domingo, 25 de maio de 2008

Mar-de-Rosas


A idéia para abordar este tema surgiu daquele casal que atendi no meu último plantão, mencionado na postagem anterior. A mulher era a paciente, na verdade. Eles já me causaram uma boa impressão ao entrar na sala. Deram um "Boa Noite, dra! A coisa tá complicada hoje, né?" Muito sorridente, me passou a impressão de que nem precisava consultar. "Tava com uma ardência para fazer xixi desde ontem. Aí fiz sexo com o meu marido e a coisa desandou!". Nesse momento, os dois se olharam com um ar cúmplice (safadinho?). Foi muito engraçado. Foi aí que eu não resisti e perguntei: "Vocês são casados há quanto tempo?". "Há quinze anos!". Não me segurei e proferi a minha clássica pergunta (ainda escreverei um livro com as respostas): "Qual é o segredo?". Ela disse: "Nos damos bem por que somos muito amigos, antes de tudo." O maridão completou: "Casamento não é prisão, não. A gente respeita as nossas individualidades". Comentei, então: "Puxa, que legal! Isso é tão incomum atualmente! Mas vocês hão de convir que as pessoas de modo geral não fazem boas escolhas, né?". Os dois assentiram com a cabeça. Bem, essa história foi só o gancho. Ouço com uma certa freqüência: "Tenho medo de ficar sozinha(o)...". Eu tenho um receio bem mais plausível: o de fazer uma escolha ruim. Claro que, atualmente, as coisas são muito mais simples quando não dá certo. Antigamente, era tudo muito complicado, principalmente para as mulheres. Minhas pobres ancestrais ficavam facilmente estigmatizadas em função de seu status conjugal e comportamento sexual. Outro dia assisti "Uma Rua Chamada Pecado", que é um filme da década de 50. Fiquei com a estranha impressão que as coisas não mudaram tanto assim. Tinha o papel de uma moça que era bem "avançada" para a época, digamos assim. Era a irmã mais velha e solteira da mocinha (a esposa do personagem do Marlon Brando). Ela só se encontrava à noite com os rapazes, para que não percebessem a sua idade. Algumas pessoas (mulheres, principalmente) ainda comportam-se como se tivessem prazo de validade. Outro dia, fui tomar um expresso no Mc Café e peguei uma revista "Nova" para dar uma folheada. Sempre encontro boas idéias de postagem lá - contestando aquele monte de merda, claro. Li uma matéria com o seguinte título: "Tenho 30 anos e estou solteira. O que fazer?" E o pior é as loucas que se prestam a dar depoimento. As que são capa na matéria então, nem se fala. Se eu fosse homem, colocaria cartazes com a cara delas penduradas por todas as casas noturnas com um aviso de "NEURÓTICA - CUIDADO". Sarcasmo à parte, é triste que pessoas cedam a esse tipo de pressão sem a menor crítica. Acabam aceitando menos do que mereceriam por comodismo (covardia?). Permanecem inertes em relacionamentos insatisfatórios e até patológicos. Claro que nada é um mar-de-rosas na vida. Como em outras instâncias, nem sempre um relacionamento está no auge. Todavia, o todo tem que compensar. Sempre. Gosto de fazer um paralelo com a minha profissão. Quando eu era estudante, com freqüência ouvia que ao chegar em "x" ponto da graduação iria "entrar em crise" e querer jogar tudo para o alto. Outra pérola era: "Com o tempo te tornarás fria e não suscetível ao sofrimento alheio." Nada disso aconteceu até hoje. Pelo contrário - minha profissão sempre foi um dos meus alicerces mais fortes. Penso que se um dia escolher (bem empregado o termo) alguém para estar ao meu lado, será algo parecido com a visão que tenho do meu trabalho. A alegria e o bem-estar proporcionados devem superar as adversidades. Num reencontro da minha turma de faculdade ano passado, papeei com a esposa de um colega meu de quem eu sempre gostei muito. Até um certo ponto da faculdade, tinha uma forte desconfiança que ele era um moço "casto", digamos assim. Mas foi só ele ficar com a guria (uns 6 anos mais velha do que ele, na verdade) que gamou e não desgrudou mais. Sugeri a ela que lançasse uma versão do "Kama Sutra" contando os segredos de tê-lo fisgado tão rapidamente. Dei muita risada quando ela disse "Às vezes ele tá mal-humorado em casa e MANDO ele ir jogar futebol com os amigos...Volta feliz e disposto que é uma beleeeza!". Bah, nem precisa explicar mais nada, né? Penso que a insegurança é um problema sério para muitos. No meu antigo perfil no Orkut, escrevi que importante é gostar dos defeitos, por que admirar qualidades é extremamente fácil e agradável. O conceito de "defeitos" é subjetivo, entretanto, vou me arriscar a abordá-los mesmo assim. Um dia me perguntaram se eu optaria pelo o excesso ou a falta de ciúmes. O meio-termo é sempre preferível, mas se não tivesse alternativa, escolheria a ausência dele. Essa característica para mim é de difícil manejo, por que não precisa de substrato para manifestar-se. Um ciumento patológico alimenta sozinho o seu próprio "monstro". Já recebi queixas de falta de ciúmes. Obviamente, partiu de um ciumento...Desnecessariamente desgastante isso. Tenho um certo trauma com gente pão-dura, também. Tive um namorado em 2003 (que com certeza não é leitor do meu blog) que só falava em dinheiro. Uma vez saímos e eu comprei três águas ao longo do passeio, pois era auge do verão. Dá prá acreditar que a criatura tomou metade das três e não se coçou para pagar nenhuma vez??? O meu limite máximo para aturar este ser foi três meses. Fui paciente, até. Ser comedido com os gastos é essencial. Dar o passo conforme a perna, por assim dizer. Mas quando vira mesquinharia, não tem jeito não. É doença mesmo. E pode ter certeza que vai se manifestar das formas mais diversas no funcionamento da pessoa. Sempre fui de dividir a conta - é questão de ser justa (e coerente), porém, um agrado eventual é uma questão de gentileza. Gentilezas que podem (e devem) partir da mulher também. Me desagradam também alguns "ismos": machISMO, fanatISMO, puritanISMO, comodISMO, radicalISMO (este engloba alguns dos anteriores). No final das contas, essencial é ter paz. Compartilhá-la então, melhor ainda. O amor é um dos pilares mais fortes e, paradoxalmente, mais vulneráveis. Pequenos e freqüentes sismos podem fazê-lo desabar, tal qual o efeito de um grande terremoto. Obs: nossa, como eu estou poética hoje...rs.

sábado, 24 de maio de 2008

Jaqueta Não É Motel !!!


Que dia feliz que está sendo hoje (ainda não acabou...). Estou ouvindo "Pro dia nascer feliz", do Barão Vermelho. Entrei com essa música na minha formatura da faculdade. A idéia inicial era entrar ao som de "Beth Balanço", mas ao pensar no conteúdo da letra (O teu futuro é duvidoso, eu vejo grana, eu vejo dor...), desisti. Bem, comecei o dia vencendo a preguiça. Fiz plantão à noite, que foi bem tranqüilo até. Atendi um casal super bacana, casados há quinze anos. Ter papeado com eles foi uma parte divertida do trabalho. Bem, isso é assunto para outra postagem. Retomando, acordei, digo, me atirei da cama, às onze e meia. Tomei o meu velho e bom capuccino e fui almoçar com meus pais. Dando uma de cachorro magro (nem tão magro assim), rumei para a Redenção tão logo terminei de comer. Estava com abstinência de sentar na grama e pegar um solzinho. Adoro a Redenção. Tenho um grande carinho por aquele lugar. É lá que eu recarrego as baterias. Fui sozinha, como com freqüência faço. Dei uma passadinha para comer aquela cocada ma-ra-vi-lho-sa do Maomé com um café expresso. Estava me sentindo extremamente bem de poder tirar o dia todinho para fazer o que quisesse. Outra passada obrigatória é numa barraquinha que vende umas velinhas perfumadas. Queimam até o fim com cheirinho. Gosto da de rosas, especialmente. Coloquei a minha toalha na grama e sentei (e deitei). Adoro ficar observando os transeuntes. É um lugar eclético em termos de gente. Tomei um susto quando abri os olhos e dei de cara com aquele senhor que fala com uma folhinha na boca. Ouvi um "boniiitaaaa" bem agudo e levei um belo "cagaço", em bom gauchês. Dei um sorriso amarelo, um tchauzinho e o sem-noção se foi (ufa!). O "momento Kodak", logo em seguida, foi o flagra que dei em um casalzinho de moscas copulando em cima da minha jaqueta (que linda é a natureza).O mais engraçado foi um pessoal que estava próximo me vendo fotografar a cena, rindo sozinha do meu ato sem propósito. Devem ter pensado que eu era mais uma maluca pertencente à "fauna" do parque. King Kongs à parte (transcendeu o mico), após, fui dar uma passeadinha para ver os "Gatos da Redenção" e fiquei papeando com outros dois "gateiros". Com o "telhado" já fervendo de tanto sol, fui buscar minha amiga e meu afilhado para irmos ao Iguatemi (leia-se Mc Donald's, onde tem o "brinquedão"). Papeamos bastante enquanto o piá se divertia. Somos amigas "deusde" (tigrês) os doze anos. Vê-la é quase como entrar no túnel do tempo, por que ela se veste exatamente da mesma maneira que há dezessete (!) anos. É metaleira desde criancinha e sempre usa roupas pretas. E agora, também é professora. Andar com ela pelos shoppings e parques é como estar com uma celebridade: é "Oi, Sôra!!!" a toda hora. Os alunos são adolescentes e têm uma enorme identificação com ela. Seguido a encontram nas filas dos shows de metal e é aquela festa. Bah, tenho um baita orgulho dessa guria. E ainda é uma excelente mãe. O mais engraçado é que as pessoas às vezes olham prá gente e acham que EU sou a mãe do meu afilhado. Então, por via das dúvidas, hoje vesti a minha camiseta preta dos "Simpsons" - sátira da famosa capa de "Abbey Road" (Beatles) e calcei um dos meus 3 amados pares de All Star (ambas tinha trocado os cadarços brancos por pretos). O guri tá muito lindo e esperto. Me contou, em segredo, que tem uma amiguinha com um "dom" especial. "Ela me hipnotiza", disse ele. A minha amiga me contou que ele é apaixonadinho por ela...Achei tãããããããooooo bonitinho o jeito que ele se expressou. E consegui filmar essa cena memorável. Na hora de ir embora, foi aquela choradeira de sempre. Mas o bom é que ele já entende bem as nossas mentirinhas úteis. "A Dinda tá de plantão e têm um montão de gente doente esperando por ela". Deu uma rançadinha, como de costume, porém, logo se aquietou. Cheguei em casa "de língua-de-fora" após a "tarde dinda". Acabei até desistindo de sair com alguns amigos, entretanto, valeu a pena. Acompanhar o desenvolvimento dele é extremanente gratificante para mim. Daqui a pouco, já estará entrando na faculdade...O tempo voa, afinal. Que bom.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

"Ovários Prá Frente"


Há algum tempo, venho me questionando dos prós e contras de se ter um blog, Orkut e afins. Dei um fim, recentemente, no meu antigo Orkut, com seus quatrocentos e tantos "amigos", por que estava me sentindo exposta. Fui descobrir um pouquinho tarde aquelas várias configurações de privacidade, que nem existiam quando o Orkut foi criado. Como ficaria complicado excluir somente alguns "amigos", resolvi sair. Conheço algumas pessoas que já tiveram sérios problemas com o Orkut, como perfis falsos criados com fotos obtidas no site e até ameaças de morte. Havia uma certa sensação de segurança quando o Orkut foi concebido, por entrar novos membros somente por meio de convite. Realmente falsa essa sensação. Me lembro de que há algum tempo a Polícia Federal estava investigando uma comunidade do Comando Vermelho (!). Aquela turminha que gosta de ligar para os celulares alheios exigindo resgate de falsos seqüestros deve perambular pelo Orkut também. Aliás, em 2006, tentaram aplicar esse golpe no meu pai, que ainda bem já sabia de sua existência e simplesmente ignorou a ameaça. Tive uma sensação incômoda de estar sendo vigiada quando conversei recentemente via msn com uma pessoa e ela usou um termo, entre aspas, exatamente como o havia feito em uma postagem escrita há pouco no meu blog. Com uma ressalva: esse alguém, enquanto esteve próximo, não era exatamente um leitor assíduo dos meus textos. Tenho sido cuidadosa com o conteúdo do meu blog. Andei me expondo um pouco além do que deveria sim. Exagerei no intimismo, por que a idéia não é de fazer um diário, mas sim, de escrever crônicas. Muito tênue esse limite. A idéia de abordar o assunto surgiu hoje, ao ler algumas postagens de 2 blogs que gosto bastante (não vou fazer propaganda, não-eles não precisam!). Pensei bastante também na repercussão dos textos na concepção que os outros têm de mim. Fiquei bastante satisfeita ao ouvir um comentário de uma pessoa que conviveu comigo por 2 anos: "Esse blog é coerente com a imagem que tenho de ti". Ainda bem. Parece que para alguns a idéia de ter um blog, Orkut e afins pode ser a de "vender o próprio peixe". Já fiz isso sim - admito. No momento, no entanto, não vejo isso como um objetivo. Na verdade, pode até provocar o efeito oposto - não é todo mundo que aprecia esse estilo "garota papo reto" (papo firme é da Jovem Guarda). Percebi o impacto que esses textos podem causar ao ler dois textos de outros dois blogs que costumo ler regularmente. Me deu um certo friozinho no estômago ao ler uma postagem, em especial. Pensei, então, a respeito do último texto que escrevi e em como é completamente enviesado o conceito que temos de nós mesmos. Tem uma amiga minha que vai se matar de rir ao lê-lo. Ela sabe que não sou tão racional quanto tento parecer. O meu diferencial é que o sofrimento não me faz psicotizar - entendeu??? Me abalo o bastante para "digerir" a situação. E só. Não é saudável jogar a sujeira para debaixo do tapete. "Ovários prá frente" (equivalente feminino de "Bola prá frente"). Ah! Um ótimo feriado a todos - merecemos, né?

terça-feira, 20 de maio de 2008

Neandertais & Diminutivos


Desde ontem, estava cheia de idéias para escrever, mas com uma certa dificuldade de organizá-las. Algo que ocorreu no meu plantão hoje provavelmente sirva como um bom gancho para as minhas reflexões. E uma musiquinha sempre ajuda também. Ah! Também fiquei empolgada com o comentário de uma amiga, que disse que o meu blog é intimista, porém, com temas familiares (comuns) aos demais. Essa é a idéia mesmo. Bem, vamos ao que interessa, então. Hoje atendi uma adolescente trazida pela mãe à consulta. Motivo: não queria comer e chorava copiosamente há quatro dias. Fator desencadeante: um pé na bunda do namorado. Ela estava bem abatidinha, magrinha e com olheiras. A mãe, preocupada, desejava inicialmente uma avaliação psiquiátrica, por achar que a filha estava deprimida. Expliquei, então, que apresentar "sintomas depressivos" é diferente de "estar deprimida". E que ela estava vivendo um luto. Anormal seria se ela estivesse com um humor incongruente com a situação. Lembrei da minha própria adolescência e início da vida adulta. Tive uma "paixonite aguda" por um professor (não digo de que para preservar sua identidade)quando eu tinha dezoito anos. Se não me engano, ele tinha uns trinta e seis na ocasião. Com a maior cara de lata, declarei a minha paixão por uma carta (tô ficando velha) e mandei flores (um arranjo de cravos brancos) para a casa da criatura. Até fiz amizade com a entregadora da floricultura, para que me contasse a reação dele depois. E ele, de fato, a-do-rou! Devia ter achado, na época, que tinham sido dadas pelo NAMORADO (!). Fui saber bem depois que ele era gay. E o pior que nem de metrossexual tinha jeito. Ainda bem que absolutamente nada aconteceu. Hoje em dia, dou boas risadas dessa história. Na época, nem tanto. Acho que enchi a paciência dos meus pais por conta da tal paixonite. Se eu tivesse a cabeça que tenho agora, as coisas teriam sido diferentes. Confesso que há uns quantos meses tive uma certa recaída (um hetero - ufaaa!), que passou tão rápido quanto começou. Por sinal, por causa do ocorrido, escrevi um dos textos mais bonitos que já fiz nessa minha breve carreira. Cheguei a publicá-lo no blog e o retirei posteriormente - postei no lugar "Imagem" (setembro de 2007). Outras pessoas passaram pela minha vida, desde então. Por "n" motivos, não permaneceram. Algumas por vontade minha e outras nem tanto. A vida é assim (ô clichêzão). Tive uma vontade de olhar para essa menina hoje e dizer: não faz isso contigo!!! Já fiquei triste por dor-de-cotovelo, é claro. Mas tem uma coisa que é diferente agora. Aprendi que não adianta insistir: ou é ou não é. Isso é a parte boa de ter uma certa vivência. Ela traz serenidade. E tudo fica bem mais fácil quando se sabe o que se quer. E o que não se quer, principalmente. Falando nisso, achei o "link" para um outro assunto que queria abordar. Ontem, me surpreendi com meu momento "elefantinha sincera" (olha o plágio!!!). Fui muito indelicada com uma pessoa. Muito mesmo. Dadas as circunstâncias de tamanha insistência, não poderia ter agido diferente. Eu ando com a tolerância bastante baixa para lidar com certos perfis. Resolvi me afastar de quem não serve. Escrevi as postagens "Bolsos e Barcos Furados" e "Desligue O Foda-se" baseados em atitudes alheias que respingaram em mim. Não acredito que os opostos se atraiam. Quero gente (bem pertinente essa palavra) perto de mim com princípios e valores semelhantes aos meus. Isso vale para todo e qualquer tipo de relacionamento interpessoal. Não sou dada a radicalismos. Bem pelo contrário. Justamente por ter a cabeça aberta é que acabei dando abertura a pessoas inadequadas (peguei leve nesse termo). Resolvi ser prudente e me proteger, simplesmente. Busco ser correta em todas as instâncias, pessoais e profissionais. Estou sujeita a erros, como qualquer mortal. O que diferencia é quando estes são deliberados, repetitivos. Resumindo: ter caráter ou não. Incompatibilidade tem limite. Vide itens 4, 6, 7, 9 e 11 da postagem acima.
Ah! E quanto à menina, pedi um exame para verificar se estava anêmica e tranqüilizar a mãe. Obs: o namorado dela terminou o relacionamento via mensagem de celular. Neandertalzinho...

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Dalai Lama


Em um ímpeto consumista, comprei um quadro na Wall Street Posters. Me apaixonei pelos dizeres. Não deu prá resistir. Leiam e vejam o por quê:

Instruções Para A Vida (Beth's Translator Tabajara) - Dalai Lama

1) Considere que um grande amor e grandes conquistas envolvem grandes riscos;

2) Quando você perder, não perca as lições obtidas;

3) Siga os 3 Erres:

Respeito por você mesmo;
Respeito aos outros;
Responsabilidade pelas suas ações.

4) Lembre-se de que não conseguir o que se quer pode ser um maravilhoso lance de sorte;

5) Aprenda as regras; então você saberá como quebrá-las de forma adequada;

6) Não deixe uma pequena disputa ferir uma grande amizade;

7) Quando perceber que cometeu um erro, tome providências imediatas para repará-lo (adendo: e não o repita);

8) Passe algum tempo sozinho todos os dias;

9) Abra seus braços à mudança, mas sem abrir mão dos seu valores;

10) Lembre-se de que o silêncio às vezes é a melhor resposta;

11) Viva uma vida boa e honrosa, pois quando envelhecer e olhar para trás, será capaz de aproveitá-la pela segunda vez;

12) Uma atmosfera de amor no seu lar é a fundação da sua vida;

13) Em discussões com pessoas queridas, lide apenas com a situação atual. Não evoque o passado;

14) Compartilhe seu conhecimento. É uma forma de atingir a imortalidade;

15) Seja gentil com a Terra;

16) Uma vez ao ano, vá a algum lugar que nunca esteve;

17) Lembre-se de que o melhor relacionamento é aquele no qual o amor um pelo outro excede a necessidade de um pelo outro;

18) Julgue seu sucesso por aquilo que terá que abrir mão em prol de obtê-lo;

19) Trate amor e comida com desprendimento.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Bolsos e Barcos Furados


Os butiás continuam caindo dos meus bolsos. Descobri que eles estão furados. Culpa minha, então. Não existe "meio" anão, "meio" gay, "meio" grávida e aí por diante. O mesmo vale para valores pessoais: "meio" honesto, "meio" leal...As coisas/pessoas são como são. É a tal da "essência", que tanto já falei aqui. Preciso mesmo colocar essa percepção em prática. Outro dia, comentava com uma amiga que tomei a decisão de deixar de tentar ajudar algumas pessoas. Não tenho mais a pretensão de mudar ninguém. Ou aceitam-se as limitações, ou abandona-se o barco. Bem, certos seres humanos são como embarcações furadas, pelas quais a água entra insistentemente, a despeito do esforço (vão) de tentar retirá-la. De canequinha, então, nem pensar. Tentar remar até terra firme? Não. É longe e, portanto, arriscado demais. Sou brasileira. E desisto, às vezes. Deveria fazê-lo com maior freqüência. Por pura e simples auto proteção, que seja. Quando somos nosso próprio paradigma, pode ser difícil ver a malícia de certas atitudes. Não. É maldade mesmo. De "malícia", preciso eu. Tá na hora de costurar os bolsos. Sem protelações e antes que os furos aumentem. Como diria aquela falecida cantora (letra do Cazuza): "Quem sabe eu ainda sou uma garotiiiinhaaa(...)". Caindo na real. A-ham.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Sábias Palavras de Charles Chaplin


A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.

Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.

Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?

terça-feira, 13 de maio de 2008

Fé


Há tempos queria escrever uma postagem específica sobre o assunto, mas estava um pouco em dúvida como o abordaria. Minha postura/opinião a respeito de algo bem delicado: religiões, crenças e afins. Tenho uma certa ambigüidade em relação a isso. Percebi ontem, ao assistir novamente ao filme "Ghost". Faltou ver os "extras". Adoro ver os "making-offs" e entrevistas com atores e diretores. Foi um filme que me marcou bastante. Nem sei o por quê direito, porém, foi o suficiente para incluí-lo na minha "DVDteca" (cinemateca?). Outro do qual gosto bastante é "Cidade dos Anjos" - sobre este ainda vou escrever uma postagem específica. Duas produções com temática espírita. Eu, uma atéia, se emocionando com filmes que abordam temas como vida após a morte. Engraçado. Fui criada com liberdade de escolha (graças a ?). Meus pais não me impuseram nenhum tipo de religião/crença. Ficou ao meu critério fazer (sofrer?) primeira comunhão e catequese, apesar de ter estudado a partir dos meus doze anos (aqui em Porto Alegre) em um colégio de freiras. Paradoxalmente, esta escola era bem mais liberal do que a primeira que estudei, no Rio de Janeiro (sim, eu nasci na "Chinelândia"). Esta era comandada (literalmente) por um diretor milico e nazista, que acabou morrendo "sozinho e enfartado", como profetizou a minha mãe. Até cerca de um ano atrás, tinha um certo constrangimento de dizer que sou atéia. Acho que não tinha certeza se era mesmo. Tenho amigos e pessoas pelas quais tenho grande carinho e respeito que são "crentes" (crêem em Jesus)e sempre respeitei seus pontos de vista. Eu vejo Jesus como um personagem histórico, somente. Incrível que, conversando com uma amiga que crê na sua natureza divina, obtive algumas informações muito interessantes. Ela é uma mulher inteligentíssima, que estudou hebraico para ler a versão original da Bíblia. Fiquei impressionada ao saber que está escrito lá: "Adão penetrou Eva". E que, em nenhum momento, o envolvimento dos dois recebeu o cunho de "pecado". Tradução convenientemente distorcida, portanto. Um dia, li uma pesquisa que mencionava que o principal medo das crianças de até cinco anos é...Adivinha? a) Bicho-Papão b) O Véio do Saco c) Monstro do Armário d) Alexandre Nardoni e) Papai-do Céu. Acertou quem escolheu a letra "e". Acredito que ter uma crença pode ser algo muito positivo. Pode realmente trazer conforto. Diversas pesquisas já mostraram que os que crêem, seja lá no que for, lidam melhor com as sua doenças e podem até ter melhor chance de recuperação/cura. Pensei a respeito e cheguei a conclusão que sou uma pessoa de muita fé, apesar de não possuir uma crença ou religião específica. Sou extremamente otimista e acredito em mim. E mesmo já tendo me decepcionado algumas vezes (ninguém se escapa disso), ainda creio que há seres humanos bons. Conversava com uma grande amiga hoje, que sempre me dá ótimas idéias para as minhas postagens. Questionávamos a postura de alguns de colocar a culpa em algo "superior" pelas coisas que lhes acontecem. Principalmente quando são ruins/inconvenientes. É uma forma de funcionamento que soa infantil, por que é uma maneira cômoda de se eximir da responsabilidade. Claro que vários acontecimentos fogem à nossa vontade. Porém, somos diretamente responsáveis por várias de nossas opções: amigos, cônjuges, profissões...Tudo bem. Alguém pode argumentar que existem dificuldades (incluindo financeiras) que podem limitar a gama de alternativas. Lembrei da história de um advogado ex menino de rua. Ok. Talvez seja um exemplo extremo, mas belo mesmo assim. Li outra estatística hoje sobre divórcios. O percentual deles é menor entre casais ateus do que entre os demais, dotados de alguma crença/religião(não fiquei surpresa). Achei um vídeo no Youtube do programa "Sem Fronteiras" (da Globonews-nem sei se existe ainda). Tinha uma entrevista com um biólogo (inglês, se não me engano) chamado Richard Dawkins. Uma frase me chamou bastante a atenção: "É repugnante que algumas pessoas precisem de ameaças, recompensas ou castigos para serem boas". A palavra "repugnante" foi forte, mas ele está coberto de razão. Denota mesmo a grande fraqueza/carência humana. Como havia dito, tenho uma ambigüidade em relação ao tema. Lido constantemente com a morte. E vou tê-la cada vez mais presente, pela área específica da Geriatria que escolhi. Seria bem mais fácil acreditar que existe algo além do que nossos olhos vêem. Já cheguei a desejar uma prova concreta disso. Agora me sinto mais confortável, pois percebi que sei dar valor ao que realmente importa. Tenho espiritualidade, que é independente de qualquer rótulo. E deito com a cabeça bem tranqüila à noite no travesseiro. "A fé – um sexto sentido – transcende o intelecto sem contradizê-lo." - Gandhi

domingo, 11 de maio de 2008

Pacotinho

Cheguei há pouco de um plantãozinho de treze horas. Ontem já tinha feito doze. "Vendendo o corpinho", como diz uma amiga e colega de profissão. E foi um dia ótimo, mesmo trabalhando meio seqüeladinha de duas noites com menos horas de sono que o habitual (sou dorminhoca: 8-10 horas na cama me deixam inteiraça). Ontem, cheguei agitada em casa. Quando estou muito cansada, às vezes demoro um pouco a relaxar. Uma das coisas boas dessa profissão é que aprimorei a minha capacidade de lidar com o cansaço. Se vejo um lindo dia de sol, não consigo dormir o dia todo. Pego meu kit chimarrão, meu MP3 player e vou à Redenção. Nem que seja para desfalecer na grama, como aconteceu outro dia. "Carpe diem". Bom, hoje é dia das Mães e, obviamente, não pude almoçar com a minha. Sem "stress" - lá em casa o pessoal não é muito fanático por datas (ainda bem). Atendi muitas mães (e filhos) hoje. Ouvi algumas vezes a pergunta "A senhora é mãe?". Resposta: "Sim, tenho 3 filhos lindos peludos de quatro patas" - Rubinho, Japinha e Ritinha (meus três gatos, que moram com os "avós"). Minha mãe vive dizendo que o Rubinho ainda vai me processar por abandono de lar. Assuntos felinos à parte, em um dos intervalos, fui tomar um refri e tive a idéia de escrever uma postagem sobre outra lei da física: "dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço". Fiz uma analogia com sentimentos: dois não ocupam o mesmo espaço no coração. Pode parecer piegas, mas é verdade. Foi aí então que tive a idéia de fazer uma coisa que há horas tentava e não conseguia. O que foi, não vem ao caso. Um ato simbólico que representa a conseqüência de algo que aconteceu há poucos dias. Me senti tão bem - a música que ouço agora poderia ter sido a trilha sonora: "Rain Drops Keep Falling On My Head". Lindinha a letra. Transmite uma leveza como a que senti naquele momento. Voltei a trabalhar bem faceirinha. Por vezes, precisamos fazer algumas faxinas nas nossas cabeças. Como os dois sapatos que tirei do armário hoje para doar, por que não são mais adequados para mim. Estava faltando espaço para os meus novos, mais bonitos e confortáveis. Aliás, prezo demais este atributo. Proporcionar conforto não é prioridade apenas para os meus pés. É essencial à minha mente, sobretudo. Podemos escolher os que nos cercam, assim como nossos calçados. Não gosto de me estressar à toa. A presença de alguns seres é semelhante a um 38 apontado para a cabeça. E alguns, ainda mais sórdidos, se divertem brincando de "roleta-russa". Há quem goste. Transtorno de personalidade masoquista, provavelmente. Vem junto com o pacotinho da baixa auto-estima. Compra quem quer. Ah! Feliz dia das "Fabricantes" e aos seus bons "produtos"!

terça-feira, 6 de maio de 2008

Emoções


Confesso: estou escrevendo por culpa, pura e simples. Acho que sou meio temperamental como escritora. Não é todo dia que estou com vontade. Estou com a auto-crítica um pouco alta nesse sentido. Por vezes acho as minhas postagens intimistas demais. Talvez devesse escrever mais seguidamente sobre assuntos mais amenos, como o filme que assisti hoje, por exemplo. "Bee Movie". Adorei. Filme prá criança que nada...Têm várias piadas que o público infantil não compreende. Grande sacada desses caras perceberem que criança não vai sozinha ao cinema. Importante cativar quem os leva também. Teve uma alfinetada a advogados no final sensacional - não conto para não estragar a surpresa de quem assistir. Poderia citar aqui diversos títulos "infantis" que curti mais que criança: "Monstros S. A.", "Procurando Nemo", "Schrek" (da trilogia, prefiro o primeiro), Lillo & Stitch (1 e 2), Os Incríveis, "A Era do Gelo" (1 e 2) e por aí vai. Tive uma certa resistência em ver o primeiro Harry Potter, confesso. Porém, depois, fiquei doida para conferir as seqüências. Outro que fui persuadida a ver na ocasião foi "X-Men". Novamente tive que me render. Se bem que "X-Men" não é exatamente voltado para a gurizada. Tem uma mensagem sobre preconceito maravilhosa nele. A trilogia de "Senhor dos Anéis" não foi exatamente amor à primeira vista. Fui no cinema sozinha, como faço seguidamente, sem olhar a programação. Comprei o ingresso com aquele espírito "não tem tu, vai tu mesmo" (português tosco). Depois de ver o primeiro, decidi assistir aos demais. Nem que fosse só para comentar e também, claro, ampliar minha cultura (ainda restrita) sobre cinema. Aliás, tenho alugado diversos filmes. Têm épocas que não assisto a nada. Aí daqui a pouco vem aquela febre e chego a ver 2 ou 3 no mesmo dia. Nas últimas semanas loquei "O Último Tango Em Paris" (aquele da "cena da manteiga"), "Perdas e Danos" (atuação fantástica da Juliette Binoche), "Cinema Paradiso" (a cena "Vai tomar no c*, Alfredo!" marcou época na primeira versão, segundo meu pai), "Uma Rua Chamada Pecado" (tradução infeliz de "Um Bonde Chamado Desejo"). Vou ter que fazer um comentário especial sobre este. Quis assistir para ver o Marlon Brando. Minha mãe tinha razão. Ele era lindíssimo mesmo (excluindo a voz, que era pavorosa - conseguiram piorá-la em "O Poderoso Chefão" enchendo as bochechas do ex-galã com algodão). Putz. A beleza dele era mesmo desconcertante. Não consigo lembrar de um ator hollywodiano atualmente que se equipare. Rosto quadrado, traços marcantes, uma boca bem desenhada (esculpida). Não era muito alto para os padrões atuais, mas tinha um corpão sim (com destaque para a região glútea - pena que o corte das calças daquela época não realçavam esse atributo). Eu diria: vai ser baixinho assim lá em casa. Se fosse nos dias atuais, mandaria "empalhar" (eu sei que este termo não se aplica a humanos)o Marlon Brando (e o Elvis no início da carreira). Que bobagem! Acho que agora deixei a minha mãe feliz. Ela já demonstrou ciúmes de eu ter citado meu pai aqui no blog. Vou comentar mais uma coisinha, então. Cresci ouvindo música por que a minha mãe mantinha o rádio ligado o dia inteiro em estações "geriátricas", digo, com músicas da época dela (agora a véia me enforca). Veio daí o meu gosto pelas músicas antigas. Bem, acho que pela música em geral. Reza a lenda que tinha uma canção do Roberto Carlos que eu e o meu irmão ouvíamos e chorávamos. Cada vez que começava a tocar, minha mãe corria para mudar a sintonia. Custei a admitir que aprecio algumas músicas dele (um dos critérios de amadurecimento - lembram?). Entrei na minha formatura da Geriatria ao som de "Emoções". Foi escolhida a dedo: tinha que ser uma canção geriátrica mesmo. E que eu tivesse certeza de que daqui a uns trinta anos ainda me emocionasse ao ouvi-la. Obrigada, Senhor# "perdi as contas" por herdar, além da língua afiada, a sensibilidade musical da mami. Obs: não chora, mãe!!!

terça-feira, 22 de abril de 2008

Desligue O Foda-se


A inspiração para esta postagem veio de um blog de um amigo, cujo título do texto era "Ligue o foda-se e seja feliz". Essa frase ficou martelando na minha cabeça...Tudo bem, ligar o foda-se pode ser válido às vezes. Nem sempre devemos deixar de fazer coisas preocupados com o que os outros vão achar. Fora de um contexto pode ser um ótimo argumento. Agora, considerando que nossos atos repercutem ao nosso redor, vale a pena sempre ponderar bastante antes de apertar o botão, pois o estrago pode ser equivalente ao puxar o pino de uma granada. Os butiás continuam caindo dos meus bolsos. Fico os observando, orgulhosa da minha capacidade de me chocar com o que vejo. Aliás, jamais quero perdê-la. Outro dia, conversava com meu pai a respeito das religiões. Ele fez um comentário bem interessante que as religiões evitam muitos crimes no mundo. "Temente a Deus". Essa frase é ótima. Eu não preciso ter medo de nada/ninguém para saber diferenciar o certo e errado, por mais subjetivo que eles possam parecer. A menos que seja um sociopata (psicopata), qualquer ser humano é dotado desse discernimento. É uma questão de se importar. "Torna-te eternamente responsável por quem cativas". Li uma matéria na Galileu (revistas como essas são ótimas) que dizia que o sentimento de empatia está presente até nos animais. "Empatia". Já disse aqui o quanto gosto dessa palavra. Coisas banais do dia-a-dia, como dar passagem a alguém no trânsito, tirar a bandeja de comida quando alguém vai se sentar à mesa imediatamente após levantarmos...Educação? Também. Mas no fim, tudo se resume a empatia. Conversava ontem com um "cyberfriend" sobre relacionamentos e ele me contou que tem uma conhecida que se dizia chocada por sistematicamente TODAS as suas amigas já terem traído seus namorados. Ninguém está livre de se envolver com outra pessoa por estar compromissado. E por que raios é tão difícil simplesmente falar a verdade (com seus devidos cuidados)? Extrapolo esse comentário para outros espectros da vida. Os meus melhores amigos são aqueles que puxam as minhas orelhas de vez em quando. Tudo bem - nem todos têm facilidade (capacidade?) de ouvir críticas. Nem a sensibilidade necessária ao tecê-las (affff). Por vezes, existe uma má vontade de tentar tremenda. Por que? Por que dá trabalho. E é mais simples largar de mão. Ou se abandona por que claramente o esforço seria em vão (atitude inteligente). Baaaaita fuga de idéias. Na verdade, estou um pouco (tanto?) decepcionada. Não com toda a humanidade, felizmente. Só com uma partezinha dela. Sou brasileira...e desisto às vezes. E o meu foda-se tem no break.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

A Pseudo Álgebra da "CDF"

Escrever. Como isso me faz bem. Que bom estar de volta aqui.Estava um pouco introspectiva, sem saber direito o que dizer. E, após algumas cabeçadas na vida, aprendi que quando não se sabe ao certo o que falar, é melhor calar (profundo isso). Que coisa egocêntrica que eu vou dizer agora, mas hoje tive a sensação de que a melhor companhia para mim seria...EU MESMA. Sabe, eu adoro estar na presença de amigos, conhecer gente nova (que acrescente algo de bom)...gosto de interagir, enfim.Porém, aprecio muito o silêncio. Não disse "estar sozinha" propositadamente. A "solidão" independe de estarmos em companhia de alguém. Quem já não teve aquela sensação quase cinematográfica de sentir a multidão ao seu redor calar? Baita clichezão isso. Na verdade, estava buscando em minhas memórias a vez mais recente (não digo última, por que com certeza não será) que me senti assim. Bem... nevermind (tô parecendo a Gisele Bündchen). Estou aqui me enrolando para dormir tarde por que amanhã a noite será de muito trabalho. Parece uma fuga de idéias, mas não é! Postei no meu blog aquele vídeo "Sunscreen", o qual constava no meu falecido Orkut. O assisti pela milionésima vez e me chamou a atenção aquela parte "Não se preocupe com o futuro, pois saiba que preocupação é tão eficaz quanto mascar chiclete para resolver uma equação de álgebra".Essa parte eu não consigo pôr em prática. Só se eu virasse hippie e fosse morar na Guarda do Embaú (nada mau)...Não vejo como "preocupação". É um planejamento. Estudando e trabalhando com afinco para não ter que virar noites (trabalhando) daqui a alguns (poucos, espero) anos. Recentemente, pelo menos duas pessoas me chamaram de "CDF". Nunca pensei que fosse ficar faceira (termo geriátrico) ao receber esse adjetivo. "CDF" sim, workaholic,jamais!!! Me empenho agora por que busco, sobretudo, qualidade de vida. Ganhar rios de dinheiro sem ter tempo de aproveitá-lo, não faz sentido algum. Custos X benefícios (mais uma vez). E o que isso tem a ver com o tema inicial da postagem? Nem eu sei mais direito. Queria só papear mesmo. Boa noite a todos, então!

quarta-feira, 16 de abril de 2008

O Elefante Ululante


Hoje fui ao cinema assistir "Antes de Partir". Aquele meu amigo "fêmea" (gênero masculino)havia me indicado há meses...Ele tinha razão quando disse que o filme era maravilhoso. Profundo, sem ser pesado.Somando o fato que recém tinha saído da terapia (eufemismo para "Psiquiatra"), já estava pensativa antes de assistí-lo. Imagina depois, então. As pessoas mais próximas a mim sabem que um dos meus principais interesses profissionais é a área de cuidados paliativos. Aliás, esse termo em português tem uma conotação inadequada. "Paliativo" deriva do latim "Pallium" (manto, cobertor). É uma idéia de acolhimento, não de medidas paliativas conforme o significado em português. O filme foi muito interessante sob a perspectiva de alguém que lida com isso. A sutileza do médico dando a notícia ao personagem do Jack Nicholson foi equivalente a de um elefante perambulando por uma loja de cristais. Bem, gente sem sensibilidade é o que mais tem por aí. Dentro da sala do cinema ouvi o comentário de uma moça (referindo-se a um senhor com dificuldade de locomoção que estava recebendo auxílio para sentar-se): "O que essa gente que nem sabe andar direito faz em um cinema? Só para dar trabalho aos outros!". Como geriatra (e ser humano) tive uma quase incontrolável vontade de me levantar e dizer para a criatura: "Tomara que se um dia tiveres dificuldade, que alguém tenha mais compaixão do que tu para te ajudar!". Segurei a onda e fiquei quieta. Até por que, com uma mentalidade dessas, seria mais produtivo conversar com o extintor de incêndio...Bom, fazendo novamente uma conexão com a terapia, minha terapeuta fez um comentário bem interessante: que posso extrapolar toda a minha paciência (leia-se controle da ansiedade) que tenho com a minha profissão para a minha vida pessoal. Ainda mais lidando com cuidados paliativos (pacientes com doenças crônicas e sem perspectiva de cura). Os parâmetros são totalmente diferentes da formação médica tradicional. Esta tende a encarar a morte como uma derrota e, sob essa ótica, "não há nada mais a ser feito". Não culpo quem pensa assim, afinal é praticamente uma atitude condicionada. Lida-se com a morte diariamente, porém, raríssimas vezes se fala no assunto ao longo da formação acadêmica. Lembrei do episódio em que um colega lá de São Paulo, quando era médico residente, foi proibido de debater sobre morte nas reuniões científicas. Felizmente, é uma mentalidade que gradualmente está se modificando. Sim, é difícil lidar com a morte, pois ela esfrega na nossa cara a nossa própria vulnerabilidade. Taí um dos motivos pelos quais resolvi voltar a fazer terapia. Me sentei na poltrona (não tem divã) novamente por que senti necessidade de evoluir. Com respaldo, se torna bem mais fácil. E está valendo muito à pena. Estou fazendo agora o que uma amiga chamou uma vez de "dever de casa". Por que "fazer" terapia é diferente de simplesmente "freqüentar". Quando saí do cinema, fiquei pensando nos dez ìtens que constariam na minha lista de coisas a fazer antes de morrer. Isso é uma grande bobagem, na verdade. Alguém aí tem hora marcada para morrer (excluindo os suicidas)? Eu não tenho. Mas o interessante é que ela pode representar o que/quem realmente importa. Sabe, uma das primeiras providências seria reencontrar um alguém do meu passado a quem fiquei com a impressão de que ainda há muito a se dizer, por mais que nada venha a mudar. Não tenho o hábito de me arrepender do que faço, por alguns motivos. Costumo ponderar minhas decisões e sempre as considero dentro de um contexto e de uma intenção. Entretanto, tudo e todos são passíveis de falhas. E nunca deve ser tarde para se desculpar pelas nossas. Obs: não espere morrer para agir (a obviedade ululante de uma ironia).

sábado, 29 de março de 2008

The Butiás and the Law of Gravity - Google Translator Tabajara

The Butiás and the Law of Gravity
Mulher feliz com as suas escolhas e capaz de repensá-las. Women happy with their choices and capable of repensá them. Importante isso. Important that. "Não tomar posse do seu plano de vida é torná-la um acidente". "Do not take possession of your life plan is to make it an accident." Li esta frase hoje no msn e refleti muito sobre ela. I read this sentence today in msn and refleti much about it. Grande parte das pessoas não percebem a real dimensão disso. Most people do not understand the real dimension of this. É muito mais cômodo, não é mesmo? It is much more convenient, right? Parece aquela mentalidade de certas mulheres que apanham do "companheiro" bebum e dizem: "Mas quando ele não bebe é uma boa pessoa...". It seems that mentality of some women who get the "companion" bebum and say, "But when he does not drink is a good person ...". Bem-feito. Well-done. Quem mandou escolher alguém assim? Who he choose someone well? Repito: NINGUÉM muda a sua essência. I repeat: ANY PERSON change its essence. O que alguns podem encarar como radicalismo, eu chamo de óbvio. What some may see as radical, of course I call. Sim, eu ainda acredito na bondade e na capacidade de evolução humana. Yes, I still believe in goodness and in the capacity of human evolution. Essência é aquilo que está arraigado. Essence is what is arraigado. Tudo bem, vou fazer uma forcinha (forçando a amizade?) para demonstrar um pouco de otimismo: pode ser que com um enorme esforço (ea ajuda de um bom psiquiatra - exceto nos portadores de alguns sérios transtornos de personalidade), TALVEZ alguns seres iluminados sejam capaz de se transformarem. Okay, I will make a forcinha (forcing a friendship?) To show a bit of optimism: it may be that with a huge effort (and the help of a good psychiatrist - except in some individuals with serious disorders of personality), MAY some enlightened beings are capable of becoming. O meu diabinho pessimista (realista?) acabou de socar a fuça do anjinho e dizer que, no máximo, é possível dar uma "maquiadinha". My pessimistic daemon (realistic?) Just socar the fuça of anjinho and say that at most, it is possible to give a "maquiadinha." Estou escrevendo sobre esse assunto sob outro forte viés. I am writing on this topic in another strong bias. Os butiás caíram dos meus bolsos e se esparramaram pelo chão. The butiás fell from my pockets and if esparramaram the ground. E eu não vou me agachar para catá-los. And I will not agachar me to catá them. Eram butiás de cristal. They were butiás of glass. Agora quebrados e com bordos cortantes. Now broken and cutting edges. E eu não estou disposta a me ferir mais do que ao vê-los se estatelarem no chão. And I am not willing to hurt me more than to see them if estatelarem the ground. Tudo é uma questão de riscos X benefícios. Everything is a matter of risk X benefits. E era isso. And was that.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Cecília II

A arte de ser feliz


Cecília Meireles


Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.

Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.

Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. Ás vezes, um galo canta. Às vezes, um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Cecília Meireles

Fio


No fio da respiração,
rola a minha vida monótona,
rola o peso do meu coração.


Tu não vês o jogo perdendo-se
como as palavras de uma canção.


Passas longe, entre nuvens rápidas,
com tantas estrelas na mão...


— Para que serve o fio trêmulo
em que rola o meu coração?

terça-feira, 11 de março de 2008

Demolidor


Após assistir a um DVD que um querido amigo me deu há algum tempo ("oldies" nem tão velhas assim...anos 80/90) e ouvir mais uma trilha sonora da minha vida (I don't want to, talk about it...how you broke my heart...), resolvi me sentar em frente ao computador e fazer uma "limpezinha" no meu Orkut. Comecei a olhar algumas criaturas e a me questionar o que faziam lá, se não acrescentavam absolutamente nada de bom à minha vida. Perdi o foco (isso o que dá escrever e fazer as unhas ao mesmo tempo). Bom, na verdade, vou mudá-lo de propósito. Pensei muito hoje no poder das palavras. Já escrevi sobre isso em uma postagem mais antiga. Me recordo de ter usado o termo "sinceridade desmedida". Prá ser sincera, nunca me arrependi de ter dito a verdade. Muito provavelmente magoei algumas pessoas nessa trajetória. Me recordo bem especialmente de uma, porém, não me arrependo, por que era muito nova e imatura para compreender o real impacto disso. Um dia até brinquei que optaria por ser violentada pela verdade a ser bolinada pela mentira. Nesse momento, após provar do próprio veneno, digamos assim, faria algumas ressalvas.Aprendi na faculdade de medicina o significado de uma palavra muito bonita: "empatia". Mais do que isso, entendi o seu valor. Significa a capacidade de colocar-se no lugar do outro. Um sincero sem empatia pode tornar-se um destruidor. Demolidor de amizades, de amores... de relações humanas, enfim. É como alguém que tem nas mãos uma Ferrari e não sabe dirigir. Corre o enorme risco de ferir aos outros e a si próprio, sobretudo. Resultado: o propósito inicial, por mais nobre que seja, deturpa-se. Para alguns, pode parecer um comportamento político. Não, não é. "A palavra é como a flecha lançada.". Podes te arrepender e tentar removê-la. E ao menos que seja como aquele cara inimigo do Schwarznegger(escrevi certo?) em "O Exterminador do Futuro", inevitavelmente ficará uma cicatriz. Nesse momento, estou com uma inveja dele...Nós, meros mortais, temos apenas nosso instinto de preservação. Gostaria de saber adotar a "resistência pacífica" do Gandhi. Mas reconheço as minhas limitações. Não sou tão evoluída assim. Que pena.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Os Butiás e a Lei da Gravidade

Mulher feliz com as suas escolhas e capaz de repensá-las. Importante isso. "Não tomar posse do seu plano de vida é torná-la um acidente". Li esta frase hoje no msn e refleti muito sobre ela. Grande parte das pessoas não percebem a real dimensão disso. É muito mais cômodo, não é mesmo? Parece aquela mentalidade de certas mulheres que apanham do "companheiro" bebum e dizem: "Mas quando ele não bebe é uma boa pessoa...". Bem-feito. Quem mandou escolher alguém assim? Repito: NINGUÉM muda a sua essência. O que alguns podem encarar como radicalismo, eu chamo de óbvio. Sim, eu ainda acredito na bondade e na capacidade de evolução humana. Essência é aquilo que está arraigado. Tudo bem, vou fazer uma forcinha (forçando a amizade?) para demonstrar um pouco de otimismo: pode ser que com um enorme esforço (e a ajuda de um bom psiquiatra - exceto nos portadores de alguns sérios transtornos de personalidade), TALVEZ alguns seres iluminados sejam capaz de se transformarem. O meu diabinho pessimista (realista?) acabou de socar a fuça do anjinho e dizer que, no máximo, é possível dar uma "maquiadinha". Estou escrevendo sobre esse assunto sob outro forte viés. Os butiás caíram dos meus bolsos e se esparramaram pelo chão. E eu não vou me agachar para catá-los. Eram butiás de cristal. Agora quebrados e com bordos cortantes. E eu não estou disposta a me ferir mais do que ao vê-los se estatelarem no chão. Tudo é uma questão de riscos X benefícios. E era isso.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

"O Retorno dos Butiá"

Um dia que tinha tudo para ser mais um dia qualquer. Mais uma ida à Redenção para caminhar, estudar, pensar na vida ou observar os transeuntes peculiares (ou tudo isso junto). Ah! Esqueci de citar o "dormir". Há alguns dias fui lá para tomar um chimarrão e adormeci. Uma hora e meia desfalecida na grama. Ainda bem que o parque estava bem cheio e eu estava usando minha bolsa como travesseiro. Aliás, aquele dia foi exatamente o oposto de hoje: começou com a expectativa de ser ótimo e foi uma bosta (primeira palavra de baixo calão do meu blog). Bom, mas felizmente isso não vem mais ao caso. Prefiro dispender minhas palavras falando de pessoas que nos surpreendem para o bem. As desarmadas, satisfeitas com a vida (satisfeitas, não acomodadas), sem redomas intransponíveis...Enfim, me dei conta de que não devemos tentar colocar ninguém em um divã (ao menos que a criatura espontaneamente procure um profissional habilitado para isso). Sério. Tô irritada comigo de ficar sempre procurando um "por quê" que justifique determinadas atitudes. Contradizendo minhas palavras: nem tudo é contextualizável. "Fulano age dessa forma por que blá, blá, blá...". A vida real não funciona assim. Existe uma coisa que alguém (como quiser chamar) concedeu ao ser humano que é o LIVRE ARBÍTRIO. Só que é bem mais cômodo ficar tentando endossar comportamentos com argumentos inconsistentes, frágeis.Tenho feito um esforço contínuo de enxergar à minha volta com maior objetividade."I'm gonna live, 'till I die. I'm gonna live, 'till get high". Essa música chama-se "Run Wild". Evolução. Essa é a questão fundamental. Pode-se optar por andar agachado, catando cacos, ou assumir uma postura ereta e construir uma história diferente. A TUA trajetória. Não a que te transmitiram das mais diversas formas (palavras, atitudes). Recebemos muitas mensagens ao longo da vida. Define o que é "Spam" e deleta. Uma de minhas recentes postagens neste blog discorre sobre isso. Cansei de pagar por contas que não são minhas. Já devo ter agido assim em algum momento, com certeza. Porém, tenho crítica o bastante para não fazê-lo deliberadamente. Fiquei feliz hoje ao conhecer alguém que, à primeira impressão, tem uma visão semelhante à minha. Feliz não é bem a palavra. "Me caiu os butiá do bolso" - ou seria melhor dizer que eles voltaram aos meus bolsos??? Um dia desses, comentei com o meu pai que parecia tão distorcido nos sentirmos surpreendidos pela boa educação alheia...Não deveria suceder o oposto? Pois então...O mundo está ao contrário e NINGUÉM reparou. Ou QUASE ninguém.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Ser humano = carro & cão = auto-diversão

Mais um texto que inicia sem um propósito claro. Desabafar, talvez. Tô meio "down" desde ontem. Sou uma pessoa alegre na grande parte do tempo. Aliás, pode soar ridículo e até paranóide, mas às vezes tenho impressão de que o meu grau de felicidade irrita algumas pessoas. Pode até ser...provavelmente não sejam adequadas ao meu convívio. Tô meio "down regulation" mesmo. Vou pôr uma musiquinha prá levantar o astral! É isso aí. Bom, mas voltando ao assunto (que assunto?)...Deitada ontem, prestes a dormir, tive mais um daqueles pensamentos esdrúxulos. Pensei que os seres humanos deveriam ser parte cão e parte carro. A porção canina: um rabo ("cauda" fica mais elegante) para demonstrar emoções. Tão simples seria chegar prá papear com alguém e poder dar uma espiadinha para o traseiro e ter uma prévia do seu estado de espírito...Explicando agora a parte "veicular": que tal um pisca-pisca? "Vou mudar de direção...". Mas não vale ligar no momento em que já está fazendo a curva...Na dúvida da prudência alheia, é sensato não andar "colado" (nem correndo) atrás de um motorista desconhecido (nem conhecido - é perigoso também). Eu e as minhas analogias...O que o ser humano tem de equivalente ao rabo do cachorro? Me parece que são os olhos (que clichezão brabo). Putz! E como me sinto desconfortável quando alguém não olha nos meus...ou fica de óculos escuros (em conversas relevantes, claro). Até li uma vez que, ao contrário da idéia que tinha, aqueles que mentem, quando o fazem, costumam olhar diretamente nos olhos do interlocutor. Existem outros fatores mais óbvios, como a timidez, por exemplo. Só sei que um olhar evitativo é incômodo demais para mim.O parâmetro das pupilas eu já desconsidero, por serem também dilatadas por álcool e outros entorpecentes. E a mulherada antigamente instilava Beladona nos olhos para torná-los mais atraentes...Atualmente quebramos um galho com sombra, rímel e lápis mesmo (e alguns "Emos" e o Ozzy - este, eu perdôo). Me sinto mais leve agora. Eu me auto-divirto - eu realmente sou capaz disso. Obrigada, Senhor # "perdi as contas".

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Terceira Lei de Newton

Terceira Lei de Newton ou lei da ação e reação: para toda força aplicada, existe outra de mesmo módulo, mesma direção e sentido oposto ...
Primeira Lei da Tia Beth: para toda a falta ação, inexiste uma reação.
Misturar as duas leis contraria um princípio básico da física, certo?
Então, vide o texto "Água". Simples como a vida deve (ria) ser.

"O Corpo Grita"- por Discovery Channel

"O Corpo Grita". Este seria um bom título para o meu primeiro livro. O clássico "O Corpo Fala", que li há alguns anos, me pareceu inicialmente mais um apanhado de clichês sobre linguagem corporal. Ler sinais emitidos isoladamente é como ler uma frase solta e interpretá-la fora de um contexto. Perigosíssimo isso. Confesso que esse assunto muito me interessa, pois é bastante evidente que a boca é o que menos fala. Já pensei diversas vezes o custo-benefício desse tipo de leitura...Como diriam alguns "teenagers": "É de pirar o cabeção." Me lembrei de quando recentemente conversei com, digamos assim, "uma pessoa pública", em mais uma de minhas incursões na noite de Porto Alegre(já citado em outro texto deste blog). Um cara super bom papo...Fiquei horas conversando com a criatura...Atenta ao que ele dizia, paralelamente a minha cabecinha funcionava a mil e os meus olhinhos rastreavam o cara de cima a baixo (não era exatamente um modelo de beleza - o "efeito Pitanguy" não atua até um certo nível etílico). Conclusão inevitável: "Baaah, mas que cara mais falcatrua!". E o preconceito virou conceito. E olha que ele em tese deveria saber dissimular esses sinais, por que orienta pessoas públicas a se expressarem na mídia. Mas bebeu o suficiente prá baixar a guarda, digamos. Podem ser desastrosamente errôneas essas interpretações quando conhecemos pouco o funcionamento de alguém...mas na maioria das vezes ajuda, pelo menos em parte. Mas veja bem: no final das contas, basta assistir "Discovery Channel". O comportamento humano não difere em quase nada daqueles animais selvagens...só mudam as motivações. Complicar prá que, né? Pois é. Me faço essa pergunta todo santo dia. Deve ser mais racional ser um animal que não pensa. Mais um paradoxo prá coleção...

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

"Gosto, mas tenho vergonha."

Da série: "Gosto, mas tenho vergonha." Lembrei dessa comunidade Orkutiana ao ouvir um amigo declarar que adora Xitãozinho e Xororó. Pensei: Afff...Tem gosto prá tudo! Crítica em relação ao meu próprio preconceito, percebi a estupidez do meu comentário. Gosto é gosto, afinal (desculpem o clichê). Comecei a refletir sobre preconceitos. Sobre um em especial, ao ouvir um amigo tentar justificar seus atos com argumentos frágeis. Esse indivíduo já foi citado nesse blog (aquele que me chamou da mulher mais "macha" que ele conhece, e que, na ocasião, considerava "o mais fêmea" dos meus amigOs). Acompanhei o "antes e depois" desse rapaz (como um "Extreme Makeover versão O Médico e o Monstro). "Antes e depois" de ser traído por sua mulher, ou melhor, pela mulher que se encontrava ao seu lado. Percebi o quanto uma deslealdade (um conceito bem mais amplo que "traição") pode abalar a auto-estima de alguém. Mas esse me parece dos males o menor...Tudo bem, talvez não tenha o "know-how" para versar sobre o assunto (ou acho que não tenho). Sempre penso holisticamente na repercussão (que lindo isso) de uma atitude qualquer. Tudo tem um "efeito dominó", digamos. E o que isso tem a ver com "Gosto, mas tenho vergonha"? É algo semelhante a "Gosto, mas tenho medo". Nem sei direito como explicar, porém surgiu essa associação nessa minha mente fértil (cheia de adubo?)...Vamos lá direto ao ponto (finalmente!!!), então. Me questionei por que apresentamos as nossas contas às pessoas erradas. Faz algum sentido cobrar de "siclano", se é "fulano" que está te "devendo"? Devedor: quem mentiu <=> enganou <=> decepcionou <=> magoou <=> chifrou <=> abandonou ...In-ter-mi-ná-vel essa lista...Voltando ao amigo, que está "apresentando a conta" à sua atual namorada. Metralhado (terapia do joelhaço) por mim e mais uma outra mulher muito, mas muuuuito braba, o pobre coitado (tenho minhas dúvidas) não conseguia argumentar de forma consistente ("Ai, eu abro a boca e só tomo nos dedos...").Pensei que talvez na época em que ele foi "contemplado" (chifre = consórcio), que seria benéfico que procurasse um psiquiatra. Hoje tenho minhas dúvidas...Paciente sem "insight" (o "dar-se conta", grosseiramente falando) dificulta bastante o trabalho de qualquer terapeuta. O meu amigo APARENTEMENTE se dá conta. Eu prefiro achar que não, por ainda considerá-lo "do bem" (maniqueísmo barato) e por sempre procurar entender as motivações de qualquer ato (relembrando: um assassinato é sempre um assassinato - o que muda são as motivações - em um julgamento, por exemplo). Talvez a minha forma de pensar tenha o viés de uma "não traumatizada". Posso apenas imaginar como reagiria. Meu palpite, me conhecendo bem, é que manteria essa postura. Sou muito otimista em relação à vida como um todo - não poderia ser diferente em relação às pessoas. Um dia desses, comentei com uma amiga (a "braba", supracitada) que por vezes me sentia como uma criança(pequena) que a mãe esbraveja "Papai Noel não existe, sua estúpida!!!". Existe um limite prá quebrar as ilusões, ou melhor, as expectativas, alheias. Mesmo quando o propósito é nobre (proteger, no caso). Entra aí de novo "Eu gosto, mas tenho medo". Medo de apresentar a conta a quem nada deve (prá ti, pelo menos)<=> medo de se expor <=> de se tornar vulnerável...Prato-feito para um belo boicote ao próprio bem-estar (proporcionado por uma consciência tranqüila, o que transcende o conceito de "felicidade").É a retroalimentação viciosa e sem crítica daquela sistemática de que não se gosta e DEVERIA se envergonhar (achei a conexão). E vê só que curioso: meu amigo "fêmea" se apaixonou pela minha amiga "braba"(!). Nem Freud arriscaria a explicar.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Clarice

Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue;outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho...o de mais nada fazer.

Clarice Lispector

domingo, 27 de janeiro de 2008

Vende-se Casa III - por Lisandra Souza

INSISTÊNCIA versus PERSISTÊNCIA


(Não deixe que o orgulho e a vaidade atrapalhem seus lucros emocionais)


Ah, o vendedor.. algumas pessoas sentem repulsa em relação a este profissional, pois visualizam uma situação em que algo será "empurrado", com muita insistência, ansiedade e imediatismo, focado nos interesses do vendedor e desconsiderando as necessidades e desejos do cliente.

Na vida pessoal, todos nós somos "vendedores" e geralmente adotamos a mesma postura que tanto criticamos.

Ao conhecer alguém, apresentamo-nos como "produto", salientamos nossos "benefícios" a fim de justificar o investimento e resultado que esperamos.

Auto-estima é realmente muito importante nesse processo de "venda pessoal", mas quem a alimenta exageradamente torna-se narcisista a ponto de acreditar que jamais será rejeitado.

Quando desprezamos o desejo alheio, acreditando que podemos escolher (e ser escolhido)pelo outro, estamos repetindo os mesmos erros daquele vendedor chato, tentando criar em nosso "público-alvo" uma necessidade que não existe.

Podemos influenciá-lo por algum tempo, mas chegará o momento em que se sentirá tão insatisfeito que ele buscará algo que realmente corresponda às suas expectativas.

A dificuldade em lidar com a rejeição faz com que a pessoa descontrole-se emocionalmente, utilizando agressões verbais, chantagens emocionais e impedindo a compreensão de que ela já viveu a mesma situação, porém em posição diferente... afinal, quem nunca sentiu sob seus ombros o peso dos sonhos alheios??

Portanto, o ideal é manter uma postura cordial e ter consciência de que a maioria das pessoas precisam de tempo para tomar decisões importantes e rever seus conceitos e necessidades.

Pode ser que o "cliente" avalie melhor, desculpe-se pelo descaso inicial e finalmente adquira o que você tem a oferecer.. porém a possibilidade dele nunca mais fazer contato é a mesma.

Enquanto isso, o "produto" deve continuar exposto na vitrine; é inútil reservá-lo a quem não demonstrou interesse ou deixou claro que não está disposto a realizar tal investimento.

A experiência em cada situação permitirá que a percepção e sensibilidade sejam desenvolvidas, evitando o desperdício de esforços entre pessoas com missão, visão e valores diferentes.

By Lili

sábado, 26 de janeiro de 2008

Vende-se Casa II

Vinha dirigindo pensativa, voltando de um bar da Cidade Baixa (Boemiiiiiaaaa, aqui me tens de regreeeessoooo - canção geriátrica): preciso chegar em casa e escrever. Mil idéias passando em minha cabeça e eu tentando focar em um assunto...Ainda não escolhi, na verdade...Deixando fluir...Ah, sim! Lembrei!Dentro do elevador, refletia que sou uma pessoa legitimamente nascida para compartilhar. Desde a minha mais remota lembrança como ser humano, eu sou assim. "Ai, que liiiiindooooo! Como ela é altruísta!". Não, não. Isso é assumidamente um ato egoísta, por que se não me fizesse bem, não manteria esse comportamento. Já foi tecido um comentário a esse respeito por uma amiga (te amo, Nanica):"Tu tens o pacote pronto e quer dá-lo a alguém, só não sabes para quem.". Sim, é verdade. Daquelas excruciantes, como a ausência de um dente da frente (gracias, Clarice). Esse texto pode ser "um tiro no pé", por um lado. Imagina um homem solteiro lendo e pensando: "Essa tem quase trinta - deve tá batendo o desespero..." (sirene da auto-crítica: uuuuuuóóóóóóó...). Na-na-ni-na-nã! O cerne dessa reflexão é outro. Pensei muito novamente sobre isso hoje, ao fazer um acordo com um homem: ele entrou com o pé e eu com a bunda - a máxima de perder o amigo, mas jamais a piada, é válida para eu mesma (minha forma peculiar de suavizar a adversidade - sem negá-la). Percebi concretamente essa minha necessidade de dividir ao passar os quase últimos trinta dias em Sampa. Acostumada a compartilhar minha vida sistematicamente com pessoas próximas (de "proximidade"), me vi desorientada ao passar uma semana sem fazê-lo. Comparo isso à desfragmentação de um disco rígido - como um Psiquiatra (ou terapeuta) auxilia seus pacientes, otimizando seu funcionamento. Conheci uma mulher muito especial nesse momento, que tornou minha estada em São Paulo menos árida (obrigada, querida). Após essa breve quase fuga-de-idéias, volto à história do tal "pacote". Simplificando: esse "pacote" consiste em uma parte (reforço: apenas uma parte) da minha vida. Conversando hoje à tarde com uma amiga (que tem um "quê" de anjo), comentamos de como algumas pessoas fazem questão de tornar as coisas difíceis. No momento de uma separação, por exemplo. Existem as que se valem do apelo ("chantagem") emocional, numa forma velada de exprimir um grande narcisismo (valeu, Lili): "Quem essa pessoa pensa que é para rejeitar alguém como eu???". Considerando como algo pessoal o que de fato não o é, adota uma postura punitiva, querendo incutir o sentimento de culpa no outro. Me parece falta de auto-estima. Claro que pode enviesar para o outro extremo da absoluta ausência de auto-crítica, o que também pode ser prejudicial e descambar para a arrogância pura e simples. Tênue limiar. Mais uma fuguinha de idéias: mulher moderna é o escambau!!! Longe de ser conservadora também. Conceitos antagônicos? Nãããããão! Quem consegue ver isso em mim, me enxerga (se não é o que deseja, ou não é capaz, já não me diz respeito). Captaram o espírito da coisa? Putz! Esse texto ficou quase uma continuação do "Vende-se casa"- gostei disso.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Redescobrindo Clarice Lispector *

Rifa-se um coração
Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste
de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração
que acha que Tim Maia
estava certo quando escreveu...
"...não quero dinheiro, eu quero amor sincero,
é isso que eu espero...".
Um idealista...Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a
esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando
relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer
sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome
de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional
que abre sorrisos tão largos que quase dá
pra engolir as orelhas, mas que
também arranca lágrimas
e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado
por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida matando o tempo,
defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras
e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer
para São Pedro na hora da prestação de contas:
"O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e,
se recusa a envelhecer"
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por
outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate
tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda
não foi adotado, provavelmente, por se recusar
a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence
seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de se aventurar como poeta



* Agradecimento especial à minha professora de Literatura Wilma Barata Martins, que me apresentou a esta autora aos dezessete anos.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Queimando o sutiã

São exatamente quatro horas da manhã quando comecei a escrever este texto. Acabei de chegar na minha querida casinha e vim correndo para a frente do micro. Com fome e sede, trouxe a minha garrafinha de água e uma barra de cereal. Fiz esta noite o que considero a queima definitiva do meu sutiã. Tomei coragem, impulsionada pelos dizeres de "Sunscreen" (versão brasileira do repórter e gato - atropelado - Pedro Bial): "faça todos os dias uma coisa que realmente te dê medo" (assassinando o português, em prol da linguagem coloquial). Estava com uma amiga no Cherry Blues geriatricamente sentadinhas tomando uma Coca Zero quando resolvemos "vazar" (adoro essa palavra) dali. No meio do caminho para outro local, minha sempre companheira de festas começou a bocejar (se tem uma pessoa que tem esse direito, é ela). Então, a deixei em casa, sem mencionar que pretendia sair "solita". Ela poderia querer me persuadir do contrário ou ir se arrastando só pela parceria ("é bem o teu tipinho"). A caminho do local escolhido, dirigia pensativa: "É hoje que eu acabo com essa frescura! Eu, uma mulher moderna e com iniciativa, vai ficar com medinho DISSO???" Vinte e nove anos na cara e NUNCA havia me aventurado sozinha na noite de Porto Alegre. Confesso que a primeira tentativa, há cerca de um mês, não foi bem sucedida. Fiquei parada um tempo dentro do carro olhando a fila, pensando como me sentiria decadente (auto-crítica mordaz, como só uma fêmea é capaz)no meio daquela multidão. Com o orgulho ferido pela minha covardia, voltei para o conforto do meu lar. Mas hoje foi diferente (e como!). Mãozinhas trêmulas na fila, mexendo na bolsa a toda hora. Controlado o nervosismo inicial, entrei. Porto Alegre é um ovo, como todos sabem. Tive essa exata noção quando encontrei quatro pessoas conhecidas em menos de dez minutos (inclusive uma médica que conhecia de vista). Após puxar papo no banheiro com a referida colega, engatamos um longo papo sobre assuntos diversos e logo tinha feito duas amizades (amiga da amiga).Simples assim. Achei tanta graça que ambas me cumprimentaram pela minha atitude. E me vi ali, à vontade como muitas vezes não consegui mesmo em companhia de amigos. Estava feliz comigo, o que faz toda a diferença. Minhas recentes amizades foram embora e eu fiquei (elogiada novamente). Ao pedir uma Bohemia no balcão (só me faltava coçar o saco, se eu tivesse um), um moço simpático pegou a minha mão e disse "Noooossa, que mão gelada!". Resposta em tom amigável: "Tudo bem que já são 3 da manhã, mas já estás partindo para a agressão!". E mais tarde engatei um papo ótimo com esse amável rapaz. Jornalista, quase advogado, "meio metido em política" e mais uma porção de coisas. É claro que não poderia deixar de dar um fora (momentos Beth - não têm preço). Depois de dizer a um psiquiatra (sem saber que era): "Deus me livre! Psiquiatra é tudo louco!!!", soltei uma pérola bem pior. Falei a um político: "Político??? Credo!!! Vê se não bate a minha carteira!!!". Essa foi ótima (nada pessoal, amigo). Pensando agora sobre a minha aventura inicialmente solitária, extrapolaria os acontecimentos para a totalidade da minha vida. Enfrentar coisas que causam temor é sempre algo de bom que podemos fazer em prol de nós mesmos. Em vez de pensar "O que aconteceria se eu fizesse "X" coisa?", sempre tendo a cogitar o que deixaria de ocorrer se eu NÃO tivesse feito "X" coisa. Pode parecer inconseqüência, se analisado superficialmente. Não se trata disso. Diz respeito a detectar e superar limites, quebrar tabus (sobretudos os próprios, mais rígidos que os extrínsecos). Tenho questionado bastante algumas das minhas atitudes. Mulher que convida, mulher que chega, mulher que se revela...Breguíssima essa frase. Resolvi, a partir de hoje, obedecer à minha natureza. Sem culpas. Sem constrangimento. Ressuscitei aquela garotinha que marcava com o colega de aula no recreio para declarar sua paixão, com o coração saindo pela boca. Aliás, não tem sensação mais prazerosa do que essa. Não há nada mais gostoso do que se conquistar o que (ou quem) se quer. Sem psicopatia, é claro (estilo Glenn Close, em "Atração Fatal" - baixíssima tolerância à frustração). Saber o que/quem se quer (ou não, fundamentalmente), é um afago à auto-estima (ou ela própria?). Me recuso a viver "Como insetos em volta da lâmpada". É isso aí. Cazuza, tinhas toda a razão. Então, descansem em paz os mortos-vivos.

sábado, 3 de novembro de 2007

Justiça (?)

Cheguei a uma triste conclusão, após minha breve experiência de vida (baseado em um comentário proferido pelo meu pai). Se tivesse a chance de optar por quem ser julgada ao cometer um erro, escolheria a justiça comum. Por que esta considera a primariedade do réu. Já os "juízes" da vida real, emitem sua sentença de maneira arbitrária. O histórico do "réu" torna-se irrelevante. Nem existe a distinção entre doloso e culposo. O único objetivo é punir o "criminoso". Ao contrário daquele "slogan" de refrigerante: "Imagem é tudo. Sede, não é nada.". Democracia = utopia. Pois é.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

PALHAÇADA

Vocês viram o que eu vi??? Assistindo ao "Jornal Nacional" na cobertura da confirmação do Brasil como país sede da próxima Copa, fiquei pasma. Duplamente pasma. Primeiro, vi que o emblema contém a cor VERMELHA! Sim, de novo essa cor esdrúxula (no contexto) em um símbolo que vai representar o nosso país no exterior!!! Sei desde criancinha que as cores da nossa band,,eira são azul, amarelo, verde e branco. Isso é deturpação do nosso pobre símbolo nacional!!! Depois, prá fechar com chave-de-ouro, o "grande molusco" elogia o BOM COMPORTAMENTO do brasileiro!!! Aaaaaaaarghhhhh!!! Por que o infeliz não pleiteia cidadania cubana (venezuelana?) e se manda daqui de uma vez??? O que será que ele considera "bom comportamento"? Deve ser seguir aquela máxima de Hitler: "Uma mentira dita cem vezes, torna-se verdade." PALHAÇADA.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Tropa de Elite

Acabei de chegar em casa. Fui assistir "Tropa de Elite". Im-pos-sí-vel não escrever sobre o filme mais comentado do momento. Fazia tempo que não saía de uma sessão de cinema com o público em quase completo silêncio. Eu também estava calada, por que fui sozinha. Mas saí sem palavras. Não vou chover no molhado aqui dizendo "Foi o melhor filme nacional que assisti", por que não vi todos. O que posso dizer é que me causou impacto. E o que mais me impressionou foi a ausência de repercussão em algumas pessoas. "É isso aí. Apenas retratou a realidade no Rio de Janeiro. Não é pesado não. Até deu prá dar umas risadas...". Se esse mesmo filme tivesse sido lançado há uns trinta anos, fiquei imaginando como seriam as reações do público: gente indo embora, outras tendo um piripaque (que termo geriátrico)...E talvez quem as tenha tido agora tenha sido rotulado de "sensível", "fiasquento" ou algo semelhante. Interessante como tudo é "contextualizável", porém, não o deveria. Como diria uma amiga, um assassinato é sempre um assassinato. O que muda são as motivações. Não vou entrar no mérito do que todos já sabem e é corajosamente escancarado no filme. Deixo essa tarefa para o discutível "Direitos Humanos" (seja lá o que isso significa). Particularmente interessante aquela cena em que o rapaz de classe média é surrado pelo policial em meio a uma "passeata pela paz" (sempre quando vejo uma me pergunto se fazem sentido). No filme, o usuário de drogas é retratado como financiador do crime, como o receptador de mercadorias roubadas, por exemplo. Também não entrarei nesse mérito, por que ele parece lógico por si só. Penso que as drogas ilícitas deveriam receber o mesmo tratamento das lícitas. E deveriam ser vendidas legalmente(não livremente-veja bem a diferença). Usuários sempre existirão, então por que não cobrar impostos sobre elas? A tal legalização talvez seja a única forma de acabar com o tráfico e toda a estrutura criminosa que ele engloba/gera. O consumo de tabaco e álcool, amplamente disponíveis, tem um impacto sócio-econômico gigantesco e não se classifica o seu consumo como crime de forma genérica. Mesmo quando deveria. Quando se mata ao volante embriagado, por exemplo. Não tenho essa estatística para citá-la aqui, mas por diversas vezes vi este crime ser julgado como culposo (sem intenção de cometê-lo). Recentemente, houve um juiz que considerou o atropelamento e morte de uma mulher e sua filha (se eu não me engano) por um promotor de justiça como doloso (com intenção). Será que esse caso foi "especial" por tratar-se de um indivíduo presumivelmente ciente das leis vigentes? E o cidadão "comum", é retardado, por um acaso? Alguém que tem a capacidade intelectual mínima suficiente para obter habilitação para dirigir (e que supostamente leu o Código de Trânsito)deveria ser considerado obviamente capaz de avaliar os potenciais riscos de se conduzir alcoolizado. E as elevadas taxas de impostos sobre cigarros, encontram-se muito aquém dos prejuízos causados pelo seu consumo. Então, por que existe essa diferenciação absurda entre lícitas/ilícitas, se o desfecho negativo equilibra-se? Não estou fazendo apologia ao consumo ou legalização específica de coisa nenhuma. Desejo apenas que haja COERÊNCIA nessa nossa m**** de legislação.
A propósito, uma breve fuga de idéias, para terminar: "Tropa de Elite" só não foi mais pesado ainda pela (oni)presença do grande ator Wagner Moura. Fardado e com cara de mau (na vida real, eu prefiro os homens "bonzinhos"). E aquele vozeirão...Afff! Desculpem-me. Vou tomar uma ducha fria. Até mais!

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Tia Beth's Sunscreen (to be continued)

Esta postagem foi inspirada por uma frase dita há alguns meses por um colega/amigo muito querido: "A gente percebe que está ficando velho quando começa a gostar de ouvir Roberto Carlos". O que escreverei, na verdade, não será sobre a descoberta do próprio envelhecimento e sim, da percepção da MATURIDADE. Dois conceitos bem distintos, na minha singela opinião. O envelhecimento é biológico, inexorável. A maturidade é facultativa (mesmo que por vezes não haja possibilidade de escolha-um aparente paradoxo). Então, seja o que Deus quiser (acreditando na existência dele ou não):

Indícios de que a MATURIDADE vem chegando:

#1: supracitado;

#2: alguns dos teus conceitos tornam-se elásticos; outros, solidificam-se (e tornam-se como pedras-podem rachar ao serem submetidas a um choque térmico);

#3: percebe que algumas coisas dependem integralmente do teu esforço;

#4: e que outras independem totalmente dele;

#5: o desequilíbrio entre os itens 3 e 4 pode te transformar em um psicopata ou em alguém estagnado;

#6: a tal felicidade é proporção adequada entre as tuas expectativas e a real capacidade/condição/obstinação de concretizá-las;

#7: e que a discrepância entre ambas é capaz de te tornar um frustado ou um inconseqüente (ou pior, os dois ao mesmo tempo);

#8: quando te sentes bem por perceberes o real valor das coisas (e por não precisares ter contraído uma doença fatal para te dar conta delas);

#9: quando tens a noção de que são as atitudes que têm importância, não as palavras (essa é velha);

#10: e que apesar do item 9, é preciso dosar o que se fala, pois palavras são como a flecha lançada;

#11: e que as cicatrizes deixadas por elas são indeléveis, mesmo com os avanços da Medicina Estética (tentativa de tornar o texto mais leve);

...
Em um outro momento, terminarei esta postagem. Se é que ela tem um fim.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Bienal

Determinada a exercitar meu hemisfério direito do cérebro, resolvi visitar recentemente a Bienal de Porto Alegre (no cais do porto). Cheguei a duas conclusões. Primeira: não entendo p**** nenhuma de arte!!! Tudo bem, não vou radicalizar. Gostei particularmente de três obras, bem interessantes (as fotos estão no meu álbum do Orkut). Também apreciei alguns textos(o das sementes de abóbora, em especial)que faziam parte, na verdade, de uma obra que não me lembro o nome, muito menos o do artista. Passei duas horas agradáveis passeando sozinha e me divertindo com as descrições (excelente ambiente para abstrair): "este trabalho dimensiona o caráter holístico e magnânimo da polinização da globalização, sob o olhar crítico e tenaz de fulano de tal, enfatizando a necessidade do ser humano, como pessoa, de assumir o seu papel atuante no contexto dramático de um cenário caótico pontuado pelo infinito". Tudo bem, isso foi só um exemplo. Porém, diversas descrições que li não fugiram desse padrão "Gilberto Gil". Ou isso é realmente bizarro ou eu sou por demais ignorante...Segunda conclusão: posso virar artista plástica e ganhar dinheiro com isso. Lembrei de um maluco, em Nova Iorque, que resolveu evacuar em latas, vedá-las e vendê-las como...OBRA DE ARTE! Incrível! Transformar merda em dinheiro apenas dando um nome diferente para sua...OBRA! Pensava que só fabricantes de adubo fossem capaz de tal façanha...Bom, antes que eu morra apedrejada por artistas plásticos revoltados, quero apenas deixar claro que admiro as artes de maneira geral, mesmo sem compreendê-las plenamente. E que tenho, dentro das minhas limitações, senso crítico de não adquirir fezes só por que um pseudo artista as nominou de forma distinta e atribuiu-lhes um valor. E fica registrado o meu respeito pelos verdadeiros artistas.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

A Fábula do Exame de Próstata

Ouvir a verdade é como um exame de próstata (obs: eu não tenho próstata). Na hora te sentes invadido, porém, finges que é tudo muito natural. E retornas a consultar mesmo assim, por que sabes que aquilo é para o teu bem.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Carta ao Pépe (cachorro da Patty)

Oi, lindinho! A tua mãe me contou que andas mais comportado...Bem...Nem tanto! Me disse que o teu entusiasmo pelas fêmeas chega a ser constrangedor! Acho que está na hora mesmo de trocar os teus brinquedinhos por algo mais interessante. Mas ouve bem alguém de outra espécie, que lida às vezes com machos com o cérebro menos desenvolvido que o teu(sem ofensa): dá um latido simpático, para começar, seguido de uma cheiradinha no traseiro dela (não recomendado para seres humanos). Se ela corresponder, brinca um pouco com ela, por que fêmeas curtem machos divertidos. Faz cocô sempre no jornal (JAMAIS esquece de fechar a porta), pois educação é fundamental. Oferece,de surpresa, um biscrok bem fresquinho-pequenas gentilezas contam muitos pontos. Por fim, se vocês cruzarem (termo não aplicável a seres humanos), pede à tua dona para te levar para passear e demonstra satisfação ao encontrá-la, para que ela se sinta segura de que sentes o mesmo. Se não for o caso, não precisas rosnar! Basta dar uns latidos sem entusiasmo, deixando bem claro que a recíproca não é verdadeira-a maioria das fêmeas não morde quando isso acontece. Por fim, quando encontrares aquela que eriçar os teus pêlos, tenha filhotes (e me dê um-prometo que não perderão contato). Muitos beijos da amiga humana, (ex futura veterinária), que procura entender os instintos dos animais, humanos ou não.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Macho

O assunto inicial desta postagem deveria ser reflexões sobre o que é realmente ser jovem. Acabei por ter vontade de escrever outra coisa ao papear com uma amiga muito especial, que, sem querer, volta e meia me ispira com suas idéias (se um dia eu me tornar famosa, vou pagá-la royalties-é assim que se escreve?). Falávamos sobre sexo sem compromisso (não espere um texto de conteúdo picante-não é esse o objetivo). Papeei um dia desses, via msn, com um rapaz (termo geriátrico) que considero um dos caras mais bacanas que conheci nos últimos tempos (vai fazê-lo bem ler o que escreverei aqui). Tive uma grande empatia por ele, por que homens que expressam seu sentimentos sem receio (enfrentando seus medos, na verdade), são surpreendentes por si só. Fiquei admirada de ouvir um homem verbalizar que sentia-se desconfortável com o sexo casual. Não exatamente nessas palavras, talvez. Mas foi o que entendi (pode existir um viés do observador aqui). Me contou como foi chegar em um lugar acompanhado, ciente do que iria acontecer e sentir como se houvesse algo fora do lugar. Confesso que, inicialmente, aquilo soou-me como uma visão "feminina". Depois, ao refletir melhor, me dei conta do quão absurdamente preconceituosa estava sendo (e existe algum preconceito razoável, por acaso?). Contradizendo a eu mesma, que há poucos dias havia dito a ele com a boca cheia que "não existiam homens e mulheres,e sim, seres humanos". Proferi essa frase em meio a um debate estúpido (olha quem fala) sobre qual dos sexos era mais orgulhoso. Fiquei com uma certa vergonha, por que parece que eu larguei uma simples "frase de efeito", sem ter parado para pensar sobre isso realmente. Pois bem, antes tarde do que nunca. Após viver 28 anos na pele de uma fêmea, comecei a desconfiar de que ser homem (macho), é muito complicado. Pressões sociais em relação a comportamentos afligem (e é bem esse o termo mesmo) ambos os sexos (e tem mais de dois? Segundo a cantora Simone, tem sim.). Lido de maneira relativamente tranqüila com isso (bem resolvida? Hummm...pode ser). Como já disse algumas vezes aqui, tenho empatia pelo "universo masculino" - se é que ele existe mesmo, ou é apenas uma jogada de marketing para vender revistas estereotipadoras ditas "femininas". Me lembrei de uma pérola que li recentemente:"dicas para homens: tirem primeiro as meias, DEPOIS as calças, pois um homem de cueca e meias fica ridículo". Quem seria a débil-mental que prestaria atenção NISSO numa hora dessas??? Arghhhhh! Dá vontade de mudar de gênero quando uma anta fêmea tem coragem de escrever tamanha asneira(e pior que alguém se presta a publicar)!!! Retomando o foco, após essa breve fuga de idéias: me solidarizo com esse perfil de homem (pessoa) sensível(!). Alguém deveria se sentir incomodado por assumir essa postura? É obvio que não! Se eu achava o mundo de solteira cão (um pouco menos, ao conhecer este ser diferenciado), estou tentada a pensar que ser solteir(O) pode ser tão ou mais complicado quanto. As mulheres, atualmente, têm espaço para assumir uma postura tanto liberal quanto mais conservadora(!). Conservadora não é bem o termo, porém sim uma tranqüilidade em respeitar seus sentimentos sem se sentirem coagidas pela "sociedade feminista". Se uma mulher mostra-se claramente disposta a sexo e não é satisfeita ("aquele" termo macularia a classe do meu texto), logo é tachado de GAY (no mínimo). Confessar o "crime" a um amigo, só se tiver quatro patas e latir...Os sem personalidade cedem à pressão e os que têm critério assumem o risco de serem rotulados - pejorativamente, é claro. Palmas prá eles. Por que tem que ser muito MACHO para arcar com as conseqüências. E prá concluir, sem querer ser maniqueísta: existem dois tipos de seres humanos - os que valem a pena. E os que são dignos dela. FIM!

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Vende-se casa.

Analogias. Sempre gostei de analogias. É uma forma de tentar expressar idéias de uma maneira concreta (concreta, não concretóide, por favor!). Estava conversando com uma grande amiga um dia desses, quando algo me ocorreu. Na referida circunstância, estávamos conversando sobre relacionamentos entre homens e mulheres (seres do sexo feminino típicos). Uma idéia me veio à mente, que talvez seja pertinente a qualquer espécie de relação humana. Quando se quer vender um imóvel, por exemplo. Interessam os motivos por que alguém NÃO quer adquirí-lo? Por impossibilidade financeira, por que a disposição dos cômodos não lhe agrada, por que a localização é inadequada...Não! O que se quer é o dinheiro da venda, o sucesso do negócio em si. Então, por que temos dificuldade de lidar quando uma situação semelhante acontece em outras áreas de nossa vida? Por que encarar como pessoal o que não é? Fácil racionalizar. Nem tão simples de introjetar. Afinal, em última instância, o que buscamos é aceitação (ou a não rejeição - palavrinha forte, héin?). Há de se ter um grande amor próprio para compreender que tudo é uma questão de diferenças de perspectivas e expectativas...Estou aprendendo a transcender - me sinto orgulhosa de mim por isso. De verdade. Desejo a todos que leiam este texto que reflitam sobre ele tanto ou mais do que eu o fiz ao redigí-lo. E vamos filosofar, por que namorar tá f***.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Fuga de idéias 2

Descobri que escrever é uma forma maravilhosa de lidar com a minha ansiedade. E que momento de vida propício para estar assim, por sinal! Cheia de dúvidas e me questionando a todo instante. Se alguém souber a tecla de "off" do cérebro, me diga, por favor. Recém saída de uma tempestade, que ainda não sei bem se foi real ou não, me sinto zonza. Queria ser como a Marta Suplicy que relaxa e goza, simplesmente. E ganha dinheiro ensinando os outros como fazê-lo...Longe de mim admirá-la, veja bem. Bom, quando comecei a escrever este texto, saberia que seria um "Fuga de idéias 2". Mas tudo bem...A vida real não é sistemática mesmo. A pergunta que não quer calar é: se "A" se torna cada vez mais parecido com "B", então "B" na verdade é "A"? Parece bastante vago, porém, não é. A minha noção é de que,com o passar do tempo,tende-se a ser cada vez mais flexível com pessoas, conceitos e preconceitos, principalmente. Será a tal "maturidade" que vem chegando? Tenho minhas dúvidas...E até que ponto é possível viver saudavelmente sem se adaptar à dita "flexibilidade". Minha crítica, nem tão severa na prática, é que ser elástico demais pode denotar fraqueza de caráter. Sempre tendo a avaliar tudo dentro de um contexto. E onde estão os limites disso? Alguém pode roubar por que precisa de dinheiro? A ausência de escrúpulos tem justificativa? Ouço com freqüência discursos inflamados sobre a corrupção na política...E então me lembrei de um provérbio chinês que diz mais ou menos assim: antes de querer mudar o mundo, dê uma volta dentro da sua casa. Há milênios a hipocrisia está aí. Incomodada, resolvi então dar uma voltinha dentro da "minha casa". Hasta la vista.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Imagem

Expressões de sentimentos não devem causar medo. Dizem muito mais a respeito de quem declara do que do objeto em si. São como uma imagem refletida em um espelho de um parque de diversões. Ou como a parábola do homem que enxergava as sombras projetadas de dentro da caverna. E, na sua condição de mera imagem, podem ter a fugacidade de sua passagem e a intensidade do impacto inicial que geraram. E ponto final.

sábado, 14 de julho de 2007

Hemorróidas

Um dia desses ouvi uma frase que ficou martelando em minha cabeça: "Eu sou fazido." Soou tão estranha aos meus conceitos que foi como se alguém estivesse se vangloriando de sofrer de hemorróidas...Sim! Hemorróidas! Afinal, existiria alguma vantagem nesse tipo de comportamento? Ao meu ver, claramente, não há. Por que dissimular nossos desejos, quando é tão mais simples expressá-los? Quantos problemas nascem por erros banais de comunicação? Quem nunca ouviu ou disse: "Mas não foi isso o que eu quis dizer". Não estou fazendo aqui apologia à sinceridade desmedida, por que isso só funciona em teoria. Vivemos em sociedade e lidamos com pessoas extremamente diferentes de nós, então filtrar as palavras se faz necessário (em condições normais de temperatura e pressão). Frasezinha clichê: expor-se requer coragem. E de vez em quando dar um soco bem dado na cara do Superego. Superego é um termo utilizado em psiquiatria, que não vem ao caso aprofundar aqui, que é o contraponto do Id. Grosseiramente, o Superego é o anjinho e o Id é o diabinho que se estapeiam continuamente dentro das nossas cabecinhas (Freud está revirando-se no túmulo). No meio dessa zona, está o Ego, TENTANDO ponderar (a tampa do túmulo voou). Estou, agora, sem muito entusiasmo, buscando as desvantagens de ser verdadeiro. Não estou encontrando (aqui está um viés de um estudo que JAMAIS poderia ser duplo-cego). Desde que se tenha colhões (ou ovários) para isso, é claro. Sejas verdadeiro consigo mesmo, sobretudo. O resto...deixa acontecer naturalmente (trecho descaradamente copiado de um pagode).

domingo, 8 de julho de 2007

Água

Uma amiga chegou a uma conclusão: os que não lidam bem com os sentimentos alheios assim o fazem não por insensibilidade, mas sim por não saberem administrar seus próprios sentimentos. Sábias palavras. Descobri minha maior dificuldade, então. Lidar com o embotamento afetivo. A falta de afeto me agride mais do que qualquer demonstração de desagrado. Prefiro lidar com algo a não lidar com NADA. A verdade desce redonda goela abaixo. E um copo d'água morno, mesmo se oferecido a quem tem sede, é inodoro, incolor e insípido. Masoquistamente insípido.

sábado, 7 de julho de 2007

Mestres

Após um longo período de silêncio, sinto vontade novamente de escrever. Algo de inspirador ocorreu hoje, em um dia de trabalho que poderia ter sido como outro qualquer. Soube notícias de uma professora do colégio que não vejo há anos. Fiquei tão emocionada ao perceber o quanto marcou minha vida. Me ensinou a apreciar poesia aos dezessete anos, dentre outras coisas. Me lembro de suas aulas até hoje, lecionadas com uma paixão contagiante! Imediatamente, me veio a imagem de uma grande amiga, professora de Letras. Um dia desses, fomos passear em um parque e, de tempos em tempos, éramos abordadas por seus alunos. Todos nitidamente felizes em encontrar a "Sôra". Conversamos sobre as diversas histórias de vida de alguns de seus alunos. Algumas muito tristes, de crianças que carregam cargas de sofrimento que seriam pesadas até mesmo para um adulto. Esta amiga leciona em algumas escolas públicas, lidando com realidades diversas às nossas próprias infâncias. Fiquei tão orgulhosa da minha amiga ao vê-la emocionar-se falando com tanto carinho de seus alunos. Naquele momento, lembrei de todos aqueles que influenciaram fortemente minha formação. E percebi que determinadas funções não podem ser exercidas sem envolvimento. Isso transcende o conhecimento técnico puro e simples. Pensei na minha referida professora do segundo grau e de outros que me ensinaram coisas que não constam nos livros, mas são igualmente essenciais. Humanidade, sensibilidade, humildade...E por aí vai. Em todas as etapas do meu aprendizado, sempre tive a imensa necessidade de admirar alguém. Mesmo crescida (e como!), ainda digo: "Quero ser como o fulano quando eu crescer!". Obrigada a todos os meus espelhos, passados(sempre presentes) e atuais. Agradeço especialmente a um geriatra pelo exemplo de sua excelência profissional e de seu caráter irretocável. Obrigada, Senhor#4.