Mostrando postagens com marcador cecília meireles. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cecília meireles. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Amadurecer

Lendo poesias ao acaso, encontrei este da Cecília que me pareceu uma descrição do amadurecimento - lindo!


4º Motivo Da Rosa (Cecília Meireles)

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.

Rosas verá, só de cinzas franzidas,
mortas, intactas pelo teu jardim.

Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.

E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.

domingo, 6 de julho de 2008

Ou Isto Ou Aquilo


Estou me sentindo neste exato momento como a poesia da Cecília Meirelles "Ou Isto Ou Aquilo". Trabalhei bastante e cheguei bem cansada em casa. Bateu um desejo enorme de comer aquele salmão BBBB (bom, bonito e barato do boteco) que eu amo...Só que estou pensando que eu vou ter que (tomar banho - óbvio), me arrumar, dirigir...Lembrando que nosso vestir é bem mais trabalhoso que o masculino...Sem falar no sentimento de "Carpe Noitem" de quem passou um dia lindo como hoje confinada...Bem, enquanto eu decido por ficar no conforto do lar ou satisfazer a minha vontade gástrica, vou deixar a poesia do meu instante registrada aqui no blog.



Ou Isto ou Aquilo


Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.


Cecília Meirelles

quarta-feira, 19 de março de 2008

Cecília II

A arte de ser feliz


Cecília Meireles


Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.

Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.

Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. Ás vezes, um galo canta. Às vezes, um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.