mico), após, fui dar uma passeadinha para ver os "Gatos da Redenção" e fiquei papeando com outros dois "gateiros". Com o "telhado" já fervendo de tanto sol, fui buscar minha amiga e meu afilhado para irmos ao Iguatemi (leia-se Mc Donald's, onde tem o "brinquedão"). Papeamos bastante enquanto o piá se divertia. Somos amigas "deusde" (tigrês) os doze anos. Vê-la é quase como entrar no túnel do tempo, por que ela se veste exatamente da mesma maneira que há dezessete (!) anos. É metaleira desde criancinha e sempre usa roupas pretas. E agora, também é professora. Andar com ela pelos shoppings e parques é como estar com uma celebridade: é "Oi, Sôra!!!" a toda hora. Os alunos são adolescentes e têm uma enorme identificação com ela. Seguido a encontram nas filas dos shows de metal e é aquela festa. Bah, tenho um baita orgulho dessa guria. E ainda é uma excelente mãe. O mais engraçado é que as pessoas às vezes olham prá gente e acham que EU sou a mãe do meu afilhado. Então, por via das dúvidas, hoje vesti a minha camiseta preta dos "Simpsons" - sátira da famosa capa de "Abbey Road" (Beatles) e calcei um dos meus 3 amados pares de All Star (ambas tinha trocado os cadarços brancos por pretos). O guri tá muito lindo e esperto. Me contou, em segredo, que tem uma amiguinha com um "dom" especial. "Ela me hipnotiza", disse ele. A minha amiga me contou que ele é apaixonadinho por ela...Achei tãããããããooooo bonitinho o jeito que ele se expressou. E consegui filmar essa cena memorável. Na hora de ir embora, foi aquela choradeira de sempre. Mas o bom é que ele já entende bem as nossas mentirinhas úteis. "A Dinda tá de plantão e têm um montão de gente doente esperando por ela". Deu uma rançadinha, como de costume, porém, logo se aquietou. Cheguei em casa "de língua-de-fora" após a "tarde dinda". Acabei até desistindo de sair com alguns amigos, entretanto, valeu a pena. Acompanhar o desenvolvimento dele é extremanente gratificante para mim. Daqui a pouco, já estará entrando na faculdade...O tempo voa, afinal. Que bom.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

"Ovários Prá Frente"


Há algum tempo, venho me questionando dos prós e contras de se ter um blog, Orkut e afins. Dei um fim, recentemente, no meu antigo Orkut, com seus quatrocentos e tantos "amigos", por que estava me sentindo exposta. Fui descobrir um pouquinho tarde aquelas várias configurações de privacidade, que nem existiam quando o Orkut foi criado. Como ficaria complicado excluir somente alguns "amigos", resolvi sair. Conheço algumas pessoas que já tiveram sérios problemas com o Orkut, como perfis falsos criados com fotos obtidas no site e até ameaças de morte. Havia uma certa sensação de segurança quando o Orkut foi concebido, por entrar novos membros somente por meio de convite. Realmente falsa essa sensação. Me lembro de que há algum tempo a Polícia Federal estava investigando uma comunidade do Comando Vermelho (!). Aquela turminha que gosta de ligar para os celulares alheios exigindo resgate de falsos seqüestros deve perambular pelo Orkut também. Aliás, em 2006, tentaram aplicar esse golpe no meu pai, que ainda bem já sabia de sua existência e simplesmente ignorou a ameaça. Tive uma sensação incômoda de estar sendo vigiada quando conversei recentemente via msn com uma pessoa e ela usou um termo, entre aspas, exatamente como o havia feito em uma postagem escrita há pouco no meu blog. Com uma ressalva: esse alguém, enquanto esteve próximo, não era exatamente um leitor assíduo dos meus textos. Tenho sido cuidadosa com o conteúdo do meu blog. Andei me expondo um pouco além do que deveria sim. Exagerei no intimismo, por que a idéia não é de fazer um diário, mas sim, de escrever crônicas. Muito tênue esse limite. A idéia de abordar o assunto surgiu hoje, ao ler algumas postagens de 2 blogs que gosto bastante (não vou fazer propaganda, não-eles não precisam!). Pensei bastante também na repercussão dos textos na concepção que os outros têm de mim. Fiquei bastante satisfeita ao ouvir um comentário de uma pessoa que conviveu comigo por 2 anos: "Esse blog é coerente com a imagem que tenho de ti". Ainda bem. Parece que para alguns a idéia de ter um blog, Orkut e afins pode ser a de "vender o próprio peixe". Já fiz isso sim - admito. No momento, no entanto, não vejo isso como um objetivo. Na verdade, pode até provocar o efeito oposto - não é todo mundo que aprecia esse estilo "garota papo reto" (papo firme é da Jovem Guarda). Percebi o impacto que esses textos podem causar ao ler dois textos de outros dois blogs que costumo ler regularmente. Me deu um certo friozinho no estômago ao ler uma postagem, em especial. Pensei, então, a respeito do último texto que escrevi e em como é completamente enviesado o conceito que temos de nós mesmos. Tem uma amiga minha que vai se matar de rir ao lê-lo. Ela sabe que não sou tão racional quanto tento parecer. O meu diferencial é que o sofrimento não me faz psicotizar - entendeu??? Me abalo o bastante para "digerir" a situação. E só. Não é saudável jogar a sujeira para debaixo do tapete. "Ovários prá frente" (equivalente feminino de "Bola prá frente"). Ah! Um ótimo feriado a todos - merecemos, né?

terça-feira, 20 de maio de 2008

Neandertais & Diminutivos


Desde ontem, estava cheia de idéias para escrever, mas com uma certa dificuldade de organizá-las. Algo que ocorreu no meu plantão hoje provavelmente sirva como um bom gancho para as minhas reflexões. E uma musiquinha sempre ajuda também. Ah! Também fiquei empolgada com o comentário de uma amiga, que disse que o meu blog é intimista, porém, com temas familiares (comuns) aos demais. Essa é a idéia mesmo. Bem, vamos ao que interessa, então. Hoje atendi uma adolescente trazida pela mãe à consulta. Motivo: não queria comer e chorava copiosamente há quatro dias. Fator desencadeante: um pé na bunda do namorado. Ela estava bem abatidinha, magrinha e com olheiras. A mãe, preocupada, desejava inicialmente uma avaliação psiquiátrica, por achar que a filha estava deprimida. Expliquei, então, que apresentar "sintomas depressivos" é diferente de "estar deprimida". E que ela estava vivendo um luto. Anormal seria se ela estivesse com um humor incongruente com a situação. Lembrei da minha própria adolescência e início da vida adulta. Tive uma "paixonite aguda" por um professor (não digo de que para preservar sua identidade)quando eu tinha dezoito anos. Se não me engano, ele tinha uns trinta e seis na ocasião. Com a maior cara de lata, declarei a minha paixão por uma carta (tô ficando velha) e mandei flores (um arranjo de cravos brancos) para a casa da criatura. Até fiz amizade com a entregadora da floricultura, para que me contasse a reação dele depois. E ele, de fato, a-do-rou! Devia ter achado, na época, que tinham sido dadas pelo NAMORADO (!). Fui saber bem depois que ele era gay. E o pior que nem de metrossexual tinha jeito. Ainda bem que absolutamente nada aconteceu. Hoje em dia, dou boas risadas dessa história. Na época, nem tanto. Acho que enchi a paciência dos meus pais por conta da tal paixonite. Se eu tivesse a cabeça que tenho agora, as coisas teriam sido diferentes. Confesso que há uns quantos meses tive uma certa recaída (um hetero - ufaaa!), que passou tão rápido quanto começou. Por sinal, por causa do ocorrido, escrevi um dos textos mais bonitos que já fiz nessa minha breve carreira. Cheguei a publicá-lo no blog e o retirei posteriormente - postei no lugar "Imagem" (setembro de 2007). Outras pessoas passaram pela minha vida, desde então. Por "n" motivos, não permaneceram. Algumas por vontade minha e outras nem tanto. A vida é assim (ô clichêzão). Tive uma vontade de olhar para essa menina hoje e dizer: não faz isso contigo!!! Já fiquei triste por dor-de-cotovelo, é claro. Mas tem uma coisa que é diferente agora. Aprendi que não adianta insistir: ou é ou não é. Isso é a parte boa de ter uma certa vivência. Ela traz serenidade. E tudo fica bem mais fácil quando se sabe o que se quer. E o que não se quer, principalmente. Falando nisso, achei o "link" para um outro assunto que queria abordar. Ontem, me surpreendi com meu momento "elefantinha sincera" (olha o plágio!!!). Fui muito indelicada com uma pessoa. Muito mesmo. Dadas as circunstâncias de tamanha insistência, não poderia ter agido diferente. Eu ando com a tolerância bastante baixa para lidar com certos perfis. Resolvi me afastar de quem não serve. Escrevi as postagens "Bolsos e Barcos Furados" e "Desligue O Foda-se" baseados em atitudes alheias que respingaram em mim. Não acredito que os opostos se atraiam. Quero gente (bem pertinente essa palavra) perto de mim com princípios e valores semelhantes aos meus. Isso vale para todo e qualquer tipo de relacionamento interpessoal. Não sou dada a radicalismos. Bem pelo contrário. Justamente por ter a cabeça aberta é que acabei dando abertura a pessoas inadequadas (peguei leve nesse termo). Resolvi ser prudente e me proteger, simplesmente. Busco ser correta em todas as instâncias, pessoais e profissionais. Estou sujeita a erros, como qualquer mortal. O que diferencia é quando estes são deliberados, repetitivos. Resumindo: ter caráter ou não. Incompatibilidade tem limite. Vide itens 4, 6, 7, 9 e 11 da postagem acima.
Ah! E quanto à menina, pedi um exame para verificar se estava anêmica e tranqüilizar a mãe. Obs: o namorado dela terminou o relacionamento via mensagem de celular. Neandertalzinho...

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Dalai Lama


Em um ímpeto consumista, comprei um quadro na Wall Street Posters. Me apaixonei pelos dizeres. Não deu prá resistir. Leiam e vejam o por quê:

Instruções Para A Vida (Beth's Translator Tabajara) - Dalai Lama

1) Considere que um grande amor e grandes conquistas envolvem grandes riscos;

2) Quando você perder, não perca as lições obtidas;

3) Siga os 3 Erres:

Respeito por você mesmo;
Respeito aos outros;
Responsabilidade pelas suas ações.

4) Lembre-se de que não conseguir o que se quer pode ser um maravilhoso lance de sorte;

5) Aprenda as regras; então você saberá como quebrá-las de forma adequada;

6) Não deixe uma pequena disputa ferir uma grande amizade;

7) Quando perceber que cometeu um erro, tome providências imediatas para repará-lo (adendo: e não o repita);

8) Passe algum tempo sozinho todos os dias;

9) Abra seus braços à mudança, mas sem abrir mão dos seu valores;

10) Lembre-se de que o silêncio às vezes é a melhor resposta;

11) Viva uma vida boa e honrosa, pois quando envelhecer e olhar para trás, será capaz de aproveitá-la pela segunda vez;

12) Uma atmosfera de amor no seu lar é a fundação da sua vida;

13) Em discussões com pessoas queridas, lide apenas com a situação atual. Não evoque o passado;

14) Compartilhe seu conhecimento. É uma forma de atingir a imortalidade;

15) Seja gentil com a Terra;

16) Uma vez ao ano, vá a algum lugar que nunca esteve;

17) Lembre-se de que o melhor relacionamento é aquele no qual o amor um pelo outro excede a necessidade de um pelo outro;

18) Julgue seu sucesso por aquilo que terá que abrir mão em prol de obtê-lo;

19) Trate amor e comida com desprendimento.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Bolsos e Barcos Furados


Os butiás continuam caindo dos meus bolsos. Descobri que eles estão furados. Culpa minha, então. Não existe "meio" anão, "meio" gay, "meio" grávida e aí por diante. O mesmo vale para valores pessoais: "meio" honesto, "meio" leal...As coisas/pessoas são como são. É a tal da "essência", que tanto já falei aqui. Preciso mesmo colocar essa percepção em prática. Outro dia, comentava com uma amiga que tomei a decisão de deixar de tentar ajudar algumas pessoas. Não tenho mais a pretensão de mudar ninguém. Ou aceitam-se as limitações, ou abandona-se o barco. Bem, certos seres humanos são como embarcações furadas, pelas quais a água entra insistentemente, a despeito do esforço (vão) de tentar retirá-la. De canequinha, então, nem pensar. Tentar remar até terra firme? Não. É longe e, portanto, arriscado demais. Sou brasileira. E desisto, às vezes. Deveria fazê-lo com maior freqüência. Por pura e simples auto proteção, que seja. Quando somos nosso próprio paradigma, pode ser difícil ver a malícia de certas atitudes. Não. É maldade mesmo. De "malícia", preciso eu. Tá na hora de costurar os bolsos. Sem protelações e antes que os furos aumentem. Como diria aquela falecida cantora (letra do Cazuza): "Quem sabe eu ainda sou uma garotiiiinhaaa(...)". Caindo na real. A-ham.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Sábias Palavras de Charles Chaplin


A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.

Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.

Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?

terça-feira, 13 de maio de 2008

Fé


Há tempos queria escrever uma postagem específica sobre o assunto, mas estava um pouco em dúvida como o abordaria. Minha postura/opinião a respeito de algo bem delicado: religiões, crenças e afins. Tenho uma certa ambigüidade em relação a isso. Percebi ontem, ao assistir novamente ao filme "Ghost". Faltou ver os "extras". Adoro ver os "making-offs" e entrevistas com atores e diretores. Foi um filme que me marcou bastante. Nem sei o por quê direito, porém, foi o suficiente para incluí-lo na minha "DVDteca" (cinemateca?). Outro do qual gosto bastante é "Cidade dos Anjos" - sobre este ainda vou escrever uma postagem específica. Duas produções com temática espírita. Eu, uma atéia, se emocionando com filmes que abordam temas como vida após a morte. Engraçado. Fui criada com liberdade de escolha (graças a ?). Meus pais não me impuseram nenhum tipo de religião/crença. Ficou ao meu critério fazer (sofrer?) primeira comunhão e catequese, apesar de ter estudado a partir dos meus doze anos (aqui em Porto Alegre) em um colégio de freiras. Paradoxalmente, esta escola era bem mais liberal do que a primeira que estudei, no Rio de Janeiro (sim, eu nasci na "Chinelândia"). Esta era comandada (literalmente) por um diretor milico e nazista, que acabou morrendo "sozinho e enfartado", como profetizou a minha mãe. Até cerca de um ano atrás, tinha um certo constrangimento de dizer que sou atéia. Acho que não tinha certeza se era mesmo. Tenho amigos e pessoas pelas quais tenho grande carinho e respeito que são "crentes" (crêem em Jesus)e sempre respeitei seus pontos de vista. Eu vejo Jesus como um personagem histórico, somente. Incrível que, conversando com uma amiga que crê na sua natureza divina, obtive algumas informações muito interessantes. Ela é uma mulher inteligentíssima, que estudou hebraico para ler a versão original da Bíblia. Fiquei impressionada ao saber que está escrito lá: "Adão penetrou Eva". E que, em nenhum momento, o envolvimento dos dois recebeu o cunho de "pecado". Tradução convenientemente distorcida, portanto. Um dia, li uma pesquisa que mencionava que o principal medo das crianças de até cinco anos é...Adivinha? a) Bicho-Papão b) O Véio do Saco c) Monstro do Armário d) Alexandre Nardoni e) Papai-do Céu. Acertou quem escolheu a letra "e". Acredito que ter uma crença pode ser algo muito positivo. Pode realmente trazer conforto. Diversas pesquisas já mostraram que os que crêem, seja lá no que for, lidam melhor com as sua doenças e podem até ter melhor chance de recuperação/cura. Pensei a respeito e cheguei a conclusão que sou uma pessoa de muita fé, apesar de não possuir uma crença ou religião específica. Sou extremamente otimista e acredito em mim. E mesmo já tendo me decepcionado algumas vezes (ninguém se escapa disso), ainda creio que há seres humanos bons. Conversava com uma grande amiga hoje, que sempre me dá ótimas idéias para as minhas postagens. Questionávamos a postura de alguns de colocar a culpa em algo "superior" pelas coisas que lhes acontecem. Principalmente quando são ruins/inconvenientes. É uma forma de funcionamento que soa infantil, por que é uma maneira cômoda de se eximir da responsabilidade. Claro que vários acontecimentos fogem à nossa vontade. Porém, somos diretamente responsáveis por várias de nossas opções: amigos, cônjuges, profissões...Tudo bem. Alguém pode argumentar que existem dificuldades (incluindo financeiras) que podem limitar a gama de alternativas. Lembrei da história de um advogado ex menino de rua. Ok. Talvez seja um exemplo extremo, mas belo mesmo assim. Li outra estatística hoje sobre divórcios. O percentual deles é menor entre casais ateus do que entre os demais, dotados de alguma crença/religião(não fiquei surpresa). Achei um vídeo no Youtube do programa "Sem Fronteiras" (da Globonews-nem sei se existe ainda). Tinha uma entrevista com um biólogo (inglês, se não me engano) chamado Richard Dawkins. Uma frase me chamou bastante a atenção: "É repugnante que algumas pessoas precisem de ameaças, recompensas ou castigos para serem boas". A palavra "repugnante" foi forte, mas ele está coberto de razão. Denota mesmo a grande fraqueza/carência humana. Como havia dito, tenho uma ambigüidade em relação ao tema. Lido constantemente com a morte. E vou tê-la cada vez mais presente, pela área específica da Geriatria que escolhi. Seria bem mais fácil acreditar que existe algo além do que nossos olhos vêem. Já cheguei a desejar uma prova concreta disso. Agora me sinto mais confortável, pois percebi que sei dar valor ao que realmente importa. Tenho espiritualidade, que é independente de qualquer rótulo. E deito com a cabeça bem tranqüila à noite no travesseiro. "A fé – um sexto sentido – transcende o intelecto sem contradizê-lo." - Gandhi

domingo, 11 de maio de 2008

Pacotinho

Cheguei há pouco de um plantãozinho de treze horas. Ontem já tinha feito doze. "Vendendo o corpinho", como diz uma amiga e colega de profissão. E foi um dia ótimo, mesmo trabalhando meio seqüeladinha de duas noites com menos horas de sono que o habitual (sou dorminhoca: 8-10 horas na cama me deixam inteiraça). Ontem, cheguei agitada em casa. Quando estou muito cansada, às vezes demoro um pouco a relaxar. Uma das coisas boas dessa profissão é que aprimorei a minha capacidade de lidar com o cansaço. Se vejo um lindo dia de sol, não consigo dormir o dia todo. Pego meu kit chimarrão, meu MP3 player e vou à Redenção. Nem que seja para desfalecer na grama, como aconteceu outro dia. "Carpe diem". Bom, hoje é dia das Mães e, obviamente, não pude almoçar com a minha. Sem "stress" - lá em casa o pessoal não é muito fanático por datas (ainda bem). Atendi muitas mães (e filhos) hoje. Ouvi algumas vezes a pergunta "A senhora é mãe?". Resposta: "Sim, tenho 3 filhos lindos peludos de quatro patas" - Rubinho, Japinha e Ritinha (meus três gatos, que moram com os "avós"). Minha mãe vive dizendo que o Rubinho ainda vai me processar por abandono de lar. Assuntos felinos à parte, em um dos intervalos, fui tomar um refri e tive a idéia de escrever uma postagem sobre outra lei da física: "dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço". Fiz uma analogia com sentimentos: dois não ocupam o mesmo espaço no coração. Pode parecer piegas, mas é verdade. Foi aí então que tive a idéia de fazer uma coisa que há horas tentava e não conseguia. O que foi, não vem ao caso. Um ato simbólico que representa a conseqüência de algo que aconteceu há poucos dias. Me senti tão bem - a música que ouço agora poderia ter sido a trilha sonora: "Rain Drops Keep Falling On My Head". Lindinha a letra. Transmite uma leveza como a que senti naquele momento. Voltei a trabalhar bem faceirinha. Por vezes, precisamos fazer algumas faxinas nas nossas cabeças. Como os dois sapatos que tirei do armário hoje para doar, por que não são mais adequados para mim. Estava faltando espaço para os meus novos, mais bonitos e confortáveis. Aliás, prezo demais este atributo. Proporcionar conforto não é prioridade apenas para os meus pés. É essencial à minha mente, sobretudo. Podemos escolher os que nos cercam, assim como nossos calçados. Não gosto de me estressar à toa. A presença de alguns seres é semelhante a um 38 apontado para a cabeça. E alguns, ainda mais sórdidos, se divertem brincando de "roleta-russa". Há quem goste. Transtorno de personalidade masoquista, provavelmente. Vem junto com o pacotinho da baixa auto-estima. Compra quem quer. Ah! Feliz dia das "Fabricantes" e aos seus bons "produtos"!

terça-feira, 6 de maio de 2008

Emoções


Confesso: estou escrevendo por culpa, pura e simples. Acho que sou meio temperamental como escritora. Não é todo dia que estou com vontade. Estou com a auto-crítica um pouco alta nesse sentido. Por vezes acho as minhas postagens intimistas demais. Talvez devesse escrever mais seguidamente sobre assuntos mais amenos, como o filme que assisti hoje, por exemplo. "Bee Movie". Adorei. Filme prá criança que nada...Têm várias piadas que o público infantil não compreende. Grande sacada desses caras perceberem que criança não vai sozinha ao cinema. Importante cativar quem os leva também. Teve uma alfinetada a advogados no final sensacional - não conto para não estragar a surpresa de quem assistir. Poderia citar aqui diversos títulos "infantis" que curti mais que criança: "Monstros S. A.", "Procurando Nemo", "Schrek" (da trilogia, prefiro o primeiro), Lillo & Stitch (1 e 2), Os Incríveis, "A Era do Gelo" (1 e 2) e por aí vai. Tive uma certa resistência em ver o primeiro Harry Potter, confesso. Porém, depois, fiquei doida para conferir as seqüências. Outro que fui persuadida a ver na ocasião foi "X-Men". Novamente tive que me render. Se bem que "X-Men" não é exatamente voltado para a gurizada. Tem uma mensagem sobre preconceito maravilhosa nele. A trilogia de "Senhor dos Anéis" não foi exatamente amor à primeira vista. Fui no cinema sozinha, como faço seguidamente, sem olhar a programação. Comprei o ingresso com aquele espírito "não tem tu, vai tu mesmo" (português tosco). Depois de ver o primeiro, decidi assistir aos demais. Nem que fosse só para comentar e também, claro, ampliar minha cultura (ainda restrita) sobre cinema. Aliás, tenho alugado diversos filmes. Têm épocas que não assisto a nada. Aí daqui a pouco vem aquela febre e chego a ver 2 ou 3 no mesmo dia. Nas últimas semanas loquei "O Último Tango Em Paris" (aquele da "cena da manteiga"), "Perdas e Danos" (atuação fantástica da Juliette Binoche), "Cinema Paradiso" (a cena "Vai tomar no c*, Alfredo!" marcou época na primeira versão, segundo meu pai), "Uma Rua Chamada Pecado" (tradução infeliz de "Um Bonde Chamado Desejo"). Vou ter que fazer um comentário especial sobre este. Quis assistir para ver o Marlon Brando. Minha mãe tinha razão. Ele era lindíssimo mesmo (excluindo a voz, que era pavorosa - conseguiram piorá-la em "O Poderoso Chefão" enchendo as bochechas do ex-galã com algodão). Putz. A beleza dele era mesmo desconcertante. Não consigo lembrar de um ator hollywodiano atualmente que se equipare. Rosto quadrado, traços marcantes, uma boca bem desenhada (esculpida). Não era muito alto para os padrões atuais, mas tinha um corpão sim (com destaque para a região glútea - pena que o corte das calças daquela época não realçavam esse atributo). Eu diria: vai ser baixinho assim lá em casa. Se fosse nos dias atuais, mandaria "empalhar" (eu sei que este termo não se aplica a humanos)o Marlon Brando (e o Elvis no início da carreira). Que bobagem! Acho que agora deixei a minha mãe feliz. Ela já demonstrou ciúmes de eu ter citado meu pai aqui no blog. Vou comentar mais uma coisinha, então. Cresci ouvindo música por que a minha mãe mantinha o rádio ligado o dia inteiro em estações "geriátricas", digo, com músicas da época dela (agora a véia me enforca). Veio daí o meu gosto pelas músicas antigas. Bem, acho que pela música em geral. Reza a lenda que tinha uma canção do Roberto Carlos que eu e o meu irmão ouvíamos e chorávamos. Cada vez que começava a tocar, minha mãe corria para mudar a sintonia. Custei a admitir que aprecio algumas músicas dele (um dos critérios de amadurecimento - lembram?). Entrei na minha formatura da Geriatria ao som de "Emoções". Foi escolhida a dedo: tinha que ser uma canção geriátrica mesmo. E que eu tivesse certeza de que daqui a uns trinta anos ainda me emocionasse ao ouvi-la. Obrigada, Senhor# "perdi as contas" por herdar, além da língua afiada, a sensibilidade musical da mami. Obs: não chora, mãe!!!

terça-feira, 22 de abril de 2008

Desligue O Foda-se


A inspiração para esta postagem veio de um blog de um amigo, cujo título do texto era "Ligue o foda-se e seja feliz". Essa frase ficou martelando na minha cabeça...Tudo bem, ligar o foda-se pode ser válido às vezes. Nem sempre devemos deixar de fazer coisas preocupados com o que os outros vão achar. Fora de um contexto pode ser um ótimo argumento. Agora, considerando que nossos atos repercutem ao nosso redor, vale a pena sempre ponderar bastante antes de apertar o botão, pois o estrago pode ser equivalente ao puxar o pino de uma granada. Os butiás continuam caindo dos meus bolsos. Fico os observando, orgulhosa da minha capacidade de me chocar com o que vejo. Aliás, jamais quero perdê-la. Outro dia, conversava com meu pai a respeito das religiões. Ele fez um comentário bem interessante que as religiões evitam muitos crimes no mundo. "Temente a Deus". Essa frase é ótima. Eu não preciso ter medo de nada/ninguém para saber diferenciar o certo e errado, por mais subjetivo que eles possam parecer. A menos que seja um sociopata (psicopata), qualquer ser humano é dotado desse discernimento. É uma questão de se importar. "Torna-te eternamente responsável por quem cativas". Li uma matéria na Galileu (revistas como essas são ótimas) que dizia que o sentimento de empatia está presente até nos animais. "Empatia". Já disse aqui o quanto gosto dessa palavra. Coisas banais do dia-a-dia, como dar passagem a alguém no trânsito, tirar a bandeja de comida quando alguém vai se sentar à mesa imediatamente após levantarmos...Educação? Também. Mas no fim, tudo se resume a empatia. Conversava ontem com um "cyberfriend" sobre relacionamentos e ele me contou que tem uma conhecida que se dizia chocada por sistematicamente TODAS as suas amigas já terem traído seus namorados. Ninguém está livre de se envolver com outra pessoa por estar compromissado. E por que raios é tão difícil simplesmente falar a verdade (com seus devidos cuidados)? Extrapolo esse comentário para outros espectros da vida. Os meus melhores amigos são aqueles que puxam as minhas orelhas de vez em quando. Tudo bem - nem todos têm facilidade (capacidade?) de ouvir críticas. Nem a sensibilidade necessária ao tecê-las (affff). Por vezes, existe uma má vontade de tentar tremenda. Por que? Por que dá trabalho. E é mais simples largar de mão. Ou se abandona por que claramente o esforço seria em vão (atitude inteligente). Baaaaita fuga de idéias. Na verdade, estou um pouco (tanto?) decepcionada. Não com toda a humanidade, felizmente. Só com uma partezinha dela. Sou brasileira...e desisto às vezes. E o meu foda-se tem no break.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

A Pseudo Álgebra da "CDF"

Escrever. Como isso me faz bem. Que bom estar de volta aqui.Estava um pouco introspectiva, sem saber direito o que dizer. E, após algumas cabeçadas na vida, aprendi que quando não se sabe ao certo o que falar, é melhor calar (profundo isso). Que coisa egocêntrica que eu vou dizer agora, mas hoje tive a sensação de que a melhor companhia para mim seria...EU MESMA. Sabe, eu adoro estar na presença de amigos, conhecer gente nova (que acrescente algo de bom)...gosto de interagir, enfim.Porém, aprecio muito o silêncio. Não disse "estar sozinha" propositadamente. A "solidão" independe de estarmos em companhia de alguém. Quem já não teve aquela sensação quase cinematográfica de sentir a multidão ao seu redor calar? Baita clichezão isso. Na verdade, estava buscando em minhas memórias a vez mais recente (não digo última, por que com certeza não será) que me senti assim. Bem... nevermind (tô parecendo a Gisele Bündchen). Estou aqui me enrolando para dormir tarde por que amanhã a noite será de muito trabalho. Parece uma fuga de idéias, mas não é! Postei no meu blog aquele vídeo "Sunscreen", o qual constava no meu falecido Orkut. O assisti pela milionésima vez e me chamou a atenção aquela parte "Não se preocupe com o futuro, pois saiba que preocupação é tão eficaz quanto mascar chiclete para resolver uma equação de álgebra".Essa parte eu não consigo pôr em prática. Só se eu virasse hippie e fosse morar na Guarda do Embaú (nada mau)...Não vejo como "preocupação". É um planejamento. Estudando e trabalhando com afinco para não ter que virar noites (trabalhando) daqui a alguns (poucos, espero) anos. Recentemente, pelo menos duas pessoas me chamaram de "CDF". Nunca pensei que fosse ficar faceira (termo geriátrico) ao receber esse adjetivo. "CDF" sim, workaholic,jamais!!! Me empenho agora por que busco, sobretudo, qualidade de vida. Ganhar rios de dinheiro sem ter tempo de aproveitá-lo, não faz sentido algum. Custos X benefícios (mais uma vez). E o que isso tem a ver com o tema inicial da postagem? Nem eu sei mais direito. Queria só papear mesmo. Boa noite a todos, então!

quarta-feira, 16 de abril de 2008

O Elefante Ululante


Hoje fui ao cinema assistir "Antes de Partir". Aquele meu amigo "fêmea" (gênero masculino)havia me indicado há meses...Ele tinha razão quando disse que o filme era maravilhoso. Profundo, sem ser pesado.Somando o fato que recém tinha saído da terapia (eufemismo para "Psiquiatra"), já estava pensativa antes de assistí-lo. Imagina depois, então. As pessoas mais próximas a mim sabem que um dos meus principais interesses profissionais é a área de cuidados paliativos. Aliás, esse termo em português tem uma conotação inadequada. "Paliativo" deriva do latim "Pallium" (manto, cobertor). É uma idéia de acolhimento, não de medidas paliativas conforme o significado em português. O filme foi muito interessante sob a perspectiva de alguém que lida com isso. A sutileza do médico dando a notícia ao personagem do Jack Nicholson foi equivalente a de um elefante perambulando por uma loja de cristais. Bem, gente sem sensibilidade é o que mais tem por aí. Dentro da sala do cinema ouvi o comentário de uma moça (referindo-se a um senhor com dificuldade de locomoção que estava recebendo auxílio para sentar-se): "O que essa gente que nem sabe andar direito faz em um cinema? Só para dar trabalho aos outros!". Como geriatra (e ser humano) tive uma quase incontrolável vontade de me levantar e dizer para a criatura: "Tomara que se um dia tiveres dificuldade, que alguém tenha mais compaixão do que tu para te ajudar!". Segurei a onda e fiquei quieta. Até por que, com uma mentalidade dessas, seria mais produtivo conversar com o extintor de incêndio...Bom, fazendo novamente uma conexão com a terapia, minha terapeuta fez um comentário bem interessante: que posso extrapolar toda a minha paciência (leia-se controle da ansiedade) que tenho com a minha profissão para a minha vida pessoal. Ainda mais lidando com cuidados paliativos (pacientes com doenças crônicas e sem perspectiva de cura). Os parâmetros são totalmente diferentes da formação médica tradicional. Esta tende a encarar a morte como uma derrota e, sob essa ótica, "não há nada mais a ser feito". Não culpo quem pensa assim, afinal é praticamente uma atitude condicionada. Lida-se com a morte diariamente, porém, raríssimas vezes se fala no assunto ao longo da formação acadêmica. Lembrei do episódio em que um colega lá de São Paulo, quando era médico residente, foi proibido de debater sobre morte nas reuniões científicas. Felizmente, é uma mentalidade que gradualmente está se modificando. Sim, é difícil lidar com a morte, pois ela esfrega na nossa cara a nossa própria vulnerabilidade. Taí um dos motivos pelos quais resolvi voltar a fazer terapia. Me sentei na poltrona (não tem divã) novamente por que senti necessidade de evoluir. Com respaldo, se torna bem mais fácil. E está valendo muito à pena. Estou fazendo agora o que uma amiga chamou uma vez de "dever de casa". Por que "fazer" terapia é diferente de simplesmente "freqüentar". Quando saí do cinema, fiquei pensando nos dez ìtens que constariam na minha lista de coisas a fazer antes de morrer. Isso é uma grande bobagem, na verdade. Alguém aí tem hora marcada para morrer (excluindo os suicidas)? Eu não tenho. Mas o interessante é que ela pode representar o que/quem realmente importa. Sabe, uma das primeiras providências seria reencontrar um alguém do meu passado a quem fiquei com a impressão de que ainda há muito a se dizer, por mais que nada venha a mudar. Não tenho o hábito de me arrepender do que faço, por alguns motivos. Costumo ponderar minhas decisões e sempre as considero dentro de um contexto e de uma intenção. Entretanto, tudo e todos são passíveis de falhas. E nunca deve ser tarde para se desculpar pelas nossas. Obs: não espere morrer para agir (a obviedade ululante de uma ironia).

sábado, 29 de março de 2008

The Butiás and the Law of Gravity - Google Translator Tabajara

The Butiás and the Law of Gravity
Mulher feliz com as suas escolhas e capaz de repensá-las. Women happy with their choices and capable of repensá them. Importante isso. Important that. "Não tomar posse do seu plano de vida é torná-la um acidente". "Do not take possession of your life plan is to make it an accident." Li esta frase hoje no msn e refleti muito sobre ela. I read this sentence today in msn and refleti much about it. Grande parte das pessoas não percebem a real dimensão disso. Most people do not understand the real dimension of this. É muito mais cômodo, não é mesmo? It is much more convenient, right? Parece aquela mentalidade de certas mulheres que apanham do "companheiro" bebum e dizem: "Mas quando ele não bebe é uma boa pessoa...". It seems that mentality of some women who get the "companion" bebum and say, "But when he does not drink is a good person ...". Bem-feito. Well-done. Quem mandou escolher alguém assim? Who he choose someone well? Repito: NINGUÉM muda a sua essência. I repeat: ANY PERSON change its essence. O que alguns podem encarar como radicalismo, eu chamo de óbvio. What some may see as radical, of course I call. Sim, eu ainda acredito na bondade e na capacidade de evolução humana. Yes, I still believe in goodness and in the capacity of human evolution. Essência é aquilo que está arraigado. Essence is what is arraigado. Tudo bem, vou fazer uma forcinha (forçando a amizade?) para demonstrar um pouco de otimismo: pode ser que com um enorme esforço (ea ajuda de um bom psiquiatra - exceto nos portadores de alguns sérios transtornos de personalidade), TALVEZ alguns seres iluminados sejam capaz de se transformarem. Okay, I will make a forcinha (forcing a friendship?) To show a bit of optimism: it may be that with a huge effort (and the help of a good psychiatrist - except in some individuals with serious disorders of personality), MAY some enlightened beings are capable of becoming. O meu diabinho pessimista (realista?) acabou de socar a fuça do anjinho e dizer que, no máximo, é possível dar uma "maquiadinha". My pessimistic daemon (realistic?) Just socar the fuça of anjinho and say that at most, it is possible to give a "maquiadinha." Estou escrevendo sobre esse assunto sob outro forte viés. I am writing on this topic in another strong bias. Os butiás caíram dos meus bolsos e se esparramaram pelo chão. The butiás fell from my pockets and if esparramaram the ground. E eu não vou me agachar para catá-los. And I will not agachar me to catá them. Eram butiás de cristal. They were butiás of glass. Agora quebrados e com bordos cortantes. Now broken and cutting edges. E eu não estou disposta a me ferir mais do que ao vê-los se estatelarem no chão. And I am not willing to hurt me more than to see them if estatelarem the ground. Tudo é uma questão de riscos X benefícios. Everything is a matter of risk X benefits. E era isso. And was that.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Cecília II

A arte de ser feliz


Cecília Meireles


Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.

Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.

Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. Ás vezes, um galo canta. Às vezes, um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Cecília Meireles

Fio


No fio da respiração,
rola a minha vida monótona,
rola o peso do meu coração.


Tu não vês o jogo perdendo-se
como as palavras de uma canção.


Passas longe, entre nuvens rápidas,
com tantas estrelas na mão...


— Para que serve o fio trêmulo
em que rola o meu coração?

terça-feira, 11 de março de 2008

Demolidor


Após assistir a um DVD que um querido amigo me deu há algum tempo ("oldies" nem tão velhas assim...anos 80/90) e ouvir mais uma trilha sonora da minha vida (I don't want to, talk about it...how you broke my heart...), resolvi me sentar em frente ao computador e fazer uma "limpezinha" no meu Orkut. Comecei a olhar algumas criaturas e a me questionar o que faziam lá, se não acrescentavam absolutamente nada de bom à minha vida. Perdi o foco (isso o que dá escrever e fazer as unhas ao mesmo tempo). Bom, na verdade, vou mudá-lo de propósito. Pensei muito hoje no poder das palavras. Já escrevi sobre isso em uma postagem mais antiga. Me recordo de ter usado o termo "sinceridade desmedida". Prá ser sincera, nunca me arrependi de ter dito a verdade. Muito provavelmente magoei algumas pessoas nessa trajetória. Me recordo bem especialmente de uma, porém, não me arrependo, por que era muito nova e imatura para compreender o real impacto disso. Um dia até brinquei que optaria por ser violentada pela verdade a ser bolinada pela mentira. Nesse momento, após provar do próprio veneno, digamos assim, faria algumas ressalvas.Aprendi na faculdade de medicina o significado de uma palavra muito bonita: "empatia". Mais do que isso, entendi o seu valor. Significa a capacidade de colocar-se no lugar do outro. Um sincero sem empatia pode tornar-se um destruidor. Demolidor de amizades, de amores... de relações humanas, enfim. É como alguém que tem nas mãos uma Ferrari e não sabe dirigir. Corre o enorme risco de ferir aos outros e a si próprio, sobretudo. Resultado: o propósito inicial, por mais nobre que seja, deturpa-se. Para alguns, pode parecer um comportamento político. Não, não é. "A palavra é como a flecha lançada.". Podes te arrepender e tentar removê-la. E ao menos que seja como aquele cara inimigo do Schwarznegger(escrevi certo?) em "O Exterminador do Futuro", inevitavelmente ficará uma cicatriz. Nesse momento, estou com uma inveja dele...Nós, meros mortais, temos apenas nosso instinto de preservação. Gostaria de saber adotar a "resistência pacífica" do Gandhi. Mas reconheço as minhas limitações. Não sou tão evoluída assim. Que pena.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Os Butiás e a Lei da Gravidade

Mulher feliz com as suas escolhas e capaz de repensá-las. Importante isso. "Não tomar posse do seu plano de vida é torná-la um acidente". Li esta frase hoje no msn e refleti muito sobre ela. Grande parte das pessoas não percebem a real dimensão disso. É muito mais cômodo, não é mesmo? Parece aquela mentalidade de certas mulheres que apanham do "companheiro" bebum e dizem: "Mas quando ele não bebe é uma boa pessoa...". Bem-feito. Quem mandou escolher alguém assim? Repito: NINGUÉM muda a sua essência. O que alguns podem encarar como radicalismo, eu chamo de óbvio. Sim, eu ainda acredito na bondade e na capacidade de evolução humana. Essência é aquilo que está arraigado. Tudo bem, vou fazer uma forcinha (forçando a amizade?) para demonstrar um pouco de otimismo: pode ser que com um enorme esforço (e a ajuda de um bom psiquiatra - exceto nos portadores de alguns sérios transtornos de personalidade), TALVEZ alguns seres iluminados sejam capaz de se transformarem. O meu diabinho pessimista (realista?) acabou de socar a fuça do anjinho e dizer que, no máximo, é possível dar uma "maquiadinha". Estou escrevendo sobre esse assunto sob outro forte viés. Os butiás caíram dos meus bolsos e se esparramaram pelo chão. E eu não vou me agachar para catá-los. Eram butiás de cristal. Agora quebrados e com bordos cortantes. E eu não estou disposta a me ferir mais do que ao vê-los se estatelarem no chão. Tudo é uma questão de riscos X benefícios. E era isso.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

"O Retorno dos Butiá"

Um dia que tinha tudo para ser mais um dia qualquer. Mais uma ida à Redenção para caminhar, estudar, pensar na vida ou observar os transeuntes peculiares (ou tudo isso junto). Ah! Esqueci de citar o "dormir". Há alguns dias fui lá para tomar um chimarrão e adormeci. Uma hora e meia desfalecida na grama. Ainda bem que o parque estava bem cheio e eu estava usando minha bolsa como travesseiro. Aliás, aquele dia foi exatamente o oposto de hoje: começou com a expectativa de ser ótimo e foi uma bosta (primeira palavra de baixo calão do meu blog). Bom, mas felizmente isso não vem mais ao caso. Prefiro dispender minhas palavras falando de pessoas que nos surpreendem para o bem. As desarmadas, satisfeitas com a vida (satisfeitas, não acomodadas), sem redomas intransponíveis...Enfim, me dei conta de que não devemos tentar colocar ninguém em um divã (ao menos que a criatura espontaneamente procure um profissional habilitado para isso). Sério. Tô irritada comigo de ficar sempre procurando um "por quê" que justifique determinadas atitudes. Contradizendo minhas palavras: nem tudo é contextualizável. "Fulano age dessa forma por que blá, blá, blá...". A vida real não funciona assim. Existe uma coisa que alguém (como quiser chamar) concedeu ao ser humano que é o LIVRE ARBÍTRIO. Só que é bem mais cômodo ficar tentando endossar comportamentos com argumentos inconsistentes, frágeis.Tenho feito um esforço contínuo de enxergar à minha volta com maior objetividade."I'm gonna live, 'till I die. I'm gonna live, 'till get high". Essa música chama-se "Run Wild". Evolução. Essa é a questão fundamental. Pode-se optar por andar agachado, catando cacos, ou assumir uma postura ereta e construir uma história diferente. A TUA trajetória. Não a que te transmitiram das mais diversas formas (palavras, atitudes). Recebemos muitas mensagens ao longo da vida. Define o que é "Spam" e deleta. Uma de minhas recentes postagens neste blog discorre sobre isso. Cansei de pagar por contas que não são minhas. Já devo ter agido assim em algum momento, com certeza. Porém, tenho crítica o bastante para não fazê-lo deliberadamente. Fiquei feliz hoje ao conhecer alguém que, à primeira impressão, tem uma visão semelhante à minha. Feliz não é bem a palavra. "Me caiu os butiá do bolso" - ou seria melhor dizer que eles voltaram aos meus bolsos??? Um dia desses, comentei com o meu pai que parecia tão distorcido nos sentirmos surpreendidos pela boa educação alheia...Não deveria suceder o oposto? Pois então...O mundo está ao contrário e NINGUÉM reparou. Ou QUASE ninguém.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Ser humano = carro & cão = auto-diversão

Mais um texto que inicia sem um propósito claro. Desabafar, talvez. Tô meio "down" desde ontem. Sou uma pessoa alegre na grande parte do tempo. Aliás, pode soar ridículo e até paranóide, mas às vezes tenho impressão de que o meu grau de felicidade irrita algumas pessoas. Pode até ser...provavelmente não sejam adequadas ao meu convívio. Tô meio "down regulation" mesmo. Vou pôr uma musiquinha prá levantar o astral! É isso aí. Bom, mas voltando ao assunto (que assunto?)...Deitada ontem, prestes a dormir, tive mais um daqueles pensamentos esdrúxulos. Pensei que os seres humanos deveriam ser parte cão e parte carro. A porção canina: um rabo ("cauda" fica mais elegante) para demonstrar emoções. Tão simples seria chegar prá papear com alguém e poder dar uma espiadinha para o traseiro e ter uma prévia do seu estado de espírito...Explicando agora a parte "veicular": que tal um pisca-pisca? "Vou mudar de direção...". Mas não vale ligar no momento em que já está fazendo a curva...Na dúvida da prudência alheia, é sensato não andar "colado" (nem correndo) atrás de um motorista desconhecido (nem conhecido - é perigoso também). Eu e as minhas analogias...O que o ser humano tem de equivalente ao rabo do cachorro? Me parece que são os olhos (que clichezão brabo). Putz! E como me sinto desconfortável quando alguém não olha nos meus...ou fica de óculos escuros (em conversas relevantes, claro). Até li uma vez que, ao contrário da idéia que tinha, aqueles que mentem, quando o fazem, costumam olhar diretamente nos olhos do interlocutor. Existem outros fatores mais óbvios, como a timidez, por exemplo. Só sei que um olhar evitativo é incômodo demais para mim.O parâmetro das pupilas eu já desconsidero, por serem também dilatadas por álcool e outros entorpecentes. E a mulherada antigamente instilava Beladona nos olhos para torná-los mais atraentes...Atualmente quebramos um galho com sombra, rímel e lápis mesmo (e alguns "Emos" e o Ozzy - este, eu perdôo). Me sinto mais leve agora. Eu me auto-divirto - eu realmente sou capaz disso. Obrigada, Senhor # "perdi as contas".

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Terceira Lei de Newton

Terceira Lei de Newton ou lei da ação e reação: para toda força aplicada, existe outra de mesmo módulo, mesma direção e sentido oposto ...
Primeira Lei da Tia Beth: para toda a falta ação, inexiste uma reação.
Misturar as duas leis contraria um princípio básico da física, certo?
Então, vide o texto "Água". Simples como a vida deve (ria) ser.

"O Corpo Grita"- por Discovery Channel

"O Corpo Grita". Este seria um bom título para o meu primeiro livro. O clássico "O Corpo Fala", que li há alguns anos, me pareceu inicialmente mais um apanhado de clichês sobre linguagem corporal. Ler sinais emitidos isoladamente é como ler uma frase solta e interpretá-la fora de um contexto. Perigosíssimo isso. Confesso que esse assunto muito me interessa, pois é bastante evidente que a boca é o que menos fala. Já pensei diversas vezes o custo-benefício desse tipo de leitura...Como diriam alguns "teenagers": "É de pirar o cabeção." Me lembrei de quando recentemente conversei com, digamos assim, "uma pessoa pública", em mais uma de minhas incursões na noite de Porto Alegre(já citado em outro texto deste blog). Um cara super bom papo...Fiquei horas conversando com a criatura...Atenta ao que ele dizia, paralelamente a minha cabecinha funcionava a mil e os meus olhinhos rastreavam o cara de cima a baixo (não era exatamente um modelo de beleza - o "efeito Pitanguy" não atua até um certo nível etílico). Conclusão inevitável: "Baaah, mas que cara mais falcatrua!". E o preconceito virou conceito. E olha que ele em tese deveria saber dissimular esses sinais, por que orienta pessoas públicas a se expressarem na mídia. Mas bebeu o suficiente prá baixar a guarda, digamos. Podem ser desastrosamente errôneas essas interpretações quando conhecemos pouco o funcionamento de alguém...mas na maioria das vezes ajuda, pelo menos em parte. Mas veja bem: no final das contas, basta assistir "Discovery Channel". O comportamento humano não difere em quase nada daqueles animais selvagens...só mudam as motivações. Complicar prá que, né? Pois é. Me faço essa pergunta todo santo dia. Deve ser mais racional ser um animal que não pensa. Mais um paradoxo prá coleção...

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

"Gosto, mas tenho vergonha."

Da série: "Gosto, mas tenho vergonha." Lembrei dessa comunidade Orkutiana ao ouvir um amigo declarar que adora Xitãozinho e Xororó. Pensei: Afff...Tem gosto prá tudo! Crítica em relação ao meu próprio preconceito, percebi a estupidez do meu comentário. Gosto é gosto, afinal (desculpem o clichê). Comecei a refletir sobre preconceitos. Sobre um em especial, ao ouvir um amigo tentar justificar seus atos com argumentos frágeis. Esse indivíduo já foi citado nesse blog (aquele que me chamou da mulher mais "macha" que ele conhece, e que, na ocasião, considerava "o mais fêmea" dos meus amigOs). Acompanhei o "antes e depois" desse rapaz (como um "Extreme Makeover versão O Médico e o Monstro). "Antes e depois" de ser traído por sua mulher, ou melhor, pela mulher que se encontrava ao seu lado. Percebi o quanto uma deslealdade (um conceito bem mais amplo que "traição") pode abalar a auto-estima de alguém. Mas esse me parece dos males o menor...Tudo bem, talvez não tenha o "know-how" para versar sobre o assunto (ou acho que não tenho). Sempre penso holisticamente na repercussão (que lindo isso) de uma atitude qualquer. Tudo tem um "efeito dominó", digamos. E o que isso tem a ver com "Gosto, mas tenho vergonha"? É algo semelhante a "Gosto, mas tenho medo". Nem sei direito como explicar, porém surgiu essa associação nessa minha mente fértil (cheia de adubo?)...Vamos lá direto ao ponto (finalmente!!!), então. Me questionei por que apresentamos as nossas contas às pessoas erradas. Faz algum sentido cobrar de "siclano", se é "fulano" que está te "devendo"? Devedor: quem mentiu <=> enganou <=> decepcionou <=> magoou <=> chifrou <=> abandonou ...In-ter-mi-ná-vel essa lista...Voltando ao amigo, que está "apresentando a conta" à sua atual namorada. Metralhado (terapia do joelhaço) por mim e mais uma outra mulher muito, mas muuuuito braba, o pobre coitado (tenho minhas dúvidas) não conseguia argumentar de forma consistente ("Ai, eu abro a boca e só tomo nos dedos...").Pensei que talvez na época em que ele foi "contemplado" (chifre = consórcio), que seria benéfico que procurasse um psiquiatra. Hoje tenho minhas dúvidas...Paciente sem "insight" (o "dar-se conta", grosseiramente falando) dificulta bastante o trabalho de qualquer terapeuta. O meu amigo APARENTEMENTE se dá conta. Eu prefiro achar que não, por ainda considerá-lo "do bem" (maniqueísmo barato) e por sempre procurar entender as motivações de qualquer ato (relembrando: um assassinato é sempre um assassinato - o que muda são as motivações - em um julgamento, por exemplo). Talvez a minha forma de pensar tenha o viés de uma "não traumatizada". Posso apenas imaginar como reagiria. Meu palpite, me conhecendo bem, é que manteria essa postura. Sou muito otimista em relação à vida como um todo - não poderia ser diferente em relação às pessoas. Um dia desses, comentei com uma amiga (a "braba", supracitada) que por vezes me sentia como uma criança(pequena) que a mãe esbraveja "Papai Noel não existe, sua estúpida!!!". Existe um limite prá quebrar as ilusões, ou melhor, as expectativas, alheias. Mesmo quando o propósito é nobre (proteger, no caso). Entra aí de novo "Eu gosto, mas tenho medo". Medo de apresentar a conta a quem nada deve (prá ti, pelo menos)<=> medo de se expor <=> de se tornar vulnerável...Prato-feito para um belo boicote ao próprio bem-estar (proporcionado por uma consciência tranqüila, o que transcende o conceito de "felicidade").É a retroalimentação viciosa e sem crítica daquela sistemática de que não se gosta e DEVERIA se envergonhar (achei a conexão). E vê só que curioso: meu amigo "fêmea" se apaixonou pela minha amiga "braba"(!). Nem Freud arriscaria a explicar.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Clarice

Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue;outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho...o de mais nada fazer.

Clarice Lispector

domingo, 27 de janeiro de 2008

Vende-se Casa III - por Lisandra Souza

INSISTÊNCIA versus PERSISTÊNCIA


(Não deixe que o orgulho e a vaidade atrapalhem seus lucros emocionais)


Ah, o vendedor.. algumas pessoas sentem repulsa em relação a este profissional, pois visualizam uma situação em que algo será "empurrado", com muita insistência, ansiedade e imediatismo, focado nos interesses do vendedor e desconsiderando as necessidades e desejos do cliente.

Na vida pessoal, todos nós somos "vendedores" e geralmente adotamos a mesma postura que tanto criticamos.

Ao conhecer alguém, apresentamo-nos como "produto", salientamos nossos "benefícios" a fim de justificar o investimento e resultado que esperamos.

Auto-estima é realmente muito importante nesse processo de "venda pessoal", mas quem a alimenta exageradamente torna-se narcisista a ponto de acreditar que jamais será rejeitado.

Quando desprezamos o desejo alheio, acreditando que podemos escolher (e ser escolhido)pelo outro, estamos repetindo os mesmos erros daquele vendedor chato, tentando criar em nosso "público-alvo" uma necessidade que não existe.

Podemos influenciá-lo por algum tempo, mas chegará o momento em que se sentirá tão insatisfeito que ele buscará algo que realmente corresponda às suas expectativas.

A dificuldade em lidar com a rejeição faz com que a pessoa descontrole-se emocionalmente, utilizando agressões verbais, chantagens emocionais e impedindo a compreensão de que ela já viveu a mesma situação, porém em posição diferente... afinal, quem nunca sentiu sob seus ombros o peso dos sonhos alheios??

Portanto, o ideal é manter uma postura cordial e ter consciência de que a maioria das pessoas precisam de tempo para tomar decisões importantes e rever seus conceitos e necessidades.

Pode ser que o "cliente" avalie melhor, desculpe-se pelo descaso inicial e finalmente adquira o que você tem a oferecer.. porém a possibilidade dele nunca mais fazer contato é a mesma.

Enquanto isso, o "produto" deve continuar exposto na vitrine; é inútil reservá-lo a quem não demonstrou interesse ou deixou claro que não está disposto a realizar tal investimento.

A experiência em cada situação permitirá que a percepção e sensibilidade sejam desenvolvidas, evitando o desperdício de esforços entre pessoas com missão, visão e valores diferentes.

By Lili

sábado, 26 de janeiro de 2008

Vende-se Casa II

Vinha dirigindo pensativa, voltando de um bar da Cidade Baixa (Boemiiiiiaaaa, aqui me tens de regreeeessoooo - canção geriátrica): preciso chegar em casa e escrever. Mil idéias passando em minha cabeça e eu tentando focar em um assunto...Ainda não escolhi, na verdade...Deixando fluir...Ah, sim! Lembrei!Dentro do elevador, refletia que sou uma pessoa legitimamente nascida para compartilhar. Desde a minha mais remota lembrança como ser humano, eu sou assim. "Ai, que liiiiindooooo! Como ela é altruísta!". Não, não. Isso é assumidamente um ato egoísta, por que se não me fizesse bem, não manteria esse comportamento. Já foi tecido um comentário a esse respeito por uma amiga (te amo, Nanica):"Tu tens o pacote pronto e quer dá-lo a alguém, só não sabes para quem.". Sim, é verdade. Daquelas excruciantes, como a ausência de um dente da frente (gracias, Clarice). Esse texto pode ser "um tiro no pé", por um lado. Imagina um homem solteiro lendo e pensando: "Essa tem quase trinta - deve tá batendo o desespero..." (sirene da auto-crítica: uuuuuuóóóóóóó...). Na-na-ni-na-nã! O cerne dessa reflexão é outro. Pensei muito novamente sobre isso hoje, ao fazer um acordo com um homem: ele entrou com o pé e eu com a bunda - a máxima de perder o amigo, mas jamais a piada, é válida para eu mesma (minha forma peculiar de suavizar a adversidade - sem negá-la). Percebi concretamente essa minha necessidade de dividir ao passar os quase últimos trinta dias em Sampa. Acostumada a compartilhar minha vida sistematicamente com pessoas próximas (de "proximidade"), me vi desorientada ao passar uma semana sem fazê-lo. Comparo isso à desfragmentação de um disco rígido - como um Psiquiatra (ou terapeuta) auxilia seus pacientes, otimizando seu funcionamento. Conheci uma mulher muito especial nesse momento, que tornou minha estada em São Paulo menos árida (obrigada, querida). Após essa breve quase fuga-de-idéias, volto à história do tal "pacote". Simplificando: esse "pacote" consiste em uma parte (reforço: apenas uma parte) da minha vida. Conversando hoje à tarde com uma amiga (que tem um "quê" de anjo), comentamos de como algumas pessoas fazem questão de tornar as coisas difíceis. No momento de uma separação, por exemplo. Existem as que se valem do apelo ("chantagem") emocional, numa forma velada de exprimir um grande narcisismo (valeu, Lili): "Quem essa pessoa pensa que é para rejeitar alguém como eu???". Considerando como algo pessoal o que de fato não o é, adota uma postura punitiva, querendo incutir o sentimento de culpa no outro. Me parece falta de auto-estima. Claro que pode enviesar para o outro extremo da absoluta ausência de auto-crítica, o que também pode ser prejudicial e descambar para a arrogância pura e simples. Tênue limiar. Mais uma fuguinha de idéias: mulher moderna é o escambau!!! Longe de ser conservadora também. Conceitos antagônicos? Nãããããão! Quem consegue ver isso em mim, me enxerga (se não é o que deseja, ou não é capaz, já não me diz respeito). Captaram o espírito da coisa? Putz! Esse texto ficou quase uma continuação do "Vende-se casa"- gostei disso.